05/01/15

That's all folks

Todos os dias, mesmo quando não escrevo no blog, sinto que o Panados e Arroz de Tomate preenche os meus dias. É só um diário de uma mulher neurótica às voltas com os dias que chegam, uns atrás dos outros, que ficou de arranjar uma solução para o filho do meio viver eternamente e encontrar caminhos com rosmaninho e alecrim pelo chão.
É só um diário, dizia, mas sinto que este diário ocupa demasiado espaço na minha vida. Sim, é isso mesmo, é um adeus, até qualquer dia.
Pode ser que daqui a uns tempos volte para contar como foi viver sem contar.
Obrigada por terem estado desse lado.

30/12/14

O meu trialto




Assumo, pensei que vinha aqui dizer que saio destas férias com mais um livro e menos um quilo. Isto por causa de andar a aproveitar o campo para me exercitar mas, na verdade, levo comigo todos os quilos que trouxe, o que em boa verdade até nem é mau, tendo em conta os rojões, o bolo-rei, o sarrabulho, as francesinhas e etc. (e, juro, acho que nunca gostei tanto de um Et cetera).
Portanto, não venho aqui falar do quilo a menos que (ainda) não aconteceu, nem do livro a mais que fez destas férias um sítio melhor, mas sim do meu exercício, mais ou menos, matinal.
Todos os dias escalo 348 degraus. É o caminho mais curto, e mais duro, até ao monte de São Félix (que o diga o desgraçado que o sobe e desce a correr, com que me cruzei) mas é também a representação da via sacra dos crentes católicos, apostólicos romanos. Por isso, todos os dias preciso de uma pequena paragem na estação IX e X - Jesus cai pela terceira vez e Jesus é despojado de suas vestes, respectivamente.
Depois dos degraus, segue-se a corrida por um caminho asfaltado que atravessa uma REN (Reserva Ecológica Nacional). Não sei se é por causa da oxigenação do cérebro, depois da subida, ou se pelo reencontro com um prazer antigo, sei é que ouvir as sapatilhas contra o asfalto e o chiar dos eucaliptos me enche de uma felicidade inexplicável.
Por fim, a caminhada a descer o monte. Os "bom dia Carla" (sou eu e não sou eu mas, definitivamente, sou eu, a Carla), o mar lá ao fundo, as curvas e contra-curvas, o pinheiro manso, quase a chegar a casa, cujas raízes desenham cicatrizes na estrada de paralelos.
Sim, não perdi um único quilo mas ganhei um livro e uma quase reconciliação comigo.
Parece-me uma excelente forma de começar um novo ano. Melhor do que aquela em que estava com a pássara a arder.

26/12/14

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

Quantas pessoas receberam neste Natal "O meu Amante de Domingo" e o leu todo de seguida?

(Foda-se, que livro do caralho!)
(Aqui no campo uma pessoa parece que se questiona mais vezes)

23/12/14

Breve interrupção para uma pergunta muito pertinente

Ok, admito, as chamadas "paz podres" não são para mim mas, foda-se, a minha vida tem mesmo de ser uma peça do Tracy Letts?

19/12/14

Feminismo

Antes de entrar no carro falta ainda dizer uma palavrinha sobre a Maria Capaz, que tem um texto meu sobre o Boyhood. E para isso vou transcrever um pequeno diálogo com a Helena Ferreira, que diz quase tudo.

Helena Ferreira - Não tenho Maria no nome, sou Capaz do que quiser ou conseguir, já me chamaram tantas vezes feminista que não é possível lembrar e sou completamente contra este tipo de guetização das mulheres que as próprias mulheres promovem.
Não vivemos no tempo das sufragistas, os direitos já foram adquiridos, agora temos de os fazer valer, taco a taco no mundo que tem de ser dos homens e das mulheres.

