Economia familiar

1.10.10
A enfermeira F. foi despedida. Avizinham-se tempos difíceis no Centro de Saúde Santo Condestável.

Há um ano (continuação)

29.9.10
[Aviso: isto é um relato de um parto. Quem não estiver para isso é favor ignorar]

Depois de uma noite, como dizer, horrível, com contracções de cinco em cinco minutos e eu a respirar, a respirar a pensar que fui teimosa em insistir no parto normal, que fui parva, que estava louca, que não aguentava...na manhã seguinte as contracções pararam logo a seguir ao banho. Durante o pequeno almoço, chorei, chorei, chorei. A enfermeira de serviço perguntou o que se passava e eu chorava, chorava, chorava. Disse que estava cansada e que era um bocadinho maricas.

sms enviado às 8:33:31 para o Jaime: "Bom dia. Contracções toda a noite, perda de sangue, dilatação na mesma. Vou pedir para não continuarem com isto"

sms enviado às 10:54:09 para o Jaime: "Nova indução feita. Pelo menos o médico diz que saio daqui hoje"

O Jaime chegou por volta das 14:00 (hora das visitas no piso quatro) e já eu estava muito aflita com as contracções. Esmaguei-lhe os dedos muitas, muitas, vezes. A enfermeira fez o toque: três dedos de dilatação! estava a funcionar, estava a progredir yupi, yupi, yupi. Três dedos significava que podia levar epidural. "Daqui a bocadinho já desce para a sala de partos", disse a enfermeira e eu pensei, "falta pouco, falta pouco" e este falta pouco era para acabarem com aquele horror, não pensei que ia finalmente ver o bebé. Passaram duas horas e eu respirava, respirava (muito inspirei e expirei vigorosa e sonoramente!) pensava que o Isaac estava tão assustado como eu, que precisava de oxigénio e respirava e esmagava os dedos do Jaime e a certa altura disse: "Vai chamar a enfermeira, porque honestamente NÃO AGUENTO MAIS e estou aqui estou a gritar os três caralhos". A enfermeira veio meia contrariada, tinha passado pouco tempo desde o último toque, mas de repente ouvi sinos a tocar, trombetas, aleluias, o que quiserem, ou seja, a mulher de branco disse: "eh lá, mas já está com sete dedos de dilatação, como é que é possível? vai já lá para baixo".

E a partir daqui começa outra fase do trabalho de parto: Eu a ser levada numa maca pelos corredores do hospital a grande velocidade com uma auxiliar a gritar (talvez fosse surda): "respira filha, respira, olha que bem que ela respira", a chegar à sala de partos onde me esperava a enfermeira Carla (de S. João da Madeira, um verdadeiro anjo da guarda) e, meus senhores, a anestesista. Acho que corri para ela e beijei-lhe os pés em súplica, ou pelo menos foi o que me pareceu.

Depois foram quatro horas à espera que o bebé descesse (põe-nos deitadas horas a fio e querem que o bebé desça), sem dores, com o Jaime ao meu lado, com um ambiente muito sereno e apesar das não sei quantas pessoas que enfiaram as mãos pelas minhas partes íntimas acima, etc., eu estava, sei lá, feliz. Podia ser da ocitocina em excesso, ou do oxigénio. Entretanto, a dilatação estava completa, mas a cabeça do bebé estava mal encaixada. Três médicas vieram confirmar a posição do bebé e que havia espaço para ele passar (eu sei, é uma imagem decadente) e comecei a sentir que não havia grandes certezas em avançar com o parto normal.

Então, deviam ser umas 20h30, pediram ao Jaime para sair para mais uma avaliação, ele saiu e eu vi entrar umas dez pessoas, ou mais, dentro da sala. Uma das médicas com luvas e máscara. Tudo a colocar-se em posição e a dizerem que tinha chegado a hora. Disseram para me preparar para fazer muita força e que era melhor o pai esperar lá fora (achei tão injusto para ele), porque iam usar ventosa. Eu agarrei-me aos ferros da cama, disse que estava pronta e a enfermeira Carla, que já tinha tratado de avisar o Jaime sobre o que se estava a passar, abriu a porta, só o suficiente para eu e ele nos olharmos nos olhos e dizermos sem falarmos que era agora e que ia correr tudo bem.

