Pessoas descompensadas

4.2.15
Foto de Pedro Santos

A C. do Lifecooler mal viu que eu tinha regressado ao blog (sou uma pessoa tão pouco consistente, valham-me os deuses) pediu-me um texto sobre teatro com urgência.
Eu não conheço bem a C., só almoçamos juntas três vezes, mas gosto dela. Aparenta ser uma pessoa equilibrada e acho que é por isso que estar com ela é muito reconfortante. Não que eu seja desequilibrada, simplesmente não consigo manter um emprego durante muito tempo, nem o próprio negócio durante muito tempo e desisto a meio de quase todos os meus projectos.  
E o que é que isso tem a ver com o teatro? Ora, provavelmente nada mas a relação que fiz na minha cabeça foi a de que pessoas como eu, que gostam muito de teatro e que podem ir ao teatro não vão assim tantas vezes ao teatro. Aliás, fazem poucas coisas que realmente gostam e depois azucrinam as pessoas à sua volta, porque são umas injustiçadas, coitadas!
E já que estou numa de autocomiseração decidi contar as vezes que fui ao teatro nos últimos tempos (ah, nunca duvidar da utilidade de um blog):

- Quizoola Lisboa! dos Forced Entertainment
- Noite do Manifesto 
- As Criadas, encenação de Luc Bordy
- Durações de Um Minuto de Clara Andermatt e Marco Martins
- O Ginjal ou o Sonho das Cerejas, encenação de Mónica Calle

Pois, basicamente, é vergonhoso! Mesmo que me tenha esquecido de alguma peça, isto dá pouco mais de uma ida ao teatro por ano. Tenho mesmo de equilibrar isto e ir ver, pelo menos, três peças de teatro seguidas, ou então posso esperar por Julho e ver todas as peças do Festival de Almada, onde já fui muito feliz.
Também podia escrever uma peça de teatro (mesmo que seja para desistir passado três páginas), ou ganhar coragem de uma vez por todas e fazer teatro amador. Se calhar até nem corria muito mal, é que diz-se por aí que os actores são pessoas descompensadas.

3 comentários:

  1. Nem imaginas quanto!
    De todas as coisas que me correm no sangue e que deixo a meio, ou não chego mesmo a começar, o teatro é a que me custa mais, apesar de ser aquela em que penso menos.
    Se calhar, quando me reformar... (não o ir, o fazer, tão bom. Também já fui feliz em Almada, onde descobri Ítalo Calvino e nunca mais o larguei)

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  2. passar para o lado de lá da cortina pode mudar a tua vida:)

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  3. Algo a a postar, quiçá não será aí que estão todos os motivos que te farão nunca desistir. Em caso de dúvida... arrisca :)
    Não quero com isto dizer que te acho descompensada, sem confusões :)

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