Estava no cinema com um dos pés descalços (porque magoei o mindinho na costura da meia enquanto andava à procura do Nimas), a tentar perceber porque é que o homem, o protagonista, não se matava em casa e pronto, até que apareceu Mr. Bagheri.
Mr. Bagheri concorda ajudar Mr. Badii mas tenta dissuadi-lo do suicídio. Conta-lhe que há muito tempo também quis acabar com a vida, meteu-se no carro com uma corda e foi até um campo de amoreiras. Subiu a uma das árvores para prender a corda e percebeu que estava cheia de amoras. Comeu algumas e eram doces. Continuou a comer e depois passaram umas crianças a caminho da escola que também comeram amoras e, então, ele sentiu-se feliz.
Gostei muito da ideia de ele já não querer morrer por causa das amoras, mas fiquei a pensar se não quereria dizer cerejas. Ou se disse e foi mal traduzido. Ou se tanto faz serem cerejas, ou amoras desde que as queiramos comer.
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Existência
1.7.17
Nunca me ocorreu que se pudesse alugar (que dizer comprar) um filme de ficção científica indie no clube de vídeo (que dizer na loja de cópias manhosas de filmes) de Colmera, apesar de se encontrar de tudo no meio daqueles milhares de DVDs. Mas foi exactamente o que aconteceu e por isso ontem vimos o Bokeh.
É um filme apocalíptico diferente da maioria dos filmes que eu vi sobre o fim do mundo sem, no entanto, deixar de ser desconcertante. Mas aquilo que mais nos surpreendeu foi os miúdos ficarem a vê-lo com um interesse nunca antes demonstrado num filme de adultos.
Aliás, quando lhes dissemos que podiam ver, pensámos que iam desistir passados três minutos e meio, como é costume, só que aguentaram quase até ao fim. Desistiram na penúltima cena, com o Isaac a chorar, e fizeram-nos prometer que lhes contávamos o fim no dia seguinte.
Ao Isaac contei, ainda antes de ele adormecer, que o filme tinha sido um sonho da protagonista e que tudo tinha acabado bem (sim, menti-lhe com quantos dentes tenho) e na manhã seguinte, ainda meia a dormir, respondi ao Nicolau que sim, que as pessoas tinham aparecido todas outra vez.
Não há grandes coisas a acontecerem no filme (se virem o trailer, praticamente viram o filme), o que torna todo este interesse por parte deles ainda mais surpreendente.
É como se as grandes questões existenciais existissem ainda antes de nós.
É um filme apocalíptico diferente da maioria dos filmes que eu vi sobre o fim do mundo sem, no entanto, deixar de ser desconcertante. Mas aquilo que mais nos surpreendeu foi os miúdos ficarem a vê-lo com um interesse nunca antes demonstrado num filme de adultos.
Aliás, quando lhes dissemos que podiam ver, pensámos que iam desistir passados três minutos e meio, como é costume, só que aguentaram quase até ao fim. Desistiram na penúltima cena, com o Isaac a chorar, e fizeram-nos prometer que lhes contávamos o fim no dia seguinte.
Ao Isaac contei, ainda antes de ele adormecer, que o filme tinha sido um sonho da protagonista e que tudo tinha acabado bem (sim, menti-lhe com quantos dentes tenho) e na manhã seguinte, ainda meia a dormir, respondi ao Nicolau que sim, que as pessoas tinham aparecido todas outra vez.
Não há grandes coisas a acontecerem no filme (se virem o trailer, praticamente viram o filme), o que torna todo este interesse por parte deles ainda mais surpreendente.
É como se as grandes questões existenciais existissem ainda antes de nós.
A rapariga da sombrinha
21.1.16
Praia do Cristo Rei (já não mostrava uma praia há muito tempo)
Cruzei-me com a rapariga que descia do Cristo Rei com um guarda-chuva para se proteger do sol. Talvez fosse uma sombrinha, afinal. Na verdade não sei qual a diferença, a não ser a função.
A rapariga chinesa era, entre as várias dezenas de chineses que passeavam por ali naquele dia, a única com uma sombrinha e por isso chamou-me a atenção. Por isso e porque estava demasiado vestida para este calor, com umas leggings pretas debaixo de um macacão.
