Recebi uma mensagem sobre o
projecto da Aida e pensei: "Outra vez as mulheres. Queres ver que o feminismo vai virar moda e vamos ter barbearias para feministas; colecções Primavera/Verão para mulheres que lutam pela igualdade de direitos; promoções para conseguir o look Frida khalo (estou tão à frente, com as minhas sobrancelhas e farto buço!); capas de jornais de referência com mamas descaídas ou, melhor ainda, lábios de pipis descaídos; mães a invadir restaurantes finos com as crias a mamarem das suas tetas, ao lado de mães que não amamentam por variadíssimas razões, etc. etc."
Isto tudo em milésimos de segundos, porque a cena da livraria de mulheres começou como que a explodir fogo de artifício na minha cabeça. Assim de repente, uma livraria de mulheres seria o local privilegiado para, finalmente, elaborar a minha lista de escritoras que tiveram filhos e tentar perceber qual o papel da maternidade na sua escrita. Ou, simplesmente, ter acesso a livros escritos por mulheres que nas livrarias generalistas normalmente não se tem.
Também há livros escritos por homens que não se encontram nas livrarias generalista, pois claro, mas não se vai abrir uma livraria de homens, por causa disso, pois não? Talvez, daqui a uma centena de anos, quando estiverem em minoria entre os clássicos da literatura.
Voltando à livraria, li tudo o que havia para ler sobre a Confraria Vermelha e fui ouvir a Aida na apresentação do projecto, aqui em Lisboa. E que
marabilha foi ouvir a parte que ouvi (tive de sair a meio). É impossível não ficar grudada na Aida, não só pela forma como fala, e juro que não tem nada a ver com a pronúncia, apesar de assumir que, desde que vivo na capital, quase tenho orgasmos quando me falam em portuense, ou como conta histórias mas, sobretudo, pela notória paixão que nutre pelo sonho que persegue há alguns anos.
Se puderem, contribuam na
campanha de crowdfunding, porque eu queria muito ter uma livraria destas em Portugal (há cerca de 50 espalhadas pelo mundo). Não que o vosso dinheiro deva ser aplicado na concretização dos meus desejos, obviamente, mas ao fim e ao cabo é uma razão como outra qualquer para gastarem cinco euros bem gastos.
Mas há uma razão ainda mais egocêntrica para falar sobre isto. É que a Aida costuma exemplificar a necessidade de uma livraria deste género com um jogo que consiste em dar uma lista de mais de uma centena de escritoras e propõe que indiquemos dez que conhecemos bem, mesmo que não tenhamos lido nada delas. Depois, dessas dez devemos identificar cinco, cuja obra conhecemos, ou que tenhamos lido alguma coisa.
Primeiro, fiquei em estado de choque com o número de escritoras que não conheço. Depois, ao identificar as que conheço e as que já li (a negrito) fiquei a sentir-me menos mal: