Acabaram-se as cenouras
19.10.10
e eu não sei fazer sopa, muito bem, sem cenouras. As últimas terão sido usadas ontem, mas não me lembro. Quando é assim deve comprar-se mais, para não acontecer eu querer fazer sopa e não ter cenouras, nem poder ir comprar porque o bebé está a dormir. O ideal, até, é nunca deixar acabar as cenouras. Mas acabaram, pronto, que hei-de fazer senão chorar como se a minha vida estivesse a acabar também?
babysitter
18.10.10
O jantar do bebé está pronto. A casa está aceitável. Podes vir senhora desconhecida que vai cuidar do meu bebé durante três horas e meia (entretanto vou tentar não abrir um buraco no estômago tamanha é a ansiedade).
Há sensações universais 1
15.10.10
"Fico sempre satisfeita quando se chega ao fim de uma visita e vejo que a simpatia se não alterou (...) - e no entanto fico sem saber como explicar esta sensação de esforço e de mal-estar que as pessoas de quem mais gosto conseguem produzir em mim." Virginia Woolf.
Outra casa
15.10.10
É a terceira vez que mudo de casa grávida. Da primeira, quando me mudei do Largo da Maternidade para a Boavista, foi o meu irmão e um amigo, que por acaso era o Jaime, que ajudaram. Da segunda, quando vim para Lisboa, foi um grupo de amigos (incluíndo o Jaime, naturalmente, mas já não apenas amigo, e o pai da Beatriz, quase ex-marido e ainda amigo, na altura) que ajudaram a carregar a carrinha no Porto e outros a descarregar aqui em Lisboa. Da terceira, daqui da Tomás da Anunciação ali para o jardim da Parada, será uma empresa de mudanças.
Das duas uma: ou temos cada vez mais tralha, ou cada vez menos amigos. Acho que é um pouco das duas. Uma pena isto de irmos enchendo a vida de coisas e esvaziando de pessoas. Mesmo que as pessoas sejam uma merda, grande parte do tempo.
Das duas uma: ou temos cada vez mais tralha, ou cada vez menos amigos. Acho que é um pouco das duas. Uma pena isto de irmos enchendo a vida de coisas e esvaziando de pessoas. Mesmo que as pessoas sejam uma merda, grande parte do tempo.
Coisas novas
12.10.10
"Velha janeleira"- velha que passa o dia à janela.
Mais lá para a frente talvez conte coisas desta experiência que é fazer um curso de escrita criativa. Mas, já agora, aproveito para registar que a minha vida está muito mais animada, ou colorida, com o pequeno a caminhar pela casa. Ao amarelo e branco do chão da cozinha, por exemplo, juntou-se o verde do majericão que ele espalhou convictamente.
Mais lá para a frente talvez conte coisas desta experiência que é fazer um curso de escrita criativa. Mas, já agora, aproveito para registar que a minha vida está muito mais animada, ou colorida, com o pequeno a caminhar pela casa. Ao amarelo e branco do chão da cozinha, por exemplo, juntou-se o verde do majericão que ele espalhou convictamente.
...
11.10.10
Perdi totalmente o controle da situação: Há roupa espalhada pela casa, brinquedos em sítios mais que improváveis, novelos de pó a rolar pelo chão e no meio disto tudo eu sempre despenteada e de lábios gretados. O que vale é que o bebé está feliz.
Banalidades
8.10.10
Ao ler o diário de Virginia Woolf apercebo-me que nos primeiros dois meses do ano de 1915 a única coisa que ela fez além de escrever, ler, passear com o marido, assistir a concertos e, ocasionalmente, jantar com amigos foi limpar as pratas uma vez. Actividade que descreveu como "uma coisa fácil e proveitosa de se fazer". Também tinha intenção, num dos dias, de coser um vestido que se desfez num dos passeios, mas não lhe apeteceu.
Cada vez mais me parece evidente que isto de ter que ganhar a vida a trabalhar é uma tremenda perda de tempo. Ou então, não, é uma forma de não nos suicidarmos aos 50 e poucos.
Virginia Woolf, Diário, Primeiro Volume 1915-1926, Tradução Maria José Jorge, Bertrand Editora, 1987
A lentidão dos dias
7.10.10
Esta coisa de ter um bebé de um ano, uma filha que perde as pautas do órgão a caminho da piscina e que nunca sabe onde deixou as sapatilhas, um humor próprio do primeiro trimestre da gravidez, mais a mudança da casa é capaz de ser areia a mais para a minha camioneta. E eu tenho uma camioneta daqui até ao Brasil, mas a bem dizer a areia é da grossa, daquela da praia da Póvoa.
É que ainda por cima preciso de me levantar 20 vezes durante a noite para fazer xixi, logo agora que o bebé dorme razoavelmente e quando não o faz o pai trata dele! Também começaram as insónias e os sonhos totally freaks para ajudar à festa.
Talvez a doutora do hospital tenha razões para ficar chocada ao ouvir que não tenho ninguém para me ajudar com o bebé (tirando o pai, claro), talvez eu devesse falar com pessoas verdadeiras e não com as que estão na minha cabeça, ou, quem sabe, podia tentar ir ao ginásio e ao cinema, mas quando, quando????? ao fim do dia estou morta e às 8h30 (quando o ginásio abre) quase a morrer.
Enfim, pelo menos os meus amigos fizeram o favor de se meter à estrada num dia de inverno para cantar os parabéns ao Isaac e, dessa forma, evitar que eu tivesse de viver com o meu pior pesadelo: uma festa sem ninguém.
É que ainda por cima preciso de me levantar 20 vezes durante a noite para fazer xixi, logo agora que o bebé dorme razoavelmente e quando não o faz o pai trata dele! Também começaram as insónias e os sonhos totally freaks para ajudar à festa.
Talvez a doutora do hospital tenha razões para ficar chocada ao ouvir que não tenho ninguém para me ajudar com o bebé (tirando o pai, claro), talvez eu devesse falar com pessoas verdadeiras e não com as que estão na minha cabeça, ou, quem sabe, podia tentar ir ao ginásio e ao cinema, mas quando, quando????? ao fim do dia estou morta e às 8h30 (quando o ginásio abre) quase a morrer.
Enfim, pelo menos os meus amigos fizeram o favor de se meter à estrada num dia de inverno para cantar os parabéns ao Isaac e, dessa forma, evitar que eu tivesse de viver com o meu pior pesadelo: uma festa sem ninguém.
Vida de emigrante
6.10.10
Mais uma vez voltámos mais cedo para Lisboa do que previsto. É estranho isto de termos os amigos, os afectos, a família lá e a nossa vida cá...
Subscrever:
Mensagens (Atom)

O mercado de Campo de Ourique.