Só mais uma coisa
3.12.10
Como é óbvio o Jaime não virou electricista e eu não sou (ainda) costureira. O Lytton, marido da Carrington, também sofre com herpes e, apesar de isso acontecer em Outubro de 1918, é a pessoa de quem me sinto mais próxima actualmente.
Estou grávida há demasiado tempo*
3.12.10
Aqui o senhor rapaz mandou a ecologia dar uma volta, porque se recusa a usar as fraldas que nos custaram os olhinhos da cara. Não sei porque carga de água (esta é mais uma daquelas belas expressões) as ditas começaram a assar-lhe o rabinho e ele, claro, cada vez que as vê desata numa gritaria e esperneanço nunca visto. Ora, eu que sempre disse de peito cheio, a quem quer que estivesse a ouvir-me, que uma das grandes vantagens destas fraldas era manter a pele do bebé saudável, sinto-me ligeiramente defraudada. Acontece que vem aí outra cria e portanto o investimento não foi de todo em vão.
É claro que se esta gravidez estivesse imbuída da mesma eco-consciência que a anterior, em vez desta estúpida ego-consciência, estaria muito preocupada e já teria feito as contas para perceber de quantas fraldas livrei o aterro sanitário durante este ano, para me sentir um pouco melhor. Mas, assim como assim, estou-me a borrifar. O que eu quero saber é quando é que vou voltar a ter uma vida normal, ou seja, deixar os filhos ao cuidado de alguém para ganhar a vida. Sim, porque quem fica com eles em casa ganha o quê, já agora?
*tenho a impressão que ainda não deixei de estar grávida desde Janeiro de 2009.
É claro que se esta gravidez estivesse imbuída da mesma eco-consciência que a anterior, em vez desta estúpida ego-consciência, estaria muito preocupada e já teria feito as contas para perceber de quantas fraldas livrei o aterro sanitário durante este ano, para me sentir um pouco melhor. Mas, assim como assim, estou-me a borrifar. O que eu quero saber é quando é que vou voltar a ter uma vida normal, ou seja, deixar os filhos ao cuidado de alguém para ganhar a vida. Sim, porque quem fica com eles em casa ganha o quê, já agora?
*tenho a impressão que ainda não deixei de estar grávida desde Janeiro de 2009.
Como sobreviver três semanas e meia desligada em seis passos
30.11.10
1) ocupar o tempo com outras coisas, tais como: tirar todas as mobílias, roupas, louças e tralhas várias de uma casa e passá-las para outra.
2) ficar ligeiramente deprimido e/ou mesquinho sem vontade de saber o que se passa, porque afinal de contas toda a gente tem vidas magníficas e faz coisas extraordinárias, enquanto nós tentamos secar roupa num estendal que não funciona.
3) confirmar, junto de uma pessoa próxima, quantos comentários temos no blog para ficarmos a saber que estar aqui ou não estar é absolutamente igual ao litro.
4) convencermo-nos (e isto exige algum esforço) que o herpes labial, a gravidez que vai quase a meio, o bebé a dizer MAAAAIIINHE e PAAAAIII e os livros que lemos são coisas que só interessam a nós e, algumas delas, a mais meia dúzia de pessoas que podem telefonar a perguntar.
5) definir objectivos interessantes, como contabilizar as despesas mensais, e, depois de somados todos os recibos, descobrir que num mês foram gastos 559,73€ no supermercado e 175,9€ em refeições fora de casa.
6) ir dormir às 10h da noite.
2) ficar ligeiramente deprimido e/ou mesquinho sem vontade de saber o que se passa, porque afinal de contas toda a gente tem vidas magníficas e faz coisas extraordinárias, enquanto nós tentamos secar roupa num estendal que não funciona.
3) confirmar, junto de uma pessoa próxima, quantos comentários temos no blog para ficarmos a saber que estar aqui ou não estar é absolutamente igual ao litro.
4) convencermo-nos (e isto exige algum esforço) que o herpes labial, a gravidez que vai quase a meio, o bebé a dizer MAAAAIIINHE e PAAAAIII e os livros que lemos são coisas que só interessam a nós e, algumas delas, a mais meia dúzia de pessoas que podem telefonar a perguntar.
5) definir objectivos interessantes, como contabilizar as despesas mensais, e, depois de somados todos os recibos, descobrir que num mês foram gastos 559,73€ no supermercado e 175,9€ em refeições fora de casa.
6) ir dormir às 10h da noite.
Off
5.11.10
Desligo o computador por uns dias, mas antes de o empacotar alguns apontamentos:
*Está-lhe no sangue, para o bem e para o mal, esta coisa de relatar.
*Fui ao teatro. Gostei muito. E da baixa cheia de gente numa noite quase de Verão. Lisboa, às vezes, tem um certo encanto.
*O Jaime gostava de ser electricista. Eu disse-lhe que podia ser costureira e começarmos uma vida nova.
*Está-lhe no sangue, para o bem e para o mal, esta coisa de relatar.
*Fui ao teatro. Gostei muito. E da baixa cheia de gente numa noite quase de Verão. Lisboa, às vezes, tem um certo encanto.
*O Jaime gostava de ser electricista. Eu disse-lhe que podia ser costureira e começarmos uma vida nova.
