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Lixo

9.7.15
Ando um bocado preocupada com o facto de ir viver para um país que não tem como tratar o lixo. Mas depois de confirmar que nos últimos 10 meses consumimos três garrafas de óleo, parece-me que estou preparada para o desafio de produzir ainda menos resíduos.
O problema vai ser o que fazer com as garrafas de vinho.

Magnórios

10.4.15


No dia do aniversário do Jaime fomos ao cinema ver O País das Maravilhas e, hoje, quando fui à janela e vi as duas nespereiras lá em baixo, no jardim da casa vazia, achei que as duas coisas estavam relacionadas.

Factos

6.7.14
Acabei de saber, num documentário que está a passar na RTP2 (e nem sequer vou fazer piadas com o facto de estar a ver um documentário na televisão, às 22h30 de um sábado à noite, pelo que agradeço que façam o mesmo. Espera, hoje é domingo, por isso nem é assim tão grave, ou não seria se eu não achasse que era sábado, mas como estou completamente baralhada já nem sei o que é melhor, pelo que peço encarecidamente, sobretudo às pessoas que um dia me vão oferecer entradas para o jardim zoológico, que esqueçam este parênteses), que há 400 milhões de anos a Terra girava mais depressa. Ou seja, segundo os corais, um ano durava 461 dias, em vez dos actuais 365 dias.
Isto é capaz de ter tanto interesse, para o comum dos mortais, como o facto de me doerem as mamas. Mas não deixa de ser um facto.

1.º milagre

7.5.14

Arranquei um bocado de uma árvore muito bonita, que vi em Montemor-o-Novo, e trouxe-a para casa na esperança de conseguir que pegasse. Pegou. É o primeiro de três milagres que espero obter.

Terapia

2.8.13
Nas últimas semanas tenho experimentado todo o tipo de terapias (chamemos-lhes assim). Comecei com costelinhas acompanhadas de arroz de grelos e arroz pica no chão, mais vinho tinto, com estas duas miúdas. Mentira, começou antes disso, com um passeio pelo Porto, nós as três, mais esta boa gente, ou até mesmo antes, no Guedes.
Seguiu-se um belo arroz de peixe, acompanhado de melhor conversa e vinho branco, até às tantas da manhã e mesmo assim a saber a pouco.
E logo depois de tanto conforto, o confronto: acampar com quase toda a família (oito adultos, dois adolescentes e quatro crianças), com muito churrasco, vinho tinto e super bock. Passei sem distinção.
Quase refeita do confronto, novo conforto: amigos de longa data, gin tónicos, mojitos, e outras terapias espirituosas, seguidas de filetes de sardinha panados com arroz de tomate e, claro, vinho tinto.
Mesmo assim, depois disto tudo, os resultados tardavam a verificar-se. Até hoje, depois de três horas a lutar com a relva do Brasil, que a minha avó insistiu plantar no meu quintal da casa do Porto, há uns dez anos, e com outras plantas infestantes (talvez ainda vá a tempo de fazer um registo fotográfico, mas não prometo nada).
Ouvi várias vozes sobre a impossibilidade de arrancar aquilo, que era preciso máquinas, ou no mínimo foucinhas, mas eu decidi que ia tratar de desbastar aquele quintal e que ia fazê-lo sozinha. E se eu decidi, meus amigos, é melhor saírem da frente.
Resultado: Calita 2. Natureza 1. Na verdade, olhando para o quintal, não é óbvio (ainda) que eu tenha saído vitoriosa, mas avaliando o meu estado de espírito, depois do desbaste e da picanha e do vinho tinto, acho que sim, ganhei. Com distinção.

O mundo está mesmo a mudar

20.6.13

Sei que, sendo a mesma pessoa de sempre, estou diferente quando a notícia do dia (de ontem) que me faz um comprar um jornal é a fractura tectónica em formação perto da costa portuguesa.
Eu não sei se sabem, mas daqui a 220 milhões de anos não vai existir oceano Atlântico.

Encadeamento de ideias

10.11.12
Li uma breve no jornal que dava conta da venda de uma pintura da célebre série Nenúfares de Claude Monet -----> No livro que acabei de ler há um capítulo inteiramente dedicado a esta obra, em que fiquei a saber que a intenção do artista não era pintar nenúfares, mas o olhar que as observa e que Monet quis que as Nymphéas ficassem dispostas - de acordo com uma sequência precisa - em oito paredes curvas -----> Nesse mesmo livro fiquei também a saber que qualquer rio, não importa onde fique nem qual seja o seu comprimento, antes de chegar ao mar, faz exactamente um caminho três vezes vírgula catorze mais comprido do que faria se fosse a direito ----->Não há nada tão tremendo como a Natureza -----> As grutas de Santo António são um bom exemplo disso mesmo -----> e a coreografia das folhas a cair das árvores, depois de uma rajada de vento, aquela rajada necessária para aquele conjunto de folhas, também.

