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Os miúdos estão crescidos

15.3.16

Curioso isto de quase todos os meses me doerem as mamas, de quase todos os dias ter de fazer o almoço e o jantar, de andar com os miúdos para trás e para a frente, e de fazer legos com eles, e jornais com notícias inventadas, e desenhos com caraus e crocodilos, e recortes, centenas de recortes, e ovos mexidos com muitos ovos no chão, e ameaças para se entenderem, e ter dias que passam sem que eu perceba o que fiz com eles, com os dias, e livros que ganham pó à espera que os leia, e a horta por cultivar.
Curioso, dizia, a minha vida continuar a girar à volta das mesmas coisas de sempre e, no entanto, parecer uma vida completamente diferente. 
Os miúdos estão crescidos, é isso. Ou, então, ter alguém que trata da casa e da roupa faz mesmo muita diferença. Também pode ser do clima.

Querido diário

5.2.16
É sexta-feira, quase hora de almoço. Daqui a pouco mais de meia hora os rapazes chegarão da escola, com as suas fardas de Carnaval, e sentar-nos-emos todos à mesa a comer sopa e arroz de tamboril (não imaginas a felicidade que é uma pessoa chegar à secção de congelados de um supermercado e encontrar tamboril e peixe espada e castanhas!)
Ontem consultei uma nutricionista pela primeira vez na minha vida. É verdade, tenho-me visto em situações muito inesperadas sem compreender exactamente como cheguei até elas. O reiki é um exemplo disso mesmo, mas não sei, ainda, como escrever sobre isso. 
A nutricionista fez-me um plano alimentar do qual excluiu o vinho e eu achei que ao jantar devia beber todo o vinho que conseguisse em jeito de despedida. Como vês sou uma pessoa muito equilibrada. 
Diz que o caminho para uma vida mais feliz passa por uma vida mais saudável. Eu acho difícil perceber como é que se pode ser feliz a comer salada sem temperos, para compensar a quantidade de azeite que a Ana pôs na sopa, mas o mundo está cheio de mistérios, parece. Ainda por cima a sopa também tem batata. Vou ter de arrumar o arroz e comer só o tamboril. Pronto,  já estou cheia de fome.
Enfim, devia estar a escrever sobre outra coisa qualquer.
Por exemplo, as crianças já têm actividades extra-curriculares: natação e judo. Ou seja, já somos desses pais normais que têm de andar com os miúdos de um lado para o outro. O que vale é que aqui é bastante normal ter-se um motorista.
E agora, neste exacto momento, lembrei-me de um post que escrevi no outro dia, isto é, há mais de três anos, sobre a vida que eu quero. Tu queres ver?
Entretanto, vi que os filmes "The Revenent" e "The Danish Girl" estão na salas de cinema e fiquei contente. Não tanto como no supermercado, mas ainda assim contente.

Justiça

13.10.15

Estamos sentados no restaurante sem paredes, como quase todos os restaurantes daqui, os miúdos brincam nas ondas, sente-se uma brisa ligeira, já não sabemos quantas garrafas de vinho vieram para a mesa e a conversa segue animada.
Todos concordam que em Portugal não conseguíamos ter a qualidade de vida que temos aqui, mesmo se as razões que nos trouxeram cá sejam diferentes.
Eu gosto de os ver livres a brincar, gosto dos sorrisos das crianças timorenses, porque nos obrigam a sorrir de volta, gosto de coisas que não são palpáveis e gosto, claro, de ter o poder de compra que me permite a tal qualidade de vida.
Mas ao fim e ao cabo dou por mim numa inquietude aflitiva, como se estivesse a chegar perto de alguma coisa mesmo, mesmo importante, sem no entanto conseguir alcançá-la. Assim como quando temos uma palavra na ponta da língua e não a conseguimos dizer.
Tenho acessos de melancolia preocupantes e deixo-me resvalar numa apatia incompreensível.
Muitas vezes, estou sentada no sofá a ler, ou a descascar uma manga, enquanto a Ana está a passar a roupa a ferro e pergunto-me porque é que as coisas são assim, porque é que uma pessoa pode estar sentada a ler, enquanto outra tem de trabalhar para essa pessoa. Será que ela se pergunta o mesmo? Eu tenho quase a certeza que me perguntaria, se estivesse no lugar dela, mesmo estando feliz por ter um trabalho e algumas regalias que outras pessoas não têm, como não precisar de trabalhar ao sábado. Mas eu não estou no lugar dela e ela talvez venha a estar no meu lugar um dia.
Não fala muito bem português mas está a ensinar o pouco que sabe ao filho, porque quer que ele vá para a escola portuguesa quando tiver três anos.
Quando lhe disse que queria aprender tétum, ela riu-se; "tétum, sinhóra, pára quê?". Quando lhe pedi para nos cozinhar qualquer coisa timorense, arregalou os olhos: "timorense só come árroz, sinhóra!". Quando lhe falei sobre as cantorias que ouço quase todas as noites, abanou com a cabeça desconsolada: "timorense não percebe, sinhóra, não tem educaçau". Eu argumentei que até apreciava esta alegria tão espontânea mas ela replicou que a "alegria é por causa do vinho".
Enfim, tinha de me calhar como empregada a única timorense sarcástica do país. É justo.

