Comprei "O Bom Inverno" - eu que me recuso a comprar os livros quando toda a gente anda a falar deles, enfim, manias - e li-o ontem. O enredo fez-me lembrar um filme de terror série b, não sei, talvez João Tordo gostasse, tal como os personagens do livro, de ver o seu romance adaptado ao cinema. É uma história muito bem contada, sem dúvida, e é incrível como algumas passagens se conseguem ver, como se estivéssemos lá, mas não posso dizer que tenha gostado. Sei é que não lia um livro com tanto prazer há muito tempo. Faz sentido?
João Tordo, O Bom Inverno, Dom Quixote, 2010
No Centro de Saúde
15.9.10
Nada como a primeira consulta de saúde materna para ficarmos logo mais descansadas:
Médica: Sabe que depois dos 35 tem de fazer amniocentese?
Eu: Sei que há esse protocolo, mas na anterior gravidez fiquei só pelas análises bioquímicas, optei por não fazer a amniocentese. Nesta, se for possível, preferia fazer o mesmo.
Médica: hmmm (de olhar esbugalhado).
Eu: A amniocentese serve apenas para detectar o síndrome de Down, não é (isto foi o que me disseram no hospital quando estava grávida do Isaac)?
Médica: Não, não, a amniocentese recolhe as células descamadas do líquido amniótico para análise do ADN, portanto ficamos a saber quais a doenças genéticas que o feto poderá ter. Não estou a dizer que vai ter algum problema, mas sabe que com a sua idade...
Eu: Sim, compreendo, mas a vantagem de ser o terceiro filho é que não ficamos tão ansiosas, estamos muito mais relaxadas.
Médica: Pois, mas só porque as outras duas correram bem, não quer dizer que esta vá correr...
É, ou não é um descanso? É claro que eu podia pagar a um médico no privado que me faria sentir lindamente, uma vez que me estaria a cobrar os olhos da cara, mas vou continuar no Centro de Saúde, até porque a enfermeira F. está quase a voltar de férias e com ela é outra coisa.
P.S Não tenho nada contra o SNS, antes pelo contrário. Fui muitíssimo bem acompanhada no Hospital Francisco Xavier, na anterior gravidez.
Médica: Sabe que depois dos 35 tem de fazer amniocentese?
Eu: Sei que há esse protocolo, mas na anterior gravidez fiquei só pelas análises bioquímicas, optei por não fazer a amniocentese. Nesta, se for possível, preferia fazer o mesmo.
Médica: hmmm (de olhar esbugalhado).
Eu: A amniocentese serve apenas para detectar o síndrome de Down, não é (isto foi o que me disseram no hospital quando estava grávida do Isaac)?
Médica: Não, não, a amniocentese recolhe as células descamadas do líquido amniótico para análise do ADN, portanto ficamos a saber quais a doenças genéticas que o feto poderá ter. Não estou a dizer que vai ter algum problema, mas sabe que com a sua idade...
Eu: Sim, compreendo, mas a vantagem de ser o terceiro filho é que não ficamos tão ansiosas, estamos muito mais relaxadas.
Médica: Pois, mas só porque as outras duas correram bem, não quer dizer que esta vá correr...
É, ou não é um descanso? É claro que eu podia pagar a um médico no privado que me faria sentir lindamente, uma vez que me estaria a cobrar os olhos da cara, mas vou continuar no Centro de Saúde, até porque a enfermeira F. está quase a voltar de férias e com ela é outra coisa.
P.S Não tenho nada contra o SNS, antes pelo contrário. Fui muitíssimo bem acompanhada no Hospital Francisco Xavier, na anterior gravidez.
Entretanto
13.9.10
Vou experimentar fazer uma sopa com as beldroegas que cresceram no vaso da salsa.
Não identifiquei a planta, quando a vi, mas percebi que só podia ser uma infestante. Imediatamente lembrei-me de um trabalho que fiz para a revista Forum Ambiente com o botânico João Gonçalves da Costa, antigo colector do Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio, e que me marcou profundamente.
Além do conhecimento que transbordava de tudo o que dizia, ele falava das plantas como se fossem pessoas que conhecia daqui e dali. Mas o que me espantou verdadeiramente foi ele referir-se a duendes, a propósito de na Escócia as casas terem heras para os esconder, como se fossem criaturas reais. Primeiro fiquei surpreendida, depois à medida que o fui ouvindo pareceu-me perfeitamente natural que existissem seres que tentam proteger a Natureza.
