Afinal até vou fazendo umas coisas

29.11.12


Uma meia já está. Um saco cabaz para oferecer no Natal também. E ainda uma fornada de biscoitos queimada. Não sei quantos mais terei de fazer até acertar na consistência da massa e na temperatura do forno, mas vou continuar a insistir. Ando é com pouca vontade de tricotar e costurar, mas não me parece que se note muito.

2012

29.11.12
Hoje o meu gajo constatou uma cena fantástica: desde que vivemos juntos, 2012 foi o único ano em que não estive grávida!

A vida que eu quero

28.11.12
Paulo Ricca

Um dia destes li (mentira, vi num episódio do CSI, mas como estava a ler as legendas não é totalmente falso) que há as pessoas que aceitam a vida que têm e as que procuram a vida que querem. É claro que, tratando-se de um episódio do CSI, não se aprofundou a questão, até porque aquela gente tem mais o que fazer, mas se tivessem tido tempo, acabariam por chegar à conclusão que a única premissa verdadeira é a primeira, porque as pessoas que procuram a vida que querem, também têm de aceitar a vida que têm. Procurar não é sinónimo de encontrar.
Seja como for, esse momento filosófico do CSI deixou-me a pensar na vida que eu quero. E na vida que eu quero tenho aquela barriga outra vez, mas a pesar um bocadinho mais do que os 50 kg que pesava na altura; tenho um motorista (Jaime estás proibido de vir aqui dizer que isso já tenho) e vários projectos interessantes em mãos, como escrever o argumento para o cinema deste livro; vou a todas as festas de lançamento de livros da Quetzal em que o Irmão Lúcia esteja a pôr discos; vou ver vários espectáculos de teatro e dança com as minhas amigas e a seguir vamos jantar a altas horas; Vou buscar os meninos à escola com o Jaime (se ele não puder vou com o motorista) e vamos brincar para algum sítio, como uma biblioteca, no Inverno, ou um jardim, no Verão, antes de vir para casa. O motorista também é babysitter e às vezes fica com eles para eu e o Jaime irmos sair (sim, o motorista é espectacular e está um bocado apaixonado por mim, mas depois casa-se com um gajo maravilhoso). Não sei como, temos sempre o jantar pronto e a casa arrumada (fazêmo-lo nós quase sem dar por isso); tenho uma casa com quintal, ou uma horta comunitária para cultivar legumes, ou melhor, tenho a persistência necessária para cultivar a terra, porque casa com quintal já tenho, no Porto, e já lá cultivei bastantes legumes (batatas, tomates, feijão verde, couve e cebola), por isso sei que é fácil desistir sob vários pretextos.
Na vida que eu quero acabaremos por fazer a tal road trip a Bordéus e depois muitas outras.
Ou seja, agora que penso nisso, se eu começar a escrever o argumento, a única coisa que fica a faltar para a vida que eu quero é o motorista. Ah, e a barriga, pois...Mas, quer dizer, alguém que acha mais natural começar a escrever um argumento de um livro do Amin Maalouf, do que contratar um motorista não vai perder tempo com a barriga.

P.S Não sei se já repararam que o Panados tem página no facebook. Não sei bem para que serve, mas acabarei por dar-lhe alguma utilidade. Vão lá gostar de mim, que estou carente.

É mesmo um post do Natal em Novembro

27.11.12
Um dia destes, a cantar canções de Natal, ele pergunta:
- O que é Jesus?
- Hmmm Jesus é uma pessoa muito importante, porque... hmmm... ofereceu-se para salvar muitas pessoas.
- Salvar pessoas?
- Sim, salvar pessoas de...uma tempestade muito grande.

(Espero que ele não se lembre de me perguntar O que é o Noé)

Sobre as pedras

27.11.12
esta foi a melhor coisa que li. Eu sei que já foi há algum tempo, mas hoje a minha filha disse-me que não podia vir de eléctrico para casa, porque estava prevista mais "uma manifestação violenta em frente à Assembleia, às duas da tarde"

Slow

26.11.12
O dia começou como quase todos os outros dias: muita movimentação pela casa, com a televisão ligada às 7h00 da manhã (a única pessoa que quer acabar com a televisão cá em casa é a mesma que se levanta e, antes sequer de fazer xixi, vai ligá-la), os miúdos a disputar brinquedos, a Bea a pentear o cabelo (não sei se esta casa é mesmo muito pequena, ou se de facto a escova no cabelo dela faz muito barulho) e eu de olhos fechados, debaixo dos cobertores, a dizer a mim própria é de noite, é noite, isto é um sonho, não é possível. E depois, muito devagar, começo a pensar se terei deixado a roupa deles separada, se há alguma coisa preparada para o almoço da Bea...Já aconteceu saírem de casa e eu ficar a dormir (sim, sim, o desgraçado do homem que vai trabalhar para sustentar a família, ainda tem de vestir os meninos e levá-los à escola, uma pouca vergonha!), mas não foi o caso. Hoje, os pequenos ficaram em casa a ver se recuperavam definitivamente das maleitas víricas, antes de irem recolher novas estirpes ao infectário, e a primeira coisa que pensei foi: "espero que amanhã estejam bons para ver se volto à vida normal" e logo a seguir: "espera aí, qual vida normal?"
Já passaram quase três meses desde que o Nicolau foi para a creche e eu ainda não tenho uma rotina. É verdade que mudei de casa, é verdade que eles têm estado, em média, dois dias em casa e três na escola e que toda a família esteve doente mais vezes nestes últimos meses, do que nos últimos três anos, mas claramente não é suposto demorarmos tanto tempo a chegar a algum lado. Não só perdemos a capacidade de esperar pelas coisas, como achamos anormal parar para descansar, pensar, recuperar, etc. Eu sei que já ninguém fala do movimento slow, mas tenho pena, porque me parece muito mais interessante do que a tendência minimalista de que tanto se fala.