Respirar debaixo de água

22.9.15

Apesar da aparente felicidade dos fotografados (bom, menos da Bea, que odeia o uniforme) isto aqui está a ser um episódio do Marco com um a gritar "Mamaaaaaaaaaaaaaaaaaaã, não quero ficar aqui" e o outro a berrar "PAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIII", como se o estivessem a levar para o matadouro. Eu a sair da escola a tentar disfarçar as lágrimas, o Jaime a engolir em seco.
No primeiro intervalo da manhã a Bea liga a dizer que estão os dois no recreio a chorar pelo pai. Eu estava à espera de algum drama quando os deixasse, mas nos intervalos?!?!
Assim que os vamos buscar o Isaac diz que quer voltar para Lisboa. Não serve de nada argumentar que em Lisboa também iria para uma escola nova.
É muito aflitivo vê-los tão nervosos.

A escola é só de manhã, das 8h00 às 13h00, mas parece que nunca mais termina. Eu ia aproveitar as manhãs para passear por Dili, caminhar à beira mar, explorar alguns mercados, mas fico a olhar para o relógio, ou para o meu pé deformado pela picada de um mosquito, ou de outro bicho qualquer. Às vezes adormeço, outras olho para o espelho, à procura de me encontrar, mas não tenho a certeza de reconhecer aquela mulher.

No fim-de-semana fizemos um churrasco na One Dollar Beach e alguém levou o equipamento de snorkeling. Experimentei durante alguns minutos e fiquei fascinada ao ouvir-me respirar debaixo de água. Sim, não havia ali peixes à vista, nem grandes corais, por isso podia virar-me para mim sem sentir que estava a falhar o alvo.
Saí do mar com a sensação de que é isso que preciso de fazer aqui, reaprender a respirar, descobrir quem sou e do que sou capaz. Mas antes (durante?) preciso de ajudar os meus rapazes.

Eu disse: Nem pensem que vamos ter outro cão

15.9.15
E, como podem ver, fui completamente levada a sério. Pelos menos consegui, mais ou menos, que não lhe chamassem Haku, uma vez que usar o nome de um personagem do Miyazaki correu mal da primeira vez. Quase me convenceram que talvez o Haku encontrasse a Chihiro, como no filme, mas achei melhor não arriscar.
Assim sendo, apresento-vos o Douro (para alguns aqui de casa Haku Douro).

De resto os dias têm passado lentamente. Parece que aqui tudo demora mais tempo a acontecer. Deve ser impressão, porque já vou no segundo cão; já conheci pessoas novas, incluindo o embaixador de um país que quero visitar; já tive um belo fim-de-semana em Liquiça; já apanhei um daqueles sustos com o Nicolau a gritar no meio do mar porque um bicho o estava a morder (saiu de lá com uma belíssima alergia, que passou pouco tempo depois); já estou demasiado morena e demasiado mordida pelos mosquitos; já temos os uniformes da escola que começa na sexta-feira e já terminei dois livros.

Deve ser impressão, dizia, até porque o tempo é uma coisa muito relativa como se sabe, e como se tem vindo a confirmar em estudos cada vez mais exaustivos, mas o facto de não ter sempre internet disponível é capaz de justificar muita dessa sensação.

O que não deixa de ser curioso é que a coisa que acontece mais depressa neste país é o nascer e o pôr-do-sol. O dia começa e acaba com uma rapidez estonteante e é muito desconcertante este desfasamento entre a lentidão que acontece no meio.

Estamos bem

1.9.15



Estava a aterrar em Timor-Leste, depois de uma escala em Singapura desafiante (juntem jetlag + crianças pequenas com jetlag + quarto alugado no airbnb, numa casa com mais dois quartos alugados com várias camas +  apanhar um taxi, onde o taxista quase não conta, já que tudo é controlado por um "sistema"), e pensei que devia sentir alguma coisa especial ao avistar a ilha dali de cima. Pensei que era gaja para me emocionar, mas depois olhei para o Isaac, o mais entusiasta nestas coisas das descolagens e aterragens dos aviões, e vi que tinha adormecido a 30 segundos de aterrar em Timor. Era esse o sentimento certo - um certo sossego. Emocionei-me na mesma, nunca vou ser capaz de controlar sentimentos.

