E apesar de ultimamente se andar a falar sobre a nossa capacidade de mudar a vida, mudando a forma como pensamos, a tal da neuroplasticidade, eu sou o que sou e quero continuar a exorcizar os meus demónios da mesma forma.
Neste momento, há duas coisas que me preocupam, o "insucesso" escolar dos meus filhos e a mudança de casa. Provavelmente isto são dois, ou vários, posts diferentes, aliás, acho que não tenho falado de outra coisa neste blog a não ser de filhos e mudanças de casas, por isso não vamos contrariar esta tendência, até porque eu gosto de remar contra a maré e não vejo interesse em atirar mais achas para a fogueira da hiperpolítica.
Tinha pensado começar pelo insucesso (sem aspas, porque apesar de o sucesso ser um conceito relativo, não há como não determinar o sucesso e o insucesso escolar) dos meus filhos, mas percebi que precisava de ter mais dados sobre o nosso sistema de Educação para provar o meu ponto de vista - que não passa pela desvalorização da escola, antes pelo contrário, é mais sobre questionar o meu posicionamento face ao ensino que temos (tudo é política). Assim sendo, fico-me pela mudança de casa.
É claro que eu gostava de falar sobre isso com um contrato de arrendamento assinado, mas ou somos recusados depois de entregar os documentos que pedem - recibos de vencimento, declaração de IRS, fiador -, ou somos aceites e passado uma semana somos informados que afinal o preço já não é 850€ por um T2, mas 1000€. Portanto, a mudança de casa ainda não aconteceu, mas estamos nesse processo e não consigo deixar de pensar que ou estou a ter um ''déjà vu'', ou estou a ter uma oportunidade de começar de novo do mesmo ponto de partida, mas com mais 30 de anos em cima.
Isso não deveria assustar-me, afinal agora sei para o que vou (sei?). Há 30 anos fui cheia medo e de sonhos, agora vou com dois filhos menores, dois gatos, uma cadela e um companheiro de vidas. E vou cheia de medo e de sonhos na mesma. Quer dizer que não cresci? Quer dizer que estou a ser castigada, ou premiada? Porque será tão difícil contar uma versão da minha vida que me sirva? Devo sair daqui como Calita, ou Carla*, o nome que mais ouço chamar por mim, nos últimos anos. Ainda hoje ao almoço o meu filho mais novo disse qualquer coisa sobre não saber qual era o meu nome, afinal. Tenho sempre mais perguntas que respostas e isso é bom, não é?
*Se até o Jaime, que sempre me chamou Calita marca uma mesa para mim no nome Carla, deve querer dizer alguma coisa
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