Também reparei no rapaz com uma camisa e uns calções amarelos com palmeiras verdes e a máquina fotográfica pendurada no pescoço. Era o retrato perfeito do turista. Tão perfeito que só podia ser uma ironia.
Lembrei-me que um dia destes, quando não houver crocodilos no mar e os resorts começarem a crescer como cogumelos, Timor vai estar cheio de turistas. "Antes crocodilos que turistas, essa espécie do demo", disse-me uma amiga. É engraçado como gostamos tão pouco de turistas, mesmo quando somos um deles. Ficamos chateados por ter de esperar tanto tempo para subir à Sagrada Família e maldizemos a quantidade de anormais que querem ir ao Museu d 'Orsay de todas as vezes que lá tentamos entrar. Como se nós próprios não fossemos um deles.
Estava já na praia e via ao longe, depois das rochas que a maré baixa descobriu, um outro grupo de chineses que nadava. Do lado de cá da rochas, estavam alguns timorenses e os meus filhos.
A rapariga da sombrinha chegou e ficou parada no meio do areal. E sem mais nem menos veio-me à memória o filme do Philipe Seymour Hoffman, que retrata tão bem isto de andarmos todos à procura de agradar alguém.
Coincidências (?)
26.6.14
Deve haver uma mensagem subliminar qualquer no facto de eu ter visto dois filmes seguidos (Filomena e A Vida Secreta de Walter Mitty) exactamente com o mesmo enredo, quando nada o fazia prever: Começam com uma busca, que leva os protagonistas a viajar para locais distantes para no fim descobrirem que aquilo que procuravam esteve sempre em casa.
Uma história de amor
18.2.14
Estava tão habituada ao espanto que saía comigo da sala de cinema depois de ver um filme de Spike Jonze que desta vez quase fiquei desiludida. Digo quase, porque continua a ser um gajo capaz de surpreender, mas aquela história de amor, não sei, pareceu-me apenas uma história de amor como outra qualquer. Talvez fosse essa a ideia do realizador, já que mostrar um gajo (e que gajo!) apaixonado por um sistema operativo, que por sua vez também se apaixona, tem tudo para ser "anormal", mas a verdade é que parecem apenas dois amantes que vivem em sítios diferentes.
Depois há a solidão, claro. A tecnologia e a solidão (há também a moda estranha de os homens usarem calças de cinta subida, com um cós descido, como se as partes íntimas precisassem de mais espaço), mas há sobretudo uma essência humana captada de forma ímpar e muito presente nos diálogos entre Theodore e Amy (fizeram-me lembrar a Miranda July). E há ainda a música, essa sublime forma de arte que acompanhará o ser humano até ao fim dos tempos.
A seguir ao cinema correu tudo mal, ao ponto de me apetecer sentar a um canto a chorar como os desenhos animados japoneses. Por isso, não volto ao cinema à hora do almoço.
Ainda não tínhamos falado de masturbação
10.1.14
Acho que se espremer este blog, e deitar fora o que não interessa (uma grande parte), encontro aqui algumas coisas engraçadas, mas o mais interessante, para mim, é verificar que eu vou oscilando entre a vontade de fazer e a de reflectir. Por isso é que umas vezes ando às voltas com a máquina de costura e o tricot e outras obcecada com a Virginia Woolf (onde será que deixei o Diário?).
Neste momento, é fácil perceber que a fase maker anda um bocado nas ruas da amargura, mas digamos que a thinker também não anda a marcar muitos pontos.
À saída do cinema
7.1.14
Comentários da família depois de vermos o Frozen:
Nicolau (que esteve o tempo quase todo de boca aberta a olhar para a tela) - "Tinha um monstro muito mau".
Isaac - "Quero ver outra vez".
Bea - "A Disney ainda sabe fazer filmes, não achas?"
Jaime - "Não te parece que aquela princesa do gelo tinha umas formas demasiado pronunciadas para um filme infantil?"
Eu - "Não era uma princesa, era uma rainha".
Nicolau (que esteve o tempo quase todo de boca aberta a olhar para a tela) - "Tinha um monstro muito mau".
Isaac - "Quero ver outra vez".
Bea - "A Disney ainda sabe fazer filmes, não achas?"
Jaime - "Não te parece que aquela princesa do gelo tinha umas formas demasiado pronunciadas para um filme infantil?"
