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O vestido amarelo

7.8.17



Numa tarde fizemos um vestido amarelo (nota para mim própria: nunca mais costurar alguma coisa a partir de tutoriais de youtubers). Foi uma tarde com muitas tardes, e vestidos, dentro. Por exemplo, as tardes dos vestidos da Inês de Castro e da Jasmin quando ela estava no infantário. Aquela outra do vestido da Alice no País das Maravilhas, quando estava na primária, igual ao que vestia numa tarde em Paris, quando viajámos sozinhas. Ou a tarde que se prolongou pela noite dentro por causa do vestido do século XVIII, para a apresentação de um trabalho na aula de português do 8.º ano.
Pensei que nunca mais voltaria a ter dessas tardes até ao vestido amarelo.
O vestido amarelo, além de ser um vestido que eu pensei que nunca viria a existir, vai ser sempre especial, apesar de todos os defeitos, porque foi o primeiro que fizemos juntas, com ela a costurar comigo.
E foi o único que teve o privilégio de ser fotografado na Pousada de Baucau o que, convenhamos, o favorece grandemente.

Todas as histórias têm o final que quisermos

3.7.15
Era uma vez uma rapariga que decidiu fazer o seu próprio fato de banho, porque ia viver para um país tropical e não tinha nenhum. Então, foi a uma loja que vende retalhos de tecidos muito baratos e comprou um que lhe pareceu muito bonito, apesar de pouco adequado para o uso que lhe queria dar. Pagou o 1,95€ e trouxe-o para casa.
Depois de encontrar o modelo certo no Kitschy Coo, lá começou a converter inches em centímetros e a desenhar os moldes. A certa altura pareceu-lhe evidente que aquele seria um projecto falhado, mas mesmo assim continuou.
Depois de alinhavar e experimentar o fato de banho, ainda sem a parte das mamas, confirmou que não conseguiria fazer daquele belo tecido o fato de banho que imaginara. A rapariga ficou um bocadinho triste e sentiu-se de repente cheia de fome. Decidiu comer uma banana e viveu feliz para sempre.
Vitória, vitória acabou-se a história.

Presentes

17.12.14




Eu sou das que gostam de oferecer presentes que gostaria de receber. Quando a pessoa que os recebe gosta tanto como eu, então, há assim uma espécie de chuva de estrelas.
O melhor destes presentes é serem artesanais (feitos por mim e pela Patrícia) e comprados no comércio tradicional (o frasco e o sabonete).

Santa is coming to town*

5.12.14

















Parece que está aí o Natal.

(*em inglês fica tudo mais fashion coiso)

Domingo de manhã

23.11.14


Uma pessoa sabe que, se calhar, podia dar melhor uso ao tempo quando usa um domingo de manhã para fazer um estojo de pano para o filho oferecer a um amigo que faz anos e este lhe pergunta o que é o presente, porque acha que o estojo é o "embrulho".

O lado bom

15.4.14
A parte fixe do negócio é fazer coisas giras, como esta mesinha de cabeceira.

Alguns mandamentos da meia idade #1

16.1.14
Aos 40 anos aprenderás a terminar aquilo que começaste.

A manta que achava que tinha começado no ano passado e afinal anda aqui desde 2012

Um princípio

2.10.13


Mudar o sofá não é mudar tudo, mas é um princípio (depois descubro qual o meio e o fim). Resistirá a três crianças e dois gatos? Podem fazer as vossas apostas.

Workshopaholic

25.8.13
No último workshop que fiz, com a maravilhosa Rita Cordeiro, alguém me perguntava se era o primeiro que fazia. Eu disse que não, que ali na Retrosaria já tinha feito quatro.
Já em casa, e depois de tentar fazer uma flor em crochet (enfim, sou uma crente), pus-me a fazer umas contas de cabeça, enquanto vasculhava gavetas, e cheguei à conclusão que nos últimos cinco anos fiz oito (OITO ?!) workshops:

1- Revisão e Preparação do Original, na Booktailors;
2- Escrita Criativa, na Companhia do Eu;
3- Patchwork e Quilting (em dois workshops), na Retrosaria
4- Costura, na Retrosaria;
5- Tricot 2, na Retrosaria;
6- Iniciação ao crochet, na Retrosaria.
(Entre o 5 e o 6, ainda houve um de Literatura Portuguesa, na Pó dos Livros, mas não encontrei as fotocópias).

Está visto, sou a freak dos workshops.

Fusão

17.5.13
Há uns tempos li qualquer coisa sobre os projectos de vida das pessoas precisarem de um longo caminho para amadurecerem, ou encontrarem a melhor forma de se exprimir. E parece-me que começo a saber exactamente o que isso quer dizer.
Quando recomecei a costurar, ou seja, quando me mudei para Lisboa, sentia que podia fazer alguma coisa "importante" com a máquina de costura e as agulhas de tricot, mas não sabia exactamente o quê. Por isso, fui aprender a fazer quilts, a tricotar meias, a costurar coisas que nunca tinha costurado antes. Viver a pouca distância da Retrosaria foi determinante nas minhas escolhas e no meu percurso, mas foram precisos quatro anos para que as minhas experiências se cruzassem com as do Jaime para nascer aquele que esperamos que venha a tornar-se o nosso projecto de vida.
Parece que tivemos uma ideia luminosa e pusemos mão à obra, não parece? Mas não, a Oporto Lobers andava nas nossas cabeças há anos, nós é que ainda não sabíamos disso.

