Eis que o impensável acontece
13.12.14
Jovenzinho dirige-me a mim, num bar, com uma conversa enrolada qualquer, digo-lhe que tenho idade para ser mãe dele e mando-o ir brincar para um canto. Ele vai mas antes faz questão de referir que a mãe dele tem 74 anos.
Querer desabafar dá nisto
12.12.14
- Sabes quando é que uma pessoa percebe que bateu no fundo?
- Diz lá.
- Quando faz a invertida no Yoga e a barriga nos bate na cara.
- Mas primeiro batem as mamas, certo?
- Diz lá.
- Quando faz a invertida no Yoga e a barriga nos bate na cara.
- Mas primeiro batem as mamas, certo?
Dentro de nós
12.12.14
Uma senhora muito simpática meteu-se com o Nicolau no supermercado por causa da chupeta que ele estava a usar. Depois, virou-se para mim e contou-me que uma vez um cão arrancou a chupeta da boca da filha, quando ela tinha três anos. "Já viu?", riu-se e acrescentou que "felizmente o cão não a magoou. Era uma daquelas chupetas de borracha, deve ter achado que era um brinquedo".
Continuou a falar sem parar, sobre técnicas para os miúdos deixarem as chupetas, sobre as quatro filhas e a pena que tem por ter só um neto.
Foi só quando ela disse que a filha mais velha tem 50 anos que parei o que estava a fazer para olhar para ela. Sim, a senhora muito simpática não aparentava a idade que tinha (79 anos) mas o que me impressionou foi ter percebido que eu ainda não tinha nascido quando a filha dela teve o tal incidente com o cão e, no entanto, ali estava ela a falar daquilo como se tivesse acontecido ontem.
Deve haver um sítio, dentro de nós, onde se guardam os filhos pequenos para sempre.
Continuou a falar sem parar, sobre técnicas para os miúdos deixarem as chupetas, sobre as quatro filhas e a pena que tem por ter só um neto.
Foi só quando ela disse que a filha mais velha tem 50 anos que parei o que estava a fazer para olhar para ela. Sim, a senhora muito simpática não aparentava a idade que tinha (79 anos) mas o que me impressionou foi ter percebido que eu ainda não tinha nascido quando a filha dela teve o tal incidente com o cão e, no entanto, ali estava ela a falar daquilo como se tivesse acontecido ontem.
Deve haver um sítio, dentro de nós, onde se guardam os filhos pequenos para sempre.
Prisão domiciliária
11.12.14
O Nicolau está há alguns dias em casa. No princípio foi espectacular e ele, apesar de doente, estava a adorar ser filho único. Agora, deve estar farto de ser negligenciado, pobrezinho.
Como é que eu consegui passar tanto tempo em casa com eles é uma coisa que me transcende. E às vezes ainda digo que se fosse mais nova, provavelmente, teria mais filhos. Pobrezinha.
Quando a minha mãe tinha a minha idade
9.12.14
A propósito do Boyhood e do final de mais um ano do calendário gregoriano e dos 40 bem presentes e dos putos tão grandes ponho-me a pensar na passagem do tempo. Bem, na verdade, raramente preciso de qualquer pretexto para pensar nisso. Basta deitar-me e entro logo naquele redemoinho que nunca sei onde vai parar.
Ontem fui ter com a minha mãe de 41 anos, a idade que tenho agora. Não me lembro especificamente da minha mãe com 41 anos, lembro-me apenas das circunstâncias à volta dessa idade, ela com 41, eu com 20. Percebo porque trabalhava tanto, para além da óbvia necessidade de sustentar quatro filhos sozinha. Bem, nessa altura já trabalhavam três filhos mas o dinheiro nunca chegava para nada. O trabalho, aquela demência pelo trabalho (que ela também criticava na mãe dela) era o único escape daquela mulher. A única forma de não enlouquecer.
No filme, a certa altura, o filho pergunta ao pai qual é afinal o sentido disto tudo. O pai diz que não faz a mais pequena ideia, que ninguém faz, que toda a gente vive o melhor que pode, que o que interessa é sentir as coisas.
Eu nunca perguntei à minha mãe, porque não era preciso. Ela fazia questão de nos explicar vezes sem conta que viemos ao mundo para sofrer. Que é esse o objectivo de viver: sofrer. E depois na outra vida ter a recompensa.