Depois cheguei à minha casa timorense, vi as papaias, as frangipanis, os detalhes curiosos (chamemos-lhes assim) espalhados pela casa, os timorenses que vivem à nossa volta, com as suas bancas de legumes e as campas dos mortos enterrados ao lado. Ouvi o toké que vive no jardim e os galos dos vizinhos e lembrei-me da Helena. Não deve faltar muito para o bicho que canta tão bem começar a irritar-me (conseguiram-no fotografar e aquilo é um sardão medonho), para deixar de me rir quando a água acaba e tenho de sair do banho para ligar o motor que puxa a água do poço, para abrir guerra contra a Natureza que insiste em entrar pela casa dentro, para me chatear com este mar de gente que vive à nossa volta e que acorda quando o dia nasce.

Mas, para já, estou só a stressar com a novidade de ter uma empregada em casa todos os dias. Além do lixo é o meu maior stress. Podem odiar-me à vontade.

Tempo inútil

2.6.15
Andei a mexer nas definições do blog e por isso os últimos comentários não estão visíveis. Perdi que tempos a tentar resolver e nada, portanto parti para a violência e apaguei a minha conta do google+, assim tipo a chamar-lhe nomes e tudo.
Vou mas é fazer alguma coisa que se veja. Vou fazer sopa e coser remendos nuns quantos pares de calças.

P.S Isto acabará por ficar bem, eventualmente. 

Telefonema de longa distância

1.6.15
- E o que vais fazer hoje?
- Bifes de peru grelhados.
- (risos) Tenho saudades tuas.
- Não tenhas, estou insuportável.

A brincar às casinhas

20.4.15
Agora falta arrumar as roupas de Inverno mas isto é sempre um risco, uma pessoa sabe lá se de hoje para amanhã não começa a nevar.

Não percebo

5.3.15
Depois de avisar que ia jantar fora com uma amiga ouço-o dizer em tom de euforia:
- Bea, vamos poder comer comida processada, no Sábado! E depois correram um para o outro e abraçaram-se emocionados.
Juro que não percebo, esta semana até fritei bolinhos de bacalhau e tudo, daqueles comprados congelados. 

Improviso

27.2.15
De manhã vieram os dois deitar-se na minha cama.
- Hoje há escolinha, perguntou o Isaac
- Sim mas se quiserem podem ficar em casa, querem?
- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiim

De maneiras que agora vou ali preparar um piquenique.

Um dia de domingo.

23.2.15
A revista do Público fez um especial sobre alimentação. É o tipo de trabalho jornalístico que me encanta (ler com pronúncia galega, porque sim). Li todos os textos de enfiada e no fim não me apeteceu seguir nenhuma das dietas em particular, apeteceu-me seguir todas. Gostei muito de ler sobre o glúten, sobre a lactose e a lactase, os crudívoros e os "paleos" mas depois tive de levar com um recado do Universo, essa entidade irónica, que escolheu precisamente o domingo para me dizer que em vez de estar preocupada com o que ingerimos devia era preocupar-me com o que resta, depois da digestão. Isso mesmo, estamos a falar de merda.
Mas porquê? porquê? perguntam vocês. Porque, caras pessoas, uma das sanitas cá de casa entupiu e de cada vez que alguém puxava o autoclismo na outra sanita, a água e outras substâncias que não precisam de descrições iam ter ao poliban (que raio de palavra) do WC, cuja sanita está entupida.
Sim, foi um domingo divertido

Dentro de nós

12.12.14
Uma senhora muito simpática meteu-se com o Nicolau no supermercado por causa da chupeta que ele estava a usar. Depois, virou-se para mim e contou-me que uma vez um cão arrancou a chupeta da boca da filha, quando ela tinha três anos. "Já viu?", riu-se e acrescentou que "felizmente o cão não a magoou. Era uma daquelas chupetas de borracha, deve ter achado que era um brinquedo".
Continuou a falar sem parar, sobre técnicas para os miúdos deixarem as chupetas, sobre as quatro filhas e a pena que tem por ter só um neto.
Foi só quando ela disse que a filha mais velha tem 50 anos que parei o que estava a fazer para olhar para ela. Sim, a senhora muito simpática não aparentava a idade que tinha (79 anos) mas o que me impressionou foi ter percebido que eu ainda não tinha nascido quando a filha dela teve o tal incidente com o cão e, no entanto, ali estava ela a falar daquilo como se tivesse acontecido ontem.
Deve haver um sítio, dentro de nós, onde se guardam os filhos pequenos para sempre.

Não sabia que ia ser fim-de-semana prolongado

8.12.14


Árvore de Natal - check.
Boyhood - check (é único mesmo, uma pena não desfrutar em pleno por estar cheia de calor e de gases).
Sapatos para tocar órgão - falta check (quase sinto falta do tempo em que o material escolar eram cartolinas e guaches).