Bolsas

23.2.13
Ando em experiências, a ver se saem umas bolsas giras para o Oporto Lobers. Eu sei que andamos a prometer novidades e que elas nunca mais chegam, mas há partos mais complicados do que outros.

Afinal até vou fazendo umas coisas

29.11.12


Uma meia já está. Um saco cabaz para oferecer no Natal também. E ainda uma fornada de biscoitos queimada. Não sei quantos mais terei de fazer até acertar na consistência da massa e na temperatura do forno, mas vou continuar a insistir. Ando é com pouca vontade de tricotar e costurar, mas não me parece que se note muito.

À deriva

21.11.12
Terminar os quilts que comecei este ano será um dos pontos listados, na tal lista que ainda não fiz. Este é o de Verão e já tem a parte de cima terminada. No processo espero descobrir que papel quero que este "passatempo" tenha na minha vida (é por isso que as listas não funcionam comigo. É óbvio que só daqui a 15 anos, eventualmente, poderei riscar o descobrir para que serve a costura), porque andar à deriva, aceitar o que os dias nos trazem, é para almas superiores, está visto, e não para alminhas como a minha. 

Sapateiras e a tentativa de um tutorial

12.11.12
A minha mais recente obsessão são as sapateiras, as de guardar sapatos, não os caranguejos, que a consulta de Imunoalergologia, no Hospital de Dona Estefânia, é só no fim do mês e eu não estou para ficar outra vez cheia de coceira e inchada que nem um balão.
Bom, obsessão é talvez um exagero, mas ando com elas na cabeça há algum tempo, porque ocorreu-me que podia usar uma para fazer um jardim vertical. Fui procurar e aqui está um DIY da coisa.
Depois, às voltas com a melhor solução para guardar os sapatos dos pequenos, concluí que só podia ser uma dessas sapateiras de pendurar e aí decidi que podia ser eu a fazê-la. Nada de novo. Novo é o que vos apresento a seguir: um tutorial para fazerem as vossas próprias sapateiras (ou uma tentativa de tutorial, vá). Sigam-me lá, então, nestes oito passos.

1.Material necessário


tesoura
alfinetes (os melhores amigos das costureiras, acreditem!)
fita métrica
linhas
cordão, ou outro material do vosso agrado
tecido com 240 x 5 cm (ou fita de viés)
1 pau com 55cm (este era um que segurava uma orquídea que já faleceu)
2 camarões (o marisco persegue-me)
3 tecidos diferentes com 95 x 30 cm (optem por bons tecidos, o que não foi o meu caso)
1 tecido resistente com 50 x 95 cm (usei ganga)
máquina de costura (não está na foto, mas é absolutamente essencial)
ferro de engomar (muito útil)

2. Coser bainhas 

Então, depois de todo o material reunido, há que sentar em frente à máquina e fazer uma bainha num dos lados de 95 cm, de cada um dos três tecidos. Para quem só teve uma ou duas aulas de costura é melhor usar os alfinetes. Eu não tenho muita paciência e já fiz demasiadas bainhas para precisar de os usar, mas posso afiançar que os alfinetes são mesmo os melhores amigos das costureiras. Evitam tantos cabelos em pé, que nem imaginam! Para fazer a bainha, façam de conta que estão a dobrar um papel: uma dobra de um centímetro, isso, e agora mais outra dobra de um centímetro (mais coisa menos coisa)

3. Dobrar bainhas 

E aqui está o nosso amigo ferro. É muito útil para um bom acabamento das coisas, ainda assim eu tendo a usá-lo com comedimento devido a ser um objecto pelo qual sinto algum desprezo. Neste caso é importante. Peguem nos tecidos com a bainha pronta (podem aproveitar para dar uma passadela nas bainhas para ficarem mais bonitas) e do outro lado façam uma dobra de um, ou dois centímetros e vinquem com o ferro. O tecido que ficar em baixo não precisa desta dobra. Ou seja, este processo é só para dois tecidos.

4 . Preparar os bolsos para os sapatos

Agora é altura de fazer as pregas e começar a ver a sapateira a formar-se. Para isso, deixar cerca de 4 cm de lado, fazer uma dobra e colocar o alfinete (lá está, são mesmo os nossos melhores amigos). 14 cm à frente fazer outra dobra para o lado contrário. Repetir o processo mais duas vezes. É possível que no fim sobre, ou falte tecido. Nesse caso revejam as dobras e o tamanho dos bolsos, mas não é preciso stressar se mesmo assim não ficarem certinhos, certinhos, ok? É para isso que há tesouras.

5. Coser os bolsos

Cá está, quase pronta e a precisar de ser acertada. Depois desse processo é preciso coser os bolsos, primeiro em baixo e depois entre as pregas. Ou seja, fazem uma costura a toda a largura e quatro em altura. 


