Pequenas coisas

19.2.21

Sou sempre a última a sair da cama. Ouço o Nicolau nas aulas, o Isaac a acordar ruidosamente (tal como continuará pelo dia fora), o Jaime na cozinha a fazer sumo e café, ou a tirar a louça da máquina, ruidosamente, e penso no que tenho para fazer. Quando acontece, como hoje, de ter de ir a algum sítio, neste caso ao dentista, significa que tenho de lavar o cabelo e pensar no que vestir. E assim, ir ao dentista, uma consulta só para confirmar que está tudo bem, passa a ser a coisa mais importante que tens para fazer. E já que te vestiste e lavaste o cabelo passas no teu trabalho, a caminho de casa, e ajudas a fazer reposição de stock na vinharia, consideras lavar os vidros da montra, mas vai chover no fim-de-semana, é melhor deixar para depois, e confirmas encomendas. Depois guardas umas wafer da Paupério para os miúdos e uma garrafa de vinho para ti e regressas a casa.

Mas, normalmente, quando acordo e penso no que tenho para fazer são só pequenas coisas - as refeições, talvez secar roupa no aquecedor, ou na lavandaria, fazer uma caminhada, mandar mensagem à Catarina por causa da psicóloga e estar aqui em casa para o que acontecer. Claro que há a humidade dos tectos para lavar, o site para actualizar, os TPC dos miúdos para controlar e mil coisas para ler e escrever, mas isso não é urgente. 

E é urgente o quê, afinal? Viro-me para o outro lado e penso no poema de Eugénio de Andrade, mas não sei de cor. 

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