Quatro anos e uns dias depois este blog ainda existe (e diz que foi visto 670 mil vezes).
Sou eu aos, quase, 41 anos de idade, mais crise existencial, menos crise existencial. Daqui a uns anos quero vir aqui dizer-me que não tinha razão. Que havia, afinal, algumas coisas extraordinárias para descobrir e que, apesar disto e daquilo, soube preservar o que interessa. Deve ser para isso que serve um blog.
Mudar
27.3.14
Parece-me que este ano várias pessoas (conhecidas e desconhecidas) decidiram mudar de vida, ou mudar coisas importantes nas suas vidas, não sei se são exactamente a mesma coisa.
Ou, talvez eu esteja mais atenta por querer também mudar coisas na minha vida, como quando estamos grávidas e só nos aparecem prenhas à frente, sobretudo na praia.
Adiante. Movida por esse espírito empreendedor e positivo que anda no ar, decidi eu própria tomar uma decisão muito importante e que vai, seguramente, mudar a minha vida: A partir deste instante vou deixar de esperar pelos Emails que nunca mais chegam (a propósito, lembrei-me disto). Ou melhor, dentro de dois segundos, que agora vou ver se recebi alguma coisa importante. Não, nada. Pronto, agora sim.
Ou, talvez eu esteja mais atenta por querer também mudar coisas na minha vida, como quando estamos grávidas e só nos aparecem prenhas à frente, sobretudo na praia.
Adiante. Movida por esse espírito empreendedor e positivo que anda no ar, decidi eu própria tomar uma decisão muito importante e que vai, seguramente, mudar a minha vida: A partir deste instante vou deixar de esperar pelos Emails que nunca mais chegam (a propósito, lembrei-me disto). Ou melhor, dentro de dois segundos, que agora vou ver se recebi alguma coisa importante. Não, nada. Pronto, agora sim.
Os gatos
27.3.14
Maya, 14 anos
Viriato, 10 anos
Naquele exacto momento percebi porque gosto destes gatos, apesar de vomitarem a casa, de estragarem móveis e sofás, de insistirem em passar por cima do teclado do computador quando estou a trabalhar, de quererem sentar-se no meu colo quando estou a jantar. Gosto deles, porque sim, claro, mas eles são importantes para mim, porque têm sido a variável imutável (ou a menos mutável, vá) da minha vida.
Compras
26.3.14
As pessoas, maioritariamente do sexo feminino, dizem, quando estão neuróticas fazem compras. Eu não sou excepção. Acabei de chegar a casa com meio quilo de muesli do Brio.
Ainda vou ser uma gaja com estilo
24.3.14
Somatizando
21.3.14
Eu sei que já disse isto mais do que uma vez, mas juro que é mesmo muito fácil fartar-me de mim.
Quer dizer, faço 300 km para ir a uma psiquiatra (sim, é maravilhosa) que me manda ter juízo e prescreve-me vitaminas mais a inscrição numa actividade que me obrigue a estar com outras pessoas regularmente. Portanto, drogas, que são tão boas, nem vê-las. Ok, muito bem, posso viver perfeitamente com isso, ou sem isso neste caso, mas com esta coceira nos braços e na cabeça é que não.
Quer dizer, faço 300 km para ir a uma psiquiatra (sim, é maravilhosa) que me manda ter juízo e prescreve-me vitaminas mais a inscrição numa actividade que me obrigue a estar com outras pessoas regularmente. Portanto, drogas, que são tão boas, nem vê-las. Ok, muito bem, posso viver perfeitamente com isso, ou sem isso neste caso, mas com esta coceira nos braços e na cabeça é que não.
Ter um blog pode ser, mesmo, muito stressante
20.3.14
Primeiro procuro a máquina fotográfica, como não a encontro ligo a perguntar se é ele que a tem. Sim, confirma-me. Depois tento perceber como funciona a câmara do computador, vasculho o Windows todo, pergunto ao google, tento fazer actualizações ao programa, etc. Nisto passou-se uma hora, à vontadinha.
Lembro-me que temos a outra câmara, uma Nikon, em que é preciso usar o ocular do visor para tirar as fotos. Até fiquei baralhada, mas foi um fartote de fotos às obras e às flores que colhi num jardim público.
A ideia era escrever um post tipo: Isto está um caos mas, who cares, chegou a Primavera!
Quando cheguei à parte de passar as fotos da máquina para o computador verifiquei que o cartão da mesma, obviamente, não encaixava em nenhum buraco do computador. Novo telefonema. Tinha de procurar o cabo. Procuro o cabo, encontro o cabo, ligo o cabo, e nada. Desligo e ligo. Desligo e ligo. Novo telefonema. Fico a saber que a máquina às vezes tem este comportamento e que é por isso que existe o leitor de cartões, que, obviamente, não está aqui em casa. Nisto passou-se outra hora, à vontadinha.
A sério, é um desgaste ter um blog, sobretudo com a casa em obras, porque agora vou ter de ir ali fazer xixi no pote do Nicolau, visto não ter sanita.
Lembro-me que temos a outra câmara, uma Nikon, em que é preciso usar o ocular do visor para tirar as fotos. Até fiquei baralhada, mas foi um fartote de fotos às obras e às flores que colhi num jardim público.
A ideia era escrever um post tipo: Isto está um caos mas, who cares, chegou a Primavera!
Quando cheguei à parte de passar as fotos da máquina para o computador verifiquei que o cartão da mesma, obviamente, não encaixava em nenhum buraco do computador. Novo telefonema. Tinha de procurar o cabo. Procuro o cabo, encontro o cabo, ligo o cabo, e nada. Desligo e ligo. Desligo e ligo. Novo telefonema. Fico a saber que a máquina às vezes tem este comportamento e que é por isso que existe o leitor de cartões, que, obviamente, não está aqui em casa. Nisto passou-se outra hora, à vontadinha.
A sério, é um desgaste ter um blog, sobretudo com a casa em obras, porque agora vou ter de ir ali fazer xixi no pote do Nicolau, visto não ter sanita.
Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta
19.3.14
Quando ando de comboio sozinha, e normalmente faço-o em viagens que duram cerca de três horas, gosto de fazer umas destas coisas, ou todas, ao longo do trajecto: ler, escrever, tricotar e dormir, sendo que ultimamente tendo a preferir a última.
Obviamente, não temos todos de gostar das mesmas coisas (ainda que uma parte considerável das pessoas que partilham a carruagem comigo costume fazer uma delas, excepto tricotar), mas três horas a explodir bolas, ou lá o que é aquilo, no ipad não é assim um bocado doentio?
Obviamente, não temos todos de gostar das mesmas coisas (ainda que uma parte considerável das pessoas que partilham a carruagem comigo costume fazer uma delas, excepto tricotar), mas três horas a explodir bolas, ou lá o que é aquilo, no ipad não é assim um bocado doentio?
Irmãos
15.3.14
Desde que decidi ser mãe fui sendo confronta com, digamos, certos desafios. A começar na própria da gravidez, passando pelos corte e cose do pipi até às mamas transformadas em melões, prontas a explodir no momento da subida do leite. Depois os bebés e o choro e o sono e a merda. Ah, e aquele momento brutal em que os deixamos ao cuidado de alguém. Há outros, houve outros, no entanto, estou tentada a dizer que o desafio que enfrento actualmente é bem capaz de ser o maior de todos, até ao momento. Refiro-me a ter de lidar com os conflitos entre irmãos. Valha-me minha nossa senhora da Agrela (da qual tive conhecimento no consultório da nossa médica de família)! Diz que não há santa como ela.
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