Falta de ambição

30.4.12
Estava a ler sobre alguém com objectivos muito concretos e o trabalho que isso exige e pus-me a pensar que provavelmente é isso mesmo que me falta. Eu tenho sonhos, vontades mas nenhum objectivo. Não sei sei se sou preguiçosa, ou muito sábia.
Eu nunca escolhi os caminhos mais fáceis, tudo o que seja desbravar terreno, partir pedra, etc. contem comigo, mas depois manter a máquina a funcionar parece-me demasiado aborrecido. Por isso acho que a verdadeira capacidade de trabalho é essa: continuar, fazer a mesma coisa dia após dia, semana após semana, ano após ano (até estremeço) e essa capacidade eu não tenho. Sou, portanto, preguiçosa.
Por outro lado, sempre que é preciso arregaçar as mangas, pagar contas, trabalhar para comer, o que for, sou pau para toda a obra, menos servir às mesas, que a coisa não correu mal, mas eu odiei. Também não  sei ser account de uma agência de comunicação. Mas dei-me bem como assistente de estomatologia e, dentro do género, como operária fabril. Portanto, não sei se é justo considerar-me preguiçosa.
O que sei é que decidir fazer uma coisa e ir à luta é muito nobre, mas ingénuo também, porque o mais provável é irem-se perdendo coisas pelo caminho, que nos poderiam fazer tão ou mais felizes do que essa coisa que se quer alcançar.
Resumindo e concluindo o que interessa mesmo é o que fazemos e não o onde queremos chegar, ou, dito de outra forma, não interessa o destino, mas sim a viagem. É claro que esta é uma conclusão a que ninguém tinha chegado, mas já deviam saber que apesar do que ele disse, eu não sou assim tão inteligente, convivemos é com pouquíssima gente, o que nos torna, aos olhos um do outro, pessoas fora de série.

1

28.4.12
Passou um ano e o nosso bebé está assim. Não anda, não fala, não gosta de comer, ou seja, é completamente diferente do que era o irmão com esta idade. E é um ser absolutamente delicioso.

Para mim a(lguma)s coisas são simples*

27.4.12
Os filhos ocupam-nos a vida, ou a parte dela que acharmos que devem ocupar, mas não mudam a nossa forma de estar na vida.

Ter filhos de mais de um pai, que não tenham sido feitos por acidente, significa que encontramos mais do que um grande amor e isso é raro e é para festejar (nem que seja sozinha).

Se temos de tomar decisões difíceis pelos nossos filhos o mais certo é termos de as tomar por nós e não por eles.

A felicidade deles faz a nossa, mas não é a mesma. O que os faz felizes não é necessariamente o que nos faz felizes.

*É uma pena que sejam simples só para mim.

11

26.4.12
Há 11 anos saiu da minha barriga, grande, cabeluda, chorona, linda.
Hoje fez a viagem Lisboa/Porto sozinha pela primeira vez (depois de despejar aquele copo de vinho em cima do meu prato, de mim e do irmão mais velho).
É terrível e fantástico vê-la tão crescida.

Tenho um sutiã novo

24.4.12
Se eu fosse a Dora com um sutiã novo, minhas amigas, estariam aqui coladas ao ecrã, ou a rebolar no chão de tanto rir, mas como eu sou eu, tenho a dizer que desconhecia ser suposto andarmos com este apetrecho como se se tratasse de um colete de forças.
Queimar os sutiãs como metáfora da libertação da mulher tem todo um outro significado para mim. E ter um sutiã-colete-de-forças nesta fase da minha vida também significa bastante.

A sério que não gostam de homens com bigode?

22.4.12

(Quanto ao filme, sé tenho a dizer o mesmo que disse da outra vez. Obrigada, Miguel Gomes, muito obrigada.)

Tabu*

20.4.12
Quando eles estão os dois a chorar ao mesmo tempo, ou mesmo quando está só um, enquanto o outro molha os pés na água dos gatos (não sei porque é que ele está descalço, mas devia querer saber, porque está a recuperar de uma amigdalite) e eu respiro fundo e digo foda-se baixinho (pelos vistos não tão baixinho como deveria), penso quase sempre "mas que raio estou eu a fazer da minha vida?"
Não, tenho de ser honesta, às vezes posso estar aqui, como agora, com eles a dormir e penso o mesmo. Portanto, que raio estou eu a fazer da minha vida? Pergunto-me tão frequentemente que já podia ter escrito um tratado sobre o assunto, mas não, esse é, claramente, um tema tabu. Já o escarafunchei várias vezes, claro, já falei comigo sobre cobardia e coragem, padrões de comportamento, escolhas e outras coisas, mas nunca consigo (quero?) chegar a uma resposta.

*Eu hei-de ir ver o filme, sim, mas ainda não consegui. 

Aqui e agora

19.4.12

Enquanto o quilt primavera  avança lentamente, começo a pensar no do verão. Sinto que devia curar-me desta coisa de querer estar sempre lá à frente, em vez de aqui e agora. Mesmo que aqui e agora tenha dois bebés em casa doentes.

Hmmmm

17.4.12
Não sei como é que uma questão tão óbvia nunca me fez perder o sono, mas, assim de repente, se for preciso, como é que eu vou sustentar três filhos sozinha, sem emprego?