Eu - "Não era uma princesa, era uma rainha".
A liberdade é sobrevalorizada
17.10.13
"Os meus ouvidos ouvem o que os outros não conseguem ouvir. Vejo pequenos e longínquas coisas que as pessoas normalmente não vêem.
Estes sentidos são o resultado da ânsia de uma vida inteira. Ânsia de ser salva. Ânsia de me sentir realizada. Tal como a saia que precisa de vento para esvoaçar.
Não sou formada por coisas que sejam só minhas. Uso o cinto do meu pai a prender a blusa da minha mãe e os sapatos que são do meu tio. Isto sou eu.
Tal como uma flor não escolhe a sua cor, não somos responsáveis pelo que vimos a ser. Só depois de percebermos isto nos tornamos livres. E tornarmo-nos adultos é tornarmo-nos livres."
Do Stoker.
Estes sentidos são o resultado da ânsia de uma vida inteira. Ânsia de ser salva. Ânsia de me sentir realizada. Tal como a saia que precisa de vento para esvoaçar.
Não sou formada por coisas que sejam só minhas. Uso o cinto do meu pai a prender a blusa da minha mãe e os sapatos que são do meu tio. Isto sou eu.
Tal como uma flor não escolhe a sua cor, não somos responsáveis pelo que vimos a ser. Só depois de percebermos isto nos tornamos livres. E tornarmo-nos adultos é tornarmo-nos livres."
Do Stoker.
Agenda
8.10.13
A vantagem de falar com pessoas, em oposição a falar sozinha, é sermos confrontadas com coisas que nunca nos tinham passado pela cabeça.
Pôr na agenda: estar mais vezes com pessoas. Antes disso, comprar a agenda.
Pôr na agenda: estar mais vezes com pessoas. Antes disso, comprar a agenda.
Uma das melhores notícias dos últimos tempos
27.2.13
O grupo mais fabulástico de todos os tempos voltou (para quem não percebe do que se trata, mesmo lendo uns quantos posts, aquilo é um sítio onde se propõe, discute, vota e resume sessões de cinema em casa uns dos outros. Isto para explicar a coisa muito resumidamente, porque há todo um universo paralelo muito difícil de explicar).
Excelsior
31.1.13
You have to do everything you can and if you stay positive you have a shot at a silver lining (temos de fazer todos os possíveis e, se formos optimistas, podemos ter um final feliz - na tradução do filme)
E isto, meus senhores e minhas senhoras, é mesmo verdade. É incrível. Ainda estou fora de mim, porque quando saí do cinema, fui carregar o 7 Colinas e olhei para as raspadinhas e disse a mim mesma "stay positive". Comprei uma e adivinhem...exactamente, ganhei!!! Nem queria acreditar. Agora, só tenho de pensar como vou gastar um euro.
E isto, meus senhores e minhas senhoras, é mesmo verdade. É incrível. Ainda estou fora de mim, porque quando saí do cinema, fui carregar o 7 Colinas e olhei para as raspadinhas e disse a mim mesma "stay positive". Comprei uma e adivinhem...exactamente, ganhei!!! Nem queria acreditar. Agora, só tenho de pensar como vou gastar um euro.
Vou ali pensar na vida e volto dentro de momentos
20.7.12
Walt Bishop - Quem me dera que o telhado voasse e eu fosse pelo ar com ele.
Laura Bishop - Oh, pára de ter pena de ti próprio.
Walt Bishop - (silêncio) Porquê?
Laura Bishop - Porque nós somos tudo o que eles têm.
Walt Bishop - (silêncio) Não é suficiente.
A sério que não gostam de homens com bigode?
22.4.12
(Quanto ao filme, sé tenho a dizer o mesmo que disse da outra vez. Obrigada, Miguel Gomes, muito obrigada.)
Breve relato (relativamente escatológico) em jeito de ponto de situação
7.4.11
sábado: mudança para a casa nova*.
domingo: almoço e lanche cozinhado na cozinha nova, com pratos, panelas e copos no sítio. Alguns livros e alguma roupa no sítio.
segunda-feira: hospital depois de uma tarde com contrações do tipo wrestling**. Tudo Ok, regresso a casa.
terça-feira: perda do coiso com nome nojento. 38 anos festejados com comida goesa e prenda bordada.
quarta-feira: audição da pequena com muita caminhada e escadas até chegar a casa. Depois do jantar consegui o feito de chegar à cama e responder a perguntas ao mesmo tempo.
quinta-feira: sono turbulento com contrações do tipo grindhouse*** e que continuam agora em modo western****.