Concerto para bebés

25.11.12
Há alguns anos, vivia eu no Porto, tentei levar a Beatriz a um concerto para bebés, mas nunca consegui. Aquilo esgotava meses antes de acontecer, parecia uma coisa para bebés de elite, e acabei por desistir de arranjar uma vaga. Não sem dar alguma luta, ao contrário do que aconteceu com as aulas de preparação do parto, por exemplo, nas quais me recusei a participar (na altura estava na moda o método Lamaze e eu sentia-me absolutamente incapaz de respirar como um cão), porque estava perfeitamente convencida que ela devia ter o máximo de experiências sensoriais possíveis. Felizmente sempre fui uma gaja intuitiva e por isso nunca lhe faltaram experiências desse tipo: dava-lhe colo e mais colo, tomávamos banho juntas, cantava-lhe dia e noite, comíamos laranjas partidas aos gomos com a casca e por aí fora, mas é claro que eu achava que isso era o básico (agora sei que isso é o mais importante) e queria que ela tivesse a oportunidade de descobrir outras coisas.

Seja como for, nunca mais pensei nesses concertos até ter sido convidada para assistir a um com os rapazes. Perguntei ao pai "que dizes?" e ele respondeu "não sei". Cocei a cabeça (depois descobri que eram piolhos) e disse que sim.
Entretanto vieram os piolhos, os vómitos e a diarreia (assim, tudo de uma vez) e estive até à última para desistir, mas não foi preciso. E ainda bem, porque foi uma experiência bem bonita ver os bebés a gatinhar e a dançar no meio dos músicos, a reagir de uma forma tão natural e fluída (os meus estavam a comer bolachas a um canto, obviamente). Ainda assim, não posso deixar de referir o que disse o mentor do projecto, Paulo Lameiro, no fim: mais importante do que levar os bebés a concertos é cantar-lhes em casa e aqui, pelo menos, posso gabar-me de ganhar muitos pontos.

Divinas excreções

24.11.12
Eu tenho um grande respeito pelos vírus, não só porque quase todos os filmes de ficção científica os responsabilizam pelo desaparecimento da maior parte da população terrestre, aí entre a última década do século XX e a primeira deste século, mas também por, ao que tudo indica, serem responsáveis pela nossa existência e por coisas bonitas, como o amor e assim.
Em última instância podemos dizer que os vírus são Deus. E Deus decidiu que a minha casa se encheria de merda líquida e vomitado por mais de três dias seguidos.

À deriva

21.11.12
Terminar os quilts que comecei este ano será um dos pontos listados, na tal lista que ainda não fiz. Este é o de Verão e já tem a parte de cima terminada. No processo espero descobrir que papel quero que este "passatempo" tenha na minha vida (é por isso que as listas não funcionam comigo. É óbvio que só daqui a 15 anos, eventualmente, poderei riscar o descobrir para que serve a costura), porque andar à deriva, aceitar o que os dias nos trazem, é para almas superiores, está visto, e não para alminhas como a minha. 

Listas

19.11.12
Não conheço ninguém que dispense as listas. Listas de compras, listas de afazeres, listas de conquistas, de prós e contras, de ementas, etc. Escrevinhar ideias/objectivos por pontos (ou asteriscos, traços, setas...) é tão natural, para a maior parte das pessoas, como respirar.
Eu adoro listas, claro, mas ganhei assim uma espécie de superstição em relação às mesmas a partir do momento em que me apercebi que bastava rabiscar uma coisa num papel para a dita não acontecer. É ridículo, claro, achar que uma coisa não acontece porque está escrita, mas eu também achava ridículas as pessoas que põe algodão nos ouvidos para não entrarem bichos durante a noite, enquanto dormem, mas depois de ter esmagado um insecto não identificado, que passeava na minha cabeça na madrugada de hoje, já não digo nada.  
Portanto, agora estou num dilema, porque preciso de me organizar (e não, não tenho mil tarefas como toda a gente parece ter, ainda que não se perceba muito bem o que é que fazem na prática, tal como eu, portanto) e não sei como o fazer sem parecer um peixe num aquário, assim às voltas, com aquele ar perdido de olhos esbugalhados e a mastigar água.