PS1- O livro é este
PS2- Aceito sugestões de sinónimos perfeitos de rajada

Cadeiras

19.6.12

casa 1
casa 2
casa 3

Para a primeira casa forrámos sofás, comprámos molduras (para encher uma parede de fotografias), uma bungavília, móveis na IKEA, claro, e um sofá mais uma consola, na Area.
Na segunda pintámos e colamos papel nas paredes, fizemos muitos furos, limpámos canteiros e comprámos candeeiros.
Na terceira, a que estamos, fomos comprar cadeiras à REMAR e quase conseguimos trazer uma cristaleira da rua, mas alguém agarrou nela primeiro. Sempre achei que fazia mais sentido decorar uma casa assim, dando novo uso a coisas velhas, porque além de poder resultar muito bem é ecológico (ai, as  fraldas na gaveta...só as uso quando acabam as outras, sou tão feia!) 
Acontece que eu nunca fui daquelas pessoas que encontram coisas espectaculares nas feiras de velharias, nos ciganos, ou caixotes do lixo. A mim calham-me sempre os monos e os móveis com  caruncho. Por isso, as cadeiras vão para o lixo e tenho de comprar outras. E esse pormenor absolutamente prosaico, o de precisar de cadeiras, podia não ter importância nenhuma não fosse o facto de eu apreciar verdadeiramente cadeiras, de as achar a peça de mobiliário mais interessante. Deve ser das poucas coisas em que estamos os dois de acordo (o Jaime é um gajo do desaine, ele vê sempre utilidade em coisas que me ultrapassam), mas encontrar cadeiras que gostemos e não custem os olhos da cara tem sido difícil. 

No reino do desenrascanço* a coroa é minha

19.1.12
Não há café. Solução: reutilizar as pastilhas usadas e encontrar no meio uma ainda por abrir.
Não há pensos higiénicos. Solução: usar os absorventes das fraldas (voltarei a este assunto, às fraldas reutilizáveis, dentro de breves momentos. Também poderei voltar aos pensos higiénicos se quiserem mas isso é uma conversa nojenta e com palavras medonhas como menstruação).

*Não fazia ideia que esta palavra era tão conceituada!

Ditos populares (ou outras teorias que não têm servidouro nenhum)

19.10.11
A compostagem fede, mas os vasos estão-se a compor. Diz que é mesmo assim: para se chegar a algum sítio é preciso levar com o cheiro. Se não é isso é alguma coisa parecida.

É nestas alturas que compreendo o conceito de família numerosa

28.5.11
As compras são feitas on-line para poupar na gasolina e não trazer coisas a mais, a carteira e o ambiente agradecem. Agora só preciso de convencer a Sonae a trazer-nos as coisas em caixotes em vez de sacos de plástico.

P.S Os perecíveis são comprados no comércio tradicional -mercado e afins-, porque aqui em casa levamos a sério as sugestões de Michael Pollan.

Os bichos da fruta saltam?*

20.5.11
É verdade que depois de os dois pequenos estarem a dormir (e para isso foi preciso correr aproximadamente a meia maratona entre a cama de um e o berço do outro, sem conseguir, ainda assim bater o record da Lornah Kiplagat), fui capaz de fazer uma kiche de requeijão e espinafres; pôr a lavar e estender roupa; esfregar os bicos do fogão (não sei o que me deu, juro); responder a e-mails e começar a tricotar umas meias iguais a estas (só porque sim). Depois, já com o mais pequeno acordado e enquanto lhe dava de mamar, avancei umas páginas do livro. Mas também é verdade que, quando estava a lanchar na cozinha, vi um bicho da fruta saltar da lancheira verde da Beatriz para a mesa e da mesa para o meu pão! Portanto, é possível que alguma coisa de errado se passe comigo.

*Acabei de saber, pelo google, que os bichos da fruta são larvas de mosca, portanto é possível que os gajos saibam saltar antes de voar, certo?

Eu logo vi

5.12.10
Então, ao que parece, quem nos criou foi um vírus. Pois, isso mesmo. Agora podem fechar a boca que eu passo a explicar: Pelos vistos uma equipa de veterinários verificou que ao administrar um retrovírus numas ovelhas prenhas, infectadas com um determinado vírus (não sei qual, porque apanhei o documentário a meio), a placenta deixava de produzir as moléculas que permitem ao saco embrionário manter-se preso ao útero, o que os levou a concluir, depois de algumas experiências, que os vírus são necessários para o sucesso da gravidez. Ora, sabendo que a placenta é a grande responsável pela formação do cérebro humano (eu não sabia, pensava que aquela viscosidade servia apenas para alimentar o feto, ponto final), alguns cientistas chegaram à conclusão que certos atributos exclusivamente humanos, como a linguagem por exemplo, são-nos fornecidos pelos vírus. LuisVillarreal, um desses cientistas, vai mais longe ao afirmar que sentimentos complexos, como o amor, existem graças a esses seres. Mais, o biólogo está convencido que os vírus não terminaram a tarefa e acredita que surgirão novos seres humanos.
Provavelmente toda a gente já sabia disto mas eu, que só soube agora, estou pasmada. Mesmo tendo ouvido a teoria de que nós somos um vírus da boca do Agent Smith.