E lembrei-me dele ao ver as beldroegas (Portulaca oleracea), porque notava-se que tinha uma certa simpatia pelas infestantes. Dizia ele que as austrálias (Acácia melanoxylon) e os eucaliptos (Eucalyptus globulos e E. obtusa), por exemplo, são árvores que continuam a lutar pela sobrevivência, depois de verem o continente que as acolhia partir-se: o velho continente lemuriano que se transformou na várias ilhas que hoje constituem o continente australiano, a Nova Zelândia e a Tasmânia.
Resumindo, além de uma bela sopa, as beldroegas serviram para me lembrar a magia do jornalismo.
soltas
11.9.10
e como estive longe do computador muitos dias, tenho um monte de coisas para contar. Então é assim:
de todas as coisas estranhas do livro do Murakami, que acabei de ler, o que me deixou mais intrigada foi o facto de praticamente todos os personagens terem 31 anos.
também terminei a gola em tricot e posso dizer que ficou bonitinha mas cheiinha de defeitos.
constatamos que o gajo pequeno não gosta de comida embalada, nem sopa dos restaurantes.
estou grávida. Não sei de quanto tempo (a contar desde o UPM, estarei de oito semanas), nem se está tudo bem, porque ainda não fui ao médico.
(isto começa tudo em minúsculas, porque diz que é bem)
de todas as coisas estranhas do livro do Murakami, que acabei de ler, o que me deixou mais intrigada foi o facto de praticamente todos os personagens terem 31 anos.
também terminei a gola em tricot e posso dizer que ficou bonitinha mas cheiinha de defeitos.
constatamos que o gajo pequeno não gosta de comida embalada, nem sopa dos restaurantes.
estou grávida. Não sei de quanto tempo (a contar desde o UPM, estarei de oito semanas), nem se está tudo bem, porque ainda não fui ao médico.
(isto começa tudo em minúsculas, porque diz que é bem)
E cá estou eu
11.9.10
Antecipámos o regresso não por causa da cantoria enervante dos grilos, ou porque a falta do que fazer fez-nos, afinal, mais comichão do que seria de esperar (o ano passado, no Alqueva, estivemos lindamente, por exemplo, e não tínhamos praias, apenas uma piscina biológica que partilhávamos com rãs e uma cobra), mas porque o meu sobrinho ficou com uma otite e o miúdo precisava da mãe dele, como precisam todos quando estão doentes. Vai daí arrumámos as tralhas da barraca na mala do carro e fizemo-nos à estrada. Os antipáticos do parque de campismo, que se diz ecológico mas é uma treta, não nos devolveram o dinheiro das duas noites que não usufruímos mas também não o pedimos.Assim sendo estou de volta às lides internéticas e posso adiantar que de seguida janto umas ameijoas.
Chegou
1.9.10
O Jaime chegou. Antes disso, de manhãzinha, fui ao mercado comprar flores para enfeitar a casa e deixei adiantado um caril de gambas para o almoço. Depois da sopa do Isaac, por volta das 11h, fui buscá-lo ao aeroporto com as crianças. Levei um vestido novo e sombra nos olhos. Isto é ficção.
A realidade: O Jaime chegou e eu estou manca, dei um jeito nas costas. A casa cheira a estrugido queimado e os brinquedos do Isaac estão espalhados por todo o lado. Eu fui ao aeroporto de táxi (como eu odeio taxistas, santo deus!), com um carro estacionado à porta e a chave na gaveta da consola, porque não sei conduzir, apesar de ter carta de condução. E não levei vestido nenhum, fui com as únicas calças de ganga que me servem (as de grávida), o cabelo oleoso e buço. Até as caxineiras, que são mulheres que têm toda a legitimidade para usar bigode, tiram o buço quando os homens chegam do mar, e eu fui buscar o meu neste estado.
Mas é assim a vida, um dia serei uma dona de casa como deve ser, até lá sou eu assim.
A realidade: O Jaime chegou e eu estou manca, dei um jeito nas costas. A casa cheira a estrugido queimado e os brinquedos do Isaac estão espalhados por todo o lado. Eu fui ao aeroporto de táxi (como eu odeio taxistas, santo deus!), com um carro estacionado à porta e a chave na gaveta da consola, porque não sei conduzir, apesar de ter carta de condução. E não levei vestido nenhum, fui com as únicas calças de ganga que me servem (as de grávida), o cabelo oleoso e buço. Até as caxineiras, que são mulheres que têm toda a legitimidade para usar bigode, tiram o buço quando os homens chegam do mar, e eu fui buscar o meu neste estado.
Mas é assim a vida, um dia serei uma dona de casa como deve ser, até lá sou eu assim.
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