6. Debruar


Para algumas pessoas esta pode ser a parte mais complicada, a mim, pelo menos, nem sempre corre como eu gostaria. Primeiro é necessário dobrar a fita ao meio (usar o ferro para vincar o tecido pode ser uma boa opção) e depois começar a cosê-la a todo a volta, no lado direito do trabalho. A parte de cima da sapateira fica de fora. Há técnicas para fazer as curvas, mas sinceramente nunca as percebi muito bem. O que eu faço é coser até ao fim, depois levantar o calcador e dobrar a fita, primeiro para trás (não fotografei este passo) e depois para a frente (como está ali debaixo dos meus dedos com as unhas roídas) e continuar a coser. 
A seguir vira-se o trabalho e cose-se novamente por cima da fita. O truque para ficar direitinha é tentar coser próximo da costura anterior (a que uniu a fita à sapateira).

7. Bainha de cima



Por fim, faz-se a bainha de cima com a largura suficiente para caber o pau. Nas pontas é preciso cuidado para não partir as agulhas. O melhor é deixar o pedal e rodar manualmente para rematar.

8. Pendurar na parede

Depois de colocar os camarões só falta pendurar a sapateira, colocar os cordões nas pontas e enchê-la com o que se entender: sapatos, bonecos, fraldas. 

Dia 11

11.10.12
O Isaac está doente. O Isaac doente fica transtornado. Quase que ia ao hospital por achar que ele estava com uma apendicite aguda.
Depois da exposição recebi o telefonema da escola. Fui buscá-lo. Queria trazer os dois, mas o Nicolau dormia profundamente. Avisei que iria mais tarde do que o costume, porque teria de esperar pela Bea para ficar com o Isaac. A Bea ficou na conversa com os amigos e atrasou-se, claro, logo hoje. Nem consegui ficar preocupada, porque estava demasiado furiosa (além de ter deixado o telemóvel à mão de semear para ser roubado, ainda se esquece do que combinamos para estas duas semanas). Fui buscar o Nicolau com o Isaac. Ele lá estava, às 17h30, feliz da vida. Eu a arfar, praticamente a ter um ataque cardíaco, a não dizer coisa com coisa a todas as funcionárias da escola, e o bebé completamente relaxado, contente por nos ver. Ele é de facto raro, como dizes. Vim para casa, com o Nicolau ao colo, a empurrar o carinho com o Isaac. Acredita, eu mereço mesmo um lugar no céu (ou seja, ir ter com uma amiga a Paris, ou a Berlim).
Para o jantar fiz panados sem arroz de tomate, cozi a tal massa que chegou hoje (é boa sim senhora, Xana), e a casa ainda cheira a fritos. Houve um tempo em que esta casa tinha velas aromáticas, lembras-te? Pois, agora é levar com os fedores, pronto.
A Bea telefonou à amiga a dizer que não ia à festa, depois de me ver tão zangada. Suponho que também não deveria estar com muita vontade de ir.
Vi o "Foi Assim que Aconteceu", já não via televisão há uns dias.
Não sei como te dizer isto, mas abri A garrafa de vinho. Estava necessitada. Eu sei que compreendes.

P.S Ainda fiz esta almofada à pressa para a Bea oferecer à amiga, fã do Michael Jackson, que faz anos.

O xaile

30.8.12

Acho que pela primeira vez uma coisa feita por mim ficou, praticamente, como a tinha imaginado. A receita encontrei-a no ravelry e a lã é esta.
(Eu sou mesmo um espectáculo)

Pois posso (não podemos todos?)

18.7.12
E depois pensei: vou mas é fazer um vestido e fui. Agora é só desfazê-lo e voltar a fazer com as medidas certas, que é o mesmo que dizer ao menos estou aqui. Mais farta ou menos farta, estou aqui e posso fazer o que me der na real gana.

O mundo sensível*

12.7.12
Há novidades na "loja". Se calhar devia abrir uma loja sem aspas. E aprender a tirar fotografias. As mantas e almofadas fora do sítio até não é mal pensado, mas as ideias precisam sempre de uma base técnica para se concretizarem. Um chatice. Só me lembro de uma coisa, duas, vá, que sabe melhor a concretizar do que idealizar: cozinhar. A outra é óbvia. E daí...

*ou de como ando a precisar de voltar a Platão, e não, não leio filosofia, nem nunca mais li nada sobre, ou de Platão (A Caverna, do Saramago, não conta) desde os tempos do liceu, mas fica sempre muito bem a uma doméstica parecer intelectual.

Julho

3.7.12
O quilt do Verão avança, mais rápido que o da Primavera, mas é capaz de ficar parado mais algum tempo (apesar de ter uma menina à espera dele), porque cheguei àquela fase em que fico deprimida com o resultado.

Julho é uma enorme sala de espera.

E eu brinco com legos e puzzles como se estivesse embrulhada em película aderente. Eles são maravilhosos, os meus filhos, mas eu preciso mesmo de sair daqui.