Calita Fonseca - Concordo com quase tudo o que dizes. Só não tenho a certeza se este tipo de projectos são uma guetização. Faço parte de um grupo de pessoas, sobretudo mulheres, infelizmente, que querem flexibilizar o trabalho para terem mais tempo para a família. Eu fiz a minha opção, que foi deixar de ter um emprego por conta de outrem, mas acredito que criar grupos de discussão, grupos de pressão possam pôr as pessoas a pensar nos assuntos e a mudar mentalidades. Este pode ser um desses casos. Eu sou feminista, como tu, mas há tantas mulheres machistas, há tanta mentalidade para mudar! Não sei se é desta forma, provavelmente não, mas merece uma oportunidade.

Helena Ferreira - Os nossos objectivos só são atingidos se incluirmos os homens nos nossos propósitos. Mulheres reunidas a falar do mal que a sociedade ainda nos faz a mim só me causa desinteresse e não acredito na sua eficiência.

Calita Fonseca - Sim, isso é verdade.

Helena Ferreira - Há dias um amigo HOMEM partilhou isto: «Muita gente defende o feminismo e não leu Judith Butler ou Simone de Beauvoir. Sempre que se vir um pai a lavar a loiça ou a brincar com a filha ou um avô a ensinar o neto a partilhar os brinquedos, há mais transformação social nisso do que em todas as bandeiras vermelhas que vocês possam levar para uma manifestação. E se não percebermos que isso pode servir para unificar, eles hão-de continuar a rir de nós.»
Diz tudo aquilo em que acredito. A mulher que sou hoje sou-o por causa da educação que o meu pai me transmitiu, não foi a minha mãe.

18/12/14

Vou à terra

Aqui em Lisboa ouço muitas pessoas dizer que vão à terra. Vão passar o fim-de-semana à terra. Vão passar o Natal à terra e por aí fora.
Fico a olhar para elas com muita vontade de dizer "eu também gostava muito de morar no espaço" mas, quase sempre, sorrio e aceno com cabeça.
Também sorrio quando conheço pessoas que dizem que lêem o meu blog mas o que me apetece é fugir, desatar a correr como uma maluquinha.
Estou a ficar uma pessoa muito civilizada é o que vos digo.
Feliz Natal e até qualquer dia.

17/12/14

Presentes





Eu sou das que gostam de oferecer presentes que gostaria de receber. Quando a pessoa que os recebe gosta tanto como eu, então, há assim uma espécie de chuva de estrelas.
O melhor destes presentes é serem artesanais (feitos por mim e pela Patrícia) e comprados no comércio tradicional (o frasco e o sabonete).

16/12/14

É assim

Basicamente, as minhas limitações não permitem muito mais do que isto. Pretender a grandeza é apenas mais uma belíssima forma de imitar a vida. Nem todas temos corações de pássaro. É assim.

15/12/14

De tempos a tempos

Estava aqui a ver um antigo episódio do House, aquele em que ele começa a cozinhar para não consumir vicodin, e senti algumas saudades das minhas obsessões. De quando podia ser teimosa, irracional e egoísta - três características muito pouco simpáticas, admito, mas que me permitiram saltar uma quantas barreiras na prova dos 400 metros que foi o meu percurso de tempos a tempos.
É bom, por ser também um desafio olímpico, tentar manter uma certa estabilidade e fazer de conta que o fazemos pelo bem estar das nossas pessoas (e, pelo caminho, inventar algumas doenças), quando na verdade não fazemos a mínima ideia do que estamos a fazer mas, caramba, quantos projectos mirabolantes perdeu o (meu) mundo, entretanto.
Por exemplo: a adaptação para o cinema do livro de Amin Maalouf; a casa no campo com galinhas, cabras, um burro e um tear; as voltas pelo(s) mundo(s); as aulas de música; o curso de sociologia e medicina e por aí fora.

13/12/14

Eis que o impensável acontece

Jovenzinho dirige-me a mim, num bar, com uma conversa enrolada qualquer, digo-lhe que tenho idade para ser mãe dele e mando-o ir brincar para um canto. Ele vai mas antes faz questão de referir que a mãe dele tem 74 anos.