*está-se muito bem aqui.
**estas contrações são assim chamadas porque são como as chapadas: doem mais por não servirem para nada.
***estas são aquelas que nos podem pôr a guinchar como porcos em dia de matança, coisa que não acontece, naturalmente, porque somos gente que sabe lidar com a dor e que acha esta coisa de parir o mais natural do mundo e tal e tal. O nome é inspirado mais no filme do Tarantino do que no género dos anos 70, porque o realizador tem uma forma de apresentar carnes despedaçadas que fazem lembrar a dor deste tipo de contrações.
****estas são aquelas mais ligadas ao desconforto do que à dor. Os westerns estão cheios dessa sensação com aquelas roupas no meio daquele sol e daquele pó. É uma falta de ar, é o que é.
P.S a temática cinéfila ocorreu-me enquanto me contorcia na cama mas acredito que este sítio tenha contribuído de alguma forma.
domingo: almoço e lanche cozinhado na cozinha nova, com pratos, panelas e copos no sítio. Alguns livros e alguma roupa no sítio.
segunda-feira: hospital depois de uma tarde com contrações do tipo wrestling**. Tudo Ok, regresso a casa.
terça-feira: perda do coiso com nome nojento. 38 anos festejados com comida goesa e prenda bordada.
quarta-feira: audição da pequena com muita caminhada e escadas até chegar a casa. Depois do jantar consegui o feito de chegar à cama e responder a perguntas ao mesmo tempo.
quinta-feira: sono turbulento com contrações do tipo grindhouse*** e que continuam agora em modo western****.
*está-se muito bem aqui.
**estas contrações são assim chamadas porque são como as chapadas: doem mais por não servirem para nada.
***estas são aquelas que nos podem pôr a guinchar como porcos em dia de matança, coisa que não acontece, naturalmente, porque somos gente que sabe lidar com a dor e que acha esta coisa de parir o mais natural do mundo e tal e tal. O nome é inspirado mais no filme do Tarantino do que no género dos anos 70, porque o realizador tem uma forma de apresentar carnes despedaçadas que fazem lembrar a dor deste tipo de contrações.
****estas são aquelas mais ligadas ao desconforto do que à dor. Os westerns estão cheios dessa sensação com aquelas roupas no meio daquele sol e daquele pó. É uma falta de ar, é o que é.
P.S a temática cinéfila ocorreu-me enquanto me contorcia na cama mas acredito que este sítio tenha contribuído de alguma forma.
A solidão
28.1.11
Eu sabia que ia dar de caras com sofrimento; sabia que ia ver rostos que me iriam perseguir; sabia que corria o risco de a qualquer momento chorar descontroladamente. Sabia, porque das outras vezes que me cruzei com o trabalho deste gajo foi isso que aconteceu (não tanto neste Happy-Go-Lucky). O que eu não sabia era que ia encontrar um bocado de todos nós (de mim e todos os que conhecemos) ali, a olhar para mim, a mostrar-me a nossa vida tal qual é se estivermos a olhar para ela. Uma dureza!
Não há fome que não dê em fartura
19.10.10
Para o caso de estardes preocupados devo dizer que apesar do buraco no estômago - só porque não se vê não quer dizer que não esteja lá, como o do Boris Yellnikoff - as coisas correram bem. O Isaac gostou da Vera e ao que parece divertiram-se muito enquanto o pai desesperava numa reunião de burocratas e a mãe inventava palavras para descrever o Pepe que pastava vacas numa paisagem mexicana.
As cenouras, ou a falta delas, não acrescentaram mais prejuízos além do esgotamento da glândula lacrimal e acabaram por ser substituídas pela abóbora que, juntamente com a batata e as ervilhas, resultou num belo consomé.
Agora vou aproveitar a fase hipomaníaca e tratar de umas coisas urgentes.
As cenouras, ou a falta delas, não acrescentaram mais prejuízos além do esgotamento da glândula lacrimal e acabaram por ser substituídas pela abóbora que, juntamente com a batata e as ervilhas, resultou num belo consomé.