13 meses
2.11.10
Sempre gostei de babyblogs mas eu nem sequer um álbum de fotografias dos pequenos tenho, quanto mais um registo do dia a dia com eles. Além disso, conhecendo-me como me conheço, sei que seria tremendamente difícil escrever apenas sobre um aspecto da minha vida, ainda que seja O aspecto que ocupa os meus dias e dá cabo da minha existência, apesar do sentido que lhe dá, à minha existência.
Isto tudo para dizer que o pequeno tem 13 meses. Passou um ano, um mês e dois dias desde que nasceu. O primeiro ano é um acontecimento e tanto, porque basicamente é quando eles iniciam tudo o que vão aperfeiçoar daqui para a frente, excepto o uso da sanita. Aprendem a comer, a andar, a falar, a exigir em decibéis improváveis numas cordas vocais tão imberbes.
Olho para o Isaac e já vejo mais o rapazinho do que o bebé. Talvez por ele ser tão independente: quer comer sozinho, beber café, pôr a manteiga no pão e não é grande fã de colo. Tem um sorriso que ilumina as madrugadas (ele acorda às 6h) e testosterona q.b para 70 cm de gente. Continua a gostar de comer papel, de ver a máquina a lavar a roupa, de guardar coisas dentro de coisas (tecidos dentro das minhas galochas, por exemplo), de andar nu pela casa e de fazer sons guturais enquanto corre de um lado para o outro. Usa a primeira palavra que aprendeu - então - regularmente e contextualizada, mas diz poucas coisas que se percebam. Come bem e dorme assim-assim. Dá beijos deliciosos.
É o meu menino.
Auch!
27.10.10
"mas como eu odeio a mediania! De resto, a mediania é um estranho objecto de estudo: humilde, ambiciosa e sem ilusões. (...)" Virginia Woolf
As reticências no fim da frase significam que esta parte do texto não foi traduzida na íntegra (o diário foi publicado em cinco volumes e a edição portuguesa resumiu-o para dois). Apetece-me procurar o original para saber se a escritora continua a discorrer sobre a mediania. É que é um assunto que anda a passear na minha cabeça há décadas. Odeio ser mediana. E só vivo relativamente bem com isso, porque a doutora Soledade disse que era uma coisa boa. E eu acredito em tudo o que ela diz.
Ah, naturalmente a mediania a que Virginia Woolf se refere é à de terceiros.
As reticências no fim da frase significam que esta parte do texto não foi traduzida na íntegra (o diário foi publicado em cinco volumes e a edição portuguesa resumiu-o para dois). Apetece-me procurar o original para saber se a escritora continua a discorrer sobre a mediania. É que é um assunto que anda a passear na minha cabeça há décadas. Odeio ser mediana. E só vivo relativamente bem com isso, porque a doutora Soledade disse que era uma coisa boa. E eu acredito em tudo o que ela diz.
Ah, naturalmente a mediania a que Virginia Woolf se refere é à de terceiros.
O jardim
22.10.10
No lado esquerdo ficarão as aromáticas; em frente talvez deixe ficar os cactos e planto a buganvília mais umas quantas flores; No lado direito ficará a horta e no lado de cá teremos o grelhador num canto e o compostor no outro.
É uma pena estar ali no meio uma palmeira em vez de uma árvore de frutos, mas enfim ainda deve dar para um limoeiro, ou abacateiro.
É uma pena estar ali no meio uma palmeira em vez de uma árvore de frutos, mas enfim ainda deve dar para um limoeiro, ou abacateiro.
É capaz de ser da idade
22.10.10
Não sei bem como explicar isto mas acontece-me sentir a testa encorrilhar-se toda e, juntamente com as pálpebras, cair para cima dos olhos deixando-me sem enxergar o que se passa à minha frente e ao mesmo tempo com falta de ar.
treze semanas e meia
21.10.10
A data provável do parto é 24 de Abril, mas espero bem que faça como os outros e se aguente mais uns dias (não mais do que três, obrigada), porque não quero estar no hospital no dia em que a primogénita festeja o décimo aniversário.
Não há fome que não dê em fartura
19.10.10
Para o caso de estardes preocupados devo dizer que apesar do buraco no estômago - só porque não se vê não quer dizer que não esteja lá, como o do Boris Yellnikoff - as coisas correram bem. O Isaac gostou da Vera e ao que parece divertiram-se muito enquanto o pai desesperava numa reunião de burocratas e a mãe inventava palavras para descrever o Pepe que pastava vacas numa paisagem mexicana.
As cenouras, ou a falta delas, não acrescentaram mais prejuízos além do esgotamento da glândula lacrimal e acabaram por ser substituídas pela abóbora que, juntamente com a batata e as ervilhas, resultou num belo consomé.
Agora vou aproveitar a fase hipomaníaca e tratar de umas coisas urgentes.
As cenouras, ou a falta delas, não acrescentaram mais prejuízos além do esgotamento da glândula lacrimal e acabaram por ser substituídas pela abóbora que, juntamente com a batata e as ervilhas, resultou num belo consomé.
Agora vou aproveitar a fase hipomaníaca e tratar de umas coisas urgentes.
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