Quando a minha mãe tinha 41 anos acho que a odiava um bocado menos.
Não sabia que ia ser fim-de-semana prolongado
8.12.14
Árvore de Natal - check.
Boyhood - check (é único mesmo, uma pena não desfrutar em pleno por estar cheia de calor e de gases).
Sapatos para tocar órgão - falta check (quase sinto falta do tempo em que o material escolar eram cartolinas e guaches).
Declaração
7.12.14
As olheiras, a camisola do avesso para esconder o borboto, os sapatos gastos, as respostas tortas, os silêncios, as camisas por passar a ferro, a hostilidade latente, a apatia, a evidência do cansaço, a relativamente evidente falta de sexo, as óbvias horas massacrantes no escritório, o quase desespero diário, a falta de paciência para algumas coisas dos miúdos (sim, só algumas), a idade a notar-se, ligeiramente, no abdómen e, talvez, nos cabelos brancos, os cada vez mais raros "fazes-me falta", os gestos impulsivos praticamente mortos e enterrados, as baterias já quase gastas de tanto uso.
Ser pai é tão fodido como ser mãe, não sei já o tinha dito alguma vez. Mesmo para um pai que acha a paternidade a coisa mais espectacular do mundo.
Eu sei que não parece mas isto é uma espécie de declaração de amor. Tu sabes.
Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta
5.12.14
Quantas vezes por semana é normal uma pessoa sentir-se um cagalhoto a boiar no mar?
Factos são factos (ou fatos)
5.12.14
Cingindo-se unicamente aos factos uma pessoa até tem razões para se sentir bem consigo própria. Vejamos os últimos dois anos:
- Arranjei um emprego como terceira escriturária numa escola profissional, durante pouco mais de quatro meses (o tempo de uma licença de maternidade);
- Abri uma empresa e dei entrevistas na televisão (o horror, nem quero que me lembrem, as entrevistas, não a empresa!);
- Trouxe a minha avó para Lisboa para cuidar dela durante um mês;
- Editei e organizei o lançamento de um livro do Manuel Jorge Marmelo (ia vomitando de nervos);
- Fechei a empresa (quase tão complicado como abrir);
- Fiz alguns passeios em família, como o de Évora, o do acampamento em Mira, o de Montemor-o-Novo, o de Alcobaça (e este nem sequer teve direito de antena no blog), outro(s) que posso ter esquecido e ainda o fim-de-semana épico no Porto com a Helena e a Carla;
- Planeie viver no Porto;
- Mudei de casa (só uma vez em dois anos, nada mal!);
- Fiz uma grande e maravilhosa viagem a Timor Leste;
- Confeccionei 14 bolos de aniversário;
- Regressei ao jornalismo;
- Vivi momentos irrepetíveis com amigos de longa data e outros que mal conheço mas que parecem amigos na mesma.
P.S A maior parte deste "factos" foram feitos na primeira pessoa do plural mas isso é um outro post sobre o amor e outras paneleirices.
- Arranjei um emprego como terceira escriturária numa escola profissional, durante pouco mais de quatro meses (o tempo de uma licença de maternidade);
- Abri uma empresa e dei entrevistas na televisão (o horror, nem quero que me lembrem, as entrevistas, não a empresa!);
- Trouxe a minha avó para Lisboa para cuidar dela durante um mês;
- Editei e organizei o lançamento de um livro do Manuel Jorge Marmelo (ia vomitando de nervos);
- Fechei a empresa (quase tão complicado como abrir);
- Fiz alguns passeios em família, como o de Évora, o do acampamento em Mira, o de Montemor-o-Novo, o de Alcobaça (e este nem sequer teve direito de antena no blog), outro(s) que posso ter esquecido e ainda o fim-de-semana épico no Porto com a Helena e a Carla;
- Planeie viver no Porto;
- Mudei de casa (só uma vez em dois anos, nada mal!);
- Fiz uma grande e maravilhosa viagem a Timor Leste;
- Confeccionei 14 bolos de aniversário;
- Regressei ao jornalismo;
- Vivi momentos irrepetíveis com amigos de longa data e outros que mal conheço mas que parecem amigos na mesma.
P.S A maior parte deste "factos" foram feitos na primeira pessoa do plural mas isso é um outro post sobre o amor e outras paneleirices.
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