Agora vou aproveitar a fase hipomaníaca e tratar de umas coisas urgentes.
A igreja estava cheia (e toda iluminada como na música d' O Trio Odemira)
6.8.10
Eu gosto de ir ao cinema. Muitas vezes decido que vou ao cinema e só depois vejo o que está em cartaz. Não é difícil encontrar alguma coisa, porque o número de salas em Lisboa é considerável, apesar de estarem, praticamente, todas tomadas pelos suspeitos do costume. Depois há a cinemateca, claro, que tenho frequentado muito pouco, infelizmente.
Isto tudo para dizer que de tão habituada a ver filmes com mais duas ou três pessoas além de mim, ia morrendo quando me apercebi que o Inception (A Origem) ia encher a sala. Ora, o cinema também é isso: gente a ver o filme e a comer pipocas e a sussurrar mas, caramba, não podiam ir fazer isso para outro filme qualquer? Eu também gosto de ver filmes com amigos, de conversar e fazer intervalos para comer alguma coisa, mas ir ao cinema é diferente. Para mim, é quase como ir a um santuário para alimentar o espírito e ficar longe dos assuntos terrenos. E neste filme Nolan até consegue levar-nos para o mundo dos sonhos e tudo, por isso estão todos perdoados. Deixem ficar uma esmolinha.
Isto tudo para dizer que de tão habituada a ver filmes com mais duas ou três pessoas além de mim, ia morrendo quando me apercebi que o Inception (A Origem) ia encher a sala. Ora, o cinema também é isso: gente a ver o filme e a comer pipocas e a sussurrar mas, caramba, não podiam ir fazer isso para outro filme qualquer? Eu também gosto de ver filmes com amigos, de conversar e fazer intervalos para comer alguma coisa, mas ir ao cinema é diferente. Para mim, é quase como ir a um santuário para alimentar o espírito e ficar longe dos assuntos terrenos. E neste filme Nolan até consegue levar-nos para o mundo dos sonhos e tudo, por isso estão todos perdoados. Deixem ficar uma esmolinha.
Uma espécie de lista
12.7.10
Tenho de mostrar a algibeira da minha avó; limpar o chão da cozinha para o bebé poder gatinhar à vontade e já agora o forno e o microondas para não parecer mal; daqui a nada tenho de o pôr a dormir a sesta; decidir e fazer o que vou almoçar; acabar aquele texto e editar o outro; os vasos, não posso esquecer de plantar os cravos antes que morram; ver os filmes que o Israel me trouxe (credo, a Sara Carbonero é mesmo boa! e o Casillas deu-lhe um beijo durante a entrevista, que bonito!) e mais uns quantos ali à espera na prateleira; e acabar o quilt e comprar as prateleiras para os livros dos pequenos (não, Isaac, isso é porcaria larga o meu sapato!); comprar peixe e fruta urgentemente...portanto, confirma-se, a minha vida não tem glamour nenhum.
Filme de adultos*
5.7.10
A Bea andava a insistir há algum tempo que queria ir ao cinema ver um filme comigo, ou seja ver um filme de adultos. Encontrado o dia que dava mais jeito faltava escolher o filme. Optei pelo A mulher do viajante no tempo, porque li que se tratava, entre outras coisas, de uma fantasia melodramática que nos remete para os grandes melodramas clássicos (Jorge Mourinha dixit) e pareceu-me bem. Gostei bastante do filme e ela também. O mais curioso é que não me espantei por ela conseguir acompanhar o enredo sem problemas - há situações em que pode ser difícil perceber em que tempo está o viajante. Espantei-me por vê-la sacar das bonecas imagina ser, que trazia na mala, e pôr-se a brincar com elas em cima da mesa, enquanto eu terminava o jantar, e fazer de conta que falava com alguém ao telemóvel (de brincar) da hello kitty.
Às vezes esqueço-me que é uma criança.
*(estavam à espera de pornografia? um dia destes...)
Às vezes esqueço-me que é uma criança.
*(estavam à espera de pornografia? um dia destes...)
Quem pensa no que come?
30.6.10
A realidade americana é diferente da nossa. Mas nós sabemos, ou queremos saber, de onde vem a comida que enfardamos todos os dias? O filme é de Ana Sofia Joanes.
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