Declaração

7.12.14
As olheiras, a camisola do avesso para esconder o borboto, os sapatos gastos, as respostas tortas, os silêncios, as camisas por passar a ferro, a hostilidade latente, a apatia, a evidência do cansaço, a relativamente evidente falta de sexo, as óbvias horas massacrantes no escritório, o quase desespero diário, a falta de paciência para algumas coisas dos miúdos (sim, só algumas), a idade a notar-se, ligeiramente, no abdómen e, talvez, nos cabelos brancos, os cada vez mais raros "fazes-me falta", os gestos impulsivos praticamente mortos e enterrados, as baterias já quase gastas de tanto uso.
Ser pai é tão fodido como ser mãe, não sei já o tinha dito alguma vez. Mesmo para um pai que acha a paternidade a coisa mais espectacular do mundo.
Eu sei que não parece mas isto é uma espécie de declaração de amor. Tu sabes.

A canção do cometa

14.11.14
Saio do Centro de Saúde sem conseguir ser atendida mais uma vez e, já na rua, ouço parte de uma conversa:
"Ele tem de se focar num objectivo, assim não pode ser, não pode estar a fazer informática hoje e amanhã meias".
Sorrio.
Entro no eléctrico e olho para o meu caderno. Numa página respostas de uma entrevista, na outra desenhos de patchwork para mantas e a seguir listas de compras e menus.
Sinceramente, não sei é como se pode viver de outra forma que não esta, sobretudo num mundo em que já se ouve um cometa a cantar.

Alguns apontamentos a meio da segunda semana

13.8.14
Sou a única pessoa nesta família a ser indecentemente atacada pelas melgas, com ou sem repelente. E sou a única com caganeira;
Um teki caiu morto, à entrada de casa, e foi devorado pelas formigas em pouco mais de uma hora;
As praias paradisíacas também enfartam;
Apesar das criadas a cozinhar, limpar e lavar a roupa, os meus filhos dão-me cabo do sistema nervoso na mesma.

Não é muito meu costume

21.7.14
mas neste momento parece-me mais fácil traduzir os últimos dias com imagens, não só porque os últimos dias têm sido um bocado surreais, mas também porque às vezes é mesmo difícil explicar certas coisas, mesmo para quem tem uma escrita mais sensorial do que cerebral (digo eu, que não sei se isto será exactamente assim, mas saiu-me).

Tudo o que temos,ou melhor, as nossas coisas, que felizmente estão muito longe de ser a única coisa que temos, couberam num camião pequeno e foram para um armazém.
Apesar de haver um baptizado para organizar e de a minha avó ter metido na cabeça que vai morrer quando eu estiver em Timor, não têm faltado momentos de pura diversão, ternura e amizade por estes dias.
Nem tão pouco de horror, que também é uma coisa que faz parte da vida. Não sei de que morreu esta vaca, mas é capaz de ter sido a parir, como a da semana passada, pelos vistos.

Os gatos

27.3.14
Maya, 14 anos

Viriato, 10 anos

A ver uma merda qualquer na televisão, depois do Daily Show, e depois de mais um dia em que subornei o mais novo com gomas, logo a seguir a uma entrevista que fui fazer ao ISCTE para uma reportagem (é melhor nem quererem saber) e antes do vestido da rainha branca do Alice no País das Maravilhas que estou a fazer para a escola da Beatriz, tive uma espécie de epifania à medida que ia empurrando os gatos, que insistem em deitar-se no meu colo, com o focinho encostado à minha cara.
Naquele exacto momento percebi porque gosto destes gatos, apesar de vomitarem a casa, de estragarem móveis e sofás, de insistirem em passar por cima do teclado do computador quando estou a trabalhar, de quererem sentar-se no meu colo quando estou a jantar. Gosto deles, porque sim, claro, mas eles são importantes para mim, porque têm sido a variável imutável (ou a menos mutável, vá) da minha vida.

Diálogo demonstrativo do estado a que chegamos

28.2.14
- Separaste o lençol que o Isaac tem de levar para a escola por causa do Carnaval?
- Não, mas há lençóis na gaveta.
- Tens a certeza que não têm bolor?

Este pequeno diálogo é bastante demonstrativo do estado a que chegamos.
Eu trabalho em casa, uma casa habitada por três crianças, dois adultos à nora, e dois gatos. Perco o mínimo de tempo possível nas tarefas domésticas, portanto a casa é quase uma espelunca, não só por lhe dedicarmos pouco tempo, mas também porque tem problemas de infiltração de água. Passo, por isso, os meus dias num sítio que não me agrada minimamente e para a semana tenho gente aqui em casa a escavacar paredes, ou seja isto tende a piorar.
O que vale é que a Primavera vem a caminho.