Três vezes a fazer força, duas médicas a saltar em cima da barriga, o bebé a sair, o Jaime a entrar e eu incrédula, porque ele estava ali tão pequenino, tão bonito, tão desprotegido, tão meu. O pai cortou-lhe o cordão umbilical enquanto eu tentava segurar nele - estava tão escorregadio. Fazia-lhe festas na cabeça, dizia que já tinha passado, que estava tudo bem e apetecia-me enchê-lo de beijos, que deve ser assim uma espécie de lambidelas na nossa espécie. Só depois olhei para o Jaime e chorávamos os dois, claro.

A seguir veio tudo o resto.

Um pequeno apontamento
A ideia de uma sala cheia de gente (estudantes, suponho, mais pediatras, enfermeiras, etc.) a ver-me parir é coisa para não me deixar nada satisfeita. No entanto, devo dizer que naquele momento foi completamente indiferente, porque desapareceu tudo à minha volta, só existia o Isaac e depois o Jaime. Além disso, gostei de receber os mimos e as palmadinhas de "Parabéns, esteve muito bem".

Há um ano

28.9.10
Troca de sms depois de ser internada para indução do parto do Isaac (ATENÇÃO, nenhuma mensagem foi censurada, pelo que pedimos desculpa por um ou outro momento lamechas, mas eu estava em vias de parir, por isso há que ter esse facto em conta):

enviada às 10:59:25 para o Jaime: "Um quarto com vista para o rio :)"

enviada às 11:19:39 para o Jaime: "Não creio. Estou muito bem vestida ;) amo-te"

enviada às 12:14:53 para o Jaime: " Liga à minha mãe. Ela ligou mas não pude atender. Até já papá :D"

enviada às 12:20:40 para a Andreia: " Miúda, estou no hospital a induzir o parto :( 41 semanas, placenta calcificada blábláblá. Espero que pelo menos nasça hoje. Beijos grandes."

enviada às 12:22:54 para o Jaime: " O que vale é que posso ver a Praça da Alegria!"

enviada às 12:44:03 para o Jaime: "O dr.Pina e a enf. Elvira ficaram tristes com a minha falta de pronúncia do Porto."

enviada às 12:52:22 para o Jaime: "Jaime, isto pode durar 3 dias!!! Só ao terceiro dia partem para cesariana. MEDO!"

enviada às 15:58:08 para a Beatriz: "Olá princesa, a mamã ainda está à espera que o Isaac saia. É um preguiçoso como a mana, ainda vai demorar. Um beijo grande."

enviada às 21:03:55 para o Jaime: "As contracções não param...eu queria tanto dormir."

enviada às 21:31:57 para a Xana: "Estou em agonia, é melhor não :) mas há-de acabar, mais cedo ou mais tarde. Obrigada."

enviada às 22:20:11 para o Jaime: "Tou ligada ao ctg novamente."

enviada às 23:07:05 para o Jaime: "Nada. Nem se consegue tocar no colo."

enviada às 23:47:39 para o Jaime: "Até já meu amor"

No dia seguinte enviei mais dois sms, um bastante desesperado, diga-se, mas o melhor estava para acontecer às 20:49, quando o bebé saiu e, depois do pai lhe cortar o cordão umbilical, veio encostar-se ao meu peito.

P.S e as lamechices não acabam. O Jaime acabou de me oferecer um rolo de papel com todos os sms que trocámos há um ano, desde que fui internada, até sair do hospital.

Vaidades

27.9.10
No fundo, no fundo eu só faço isto para aparecer.

(a verdade é que, para além das coisas que se aprendem, está-se tão bem lá!)