O jardim

22.10.10
No lado esquerdo ficarão as aromáticas; em frente talvez deixe ficar os cactos e planto a buganvília mais umas quantas flores; No lado direito ficará a horta e no lado de cá teremos o grelhador num canto e o compostor no outro.
É uma pena estar ali no meio uma palmeira em vez de uma árvore de frutos, mas enfim ainda deve dar para um limoeiro, ou abacateiro.

Entretanto

13.9.10

Vou experimentar fazer uma sopa com as beldroegas que cresceram no vaso da salsa.
Não identifiquei a planta, quando a vi, mas percebi que só podia ser uma infestante. Imediatamente lembrei-me de um trabalho que fiz para a revista Forum Ambiente com o botânico João Gonçalves da Costa, antigo colector do Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio, e que me marcou profundamente.
Além do conhecimento que transbordava de tudo o que dizia, ele falava das plantas como se fossem pessoas que conhecia daqui e dali. Mas o que me espantou verdadeiramente foi ele referir-se a duendes, a propósito de na Escócia as casas terem heras para os esconder, como se fossem criaturas reais. Primeiro fiquei surpreendida, depois à medida que o fui ouvindo pareceu-me perfeitamente natural que existissem seres que tentam proteger a Natureza.
E lembrei-me dele ao ver as beldroegas (Portulaca oleracea), porque notava-se que tinha uma certa simpatia pelas infestantes. Dizia ele que as austrálias (Acácia melanoxylon) e os eucaliptos (Eucalyptus globulos e E. obtusa), por exemplo, são árvores que continuam a lutar pela sobrevivência, depois de verem o continente que as acolhia partir-se: o velho continente lemuriano que se transformou na várias ilhas que hoje constituem o continente australiano, a Nova Zelândia e a Tasmânia.
Resumindo, além de uma bela sopa, as beldroegas serviram para me lembrar a magia do jornalismo.

Merda

22.7.10
Isto de acharmos que somos parte de um todo e que por isso temos de contribuir com o que pudermos para um mundo melhor e que só faz sentido viver em harmonia com a natureza, e tal, é muito bonito até vermos o nosso filho com a sua própria merda na mão, que sorrateiramente retirou da fralda pousada no chão antes de ser lavada.

Quem pensa no que come?

30.6.10

A realidade americana é diferente da nossa. Mas nós sabemos, ou queremos saber, de onde vem a comida que enfardamos todos os dias? O filme é de Ana Sofia Joanes.

Porcos

15.6.10
Foi mais umas daquelas vezes em que me aconteceu olhar em volta e ver animais, muitos animais. No Pingo Doce, às 10h da manhã, as pessoas acotovelavam-se para chegar primeiro à carne, ao peixe, aos legumes, como se houvesse falta de alimentos no país. Sabemos que há falta de dinheiro mas, caralho, o que não falta é carninha da Irlanda e verduras de Espanha nas prateleiras!
O que é curioso é que quando nos vemos assim, como animais, vemos porcos. Porque será? Já o Miyazaki transformou os pais da Chihiro em porcos e Marie Darrieussecq transformou a protagonista de Estranhos Perfumes numa porca. São os dois exemplos de que me lembro mas deve haver mais.
E depois fico a sentir-me uma filha-da-puta de merda que come vacas bebés abatidos na Irlanda entre os 8 e os 12 meses. E, ainda que não seja eu a comê-la mas o meu bebé da mesma idade que o vitelo, fico furiosa porque devia procurar alternativas, que as há, e fazer alguma coisa para mudar o mundo e tal.
Não trouxe a vitela, trouxe o novilho, porque não sei com que idade é abatido e a ignorância dá-nos muito jeito!

Ambientalices

1.6.10
(saco do pão feito com resto de uma toalha de mesa que foi preciso cortar)


Já se sabe que sou uma rapariga preocupada com o ambiente. Os três R's são levados a sério cá em casa e mesmo assim é uma tragédia: reduz-se, reutiliza-se e recicla-se (ou leva-se para reciclar) mas o lixo está sempre aqui aos montes. Acontece que a medida de levar o saco de casa para as compras deu resultados, ou seja, os sacos de plástico acabaram. E agora eu pergunto, onde é que ponho o lixo comum? compro sacos de lixo?

A Primavera,as flores e essas paneleirices todas

14.5.10

Comecei a olhar para as orquídias de outra forma depois de ver o Inadaptado, do Spike Jonze. Não são as minhas flores preferidas mas gosto muito de as ver florir no pátio. Além disso, não têm o mau feitio da bunganvília.