Da senilidade

24.9.10
Há pouco estava a falar sozinha, numa conversa imaginária com uma vizinha, e dizia-lhe que era melhor assim, ter outro bebé de seguida, porque afinal já ia fazer 37 anos...pausa...37? Não, eu vou fazer 38, certo? E precisei de fazer as contas. Ora, quando se chega a uma altura em que é preciso contar os anos desde que nascemos é grave. Digo eu.
Depois vem o choque: 38 anos (ok, falta meio ano, whatever)?!?!?!?!?!? Foda-se, como é que eu vou fazer 38 anos? Tá bem que já vivi em mais do que uma cidade, trabalhei em mais do que três empresas, já casei e descasei, tive filhos e um aborto, mas...sei lá, eu ainda nem sei o que quero ser quando for grande! É melhor começar a pensar nisso muito depressa.

Vá comer mato a uma bouça*

23.9.10
Sopa de nabiças, um prato de massa com cherne e um quiwi (quivi?): o almoço do bebé.

*expressão da minha mãe, off course

Resoluções de ano novo

21.9.10
Recomeçar a conduzir e aderir ao Mob Carsharing. De outra forma este ano lectivo será incomportável.

inquérito

21.9.10
criado por Miguel Esteves Cardoso, Pedro Mexia e José Diogo Quintela

Com que idade percebeu que falhou na vida?
Aos seis, sete anos, quando a minha mãe me disse que o ballet e o piano era para os ricos.

Qual a diferença ente um tripeiro e um alfacinha?
Os tripeiros fazem das tripas coração. Os alfacinhas fazem saladinhas insossas.

Qual a sua qualidade que mais irrita os amigos?
Não ter papas na língua.

Qual o seu defeito que mais os enternece?
Acho que nunca enterneci ninguém.

Trata de forma diferente as pessoas feias e bonitas?
Sim.

Quando está com uma pessoa deficiente, exagera no ignorar da deficiência?
Sim.

Com que figura pública se acha fisicamente parecida?
Com a Hilary Swank.

Tem números que memorizou no telemóvel só para não atender?
Só memorizo os que quero atender.

Com que regularidade se googla?
Todos os dias, várias vezes.

Que jornal ou revista usaria para matar um insecto?
Que tipo de insecto?

Se fosse jantar com o Wody Allen, onde o levaria?
Ao Afonso.

O que almoçou hoje?
Massa.

O que deveria ter pedido?
Que alguém me fizesse o almoço (e o jantar para logo, já agora).

Qual o segundo momento mais marcante da sua vida?
Não sei.

Sem ser essa mariquice de morrer a dormir, como é que preferia morrer?
Pacificamente.

Qual o seu pintor favorito da escola flamenga.
Se eu conhecesse a pintura flamenga...chamava-lhe um figo!

Agora a sério, alguma vez encolheu a barriga?
Sim.

Num incêndio em sua casa, que objecto faria tudo para salvar.
O menino da lágrima.

Qual o luxo pré-crise de que tem saudades?
Já tive saudades de ir à depilação.

Já teve problemas com um vizinho?
Sim. A senhora de baixo queria que eu usasse passadeiras em casa para não ouvir os nossos passos.

Quantas vezes já fez amor a uma terça-feira?
À volta de 411 vezes.

Já fingiu que não viu uma amigo de há 20 anos.
Não.

Quando votou nulo o que escreveu?
Nunca votei nulo.

Qual a música mais foleira que canta no duche?
Não canto no duche.

Quando foi a última vez que teve medo de um médico?
Tenho quase sempre.

Numa luta entre um tubarão e um tigre quem ganha?
Depende.

Diz salsicha ou salchicha?
Salsicha.

Tem ciúmes dos seus amigos?
Alguns.

Alguma vez sentiu que engorda mais facilmente do que os outros?
Não.

Se pudesse prescindir de um só partido político, de qual prescindia?
Para quê?

Este é um dos três melhores inquéritos que já respondeu na vida?
É o único, por isso não tenho termos de comparação.

sono*

20.9.10
Era gaja para dormir 20 horas e ficar na mesma. Isto de haver mais do que um coração a bater dentro de nós é cansativo.

*este vai ser tema de posts durante alguns anos, certo?

Ah, e não compro mais nenhum livro da Mónica Marques

17.9.10
porque não aceitou ser minha amiga no facebook. E até estava curiosa para saber o que viria a seguir ao "Transa Atlântica", mas eu sou assim, uma pessoa vingativa.