21/11/14

Tenham muito medo



E o que eu gostei de intervalar o trabalho para fazer uns falafel para o almoço mais uns muffins de aveia e banana! E deliciosos que estão!
Não leva muito tempo estou uma sopeira feliz e tudo.

19/11/14

Saltos no tempo

Há certos gestos ou acontecimento que, automaticamente, me fazem viajar para outro sítio, assim mesmo como nos filmes. Uma pessoa agora está aqui e no momento seguinte foi parar a outro lado (não sei se existe um termo para isto. Tenho a impressão que sim). Dou dois exemplos, que são os mais frequentes:

1- Sempre que estou a picar salsa, entro no filme da Agnès Varda, Os Respigadores e a Respigadora, e vejo claramente aquele senhor a apanhar salsa de um caixote do lixo e a explicar, enquanto trinca o caule, que a salsa tem muito zinco.

2- Quando encontro um cabelo na comida (sim, acontece-me com bastante frequência), lembro-me de um almoço em Newark, em casa dos pais da Mrs. Carrol. Foi num sábado e a mesa estava posta com o melhor serviço, porque comentava-se por lá que nós, na Europa, comíamos de faca e garfo todos os dias e não apenas em ocasiões especiais.
Ora, como a mãe da Mrs. Carrol era italiana sabia muito bem o que tinha a fazer. A comida estava divinal, claro, e nós, eu e a minha outra amiga portuguesa, estávamos sentadas muito direitinhas à mesa para não dar parte fraca. Nisto, encontro um cabelo no meio da salada. Fiquei para morrer, uma vez que sabia que não devia deixar comida no prato. Depois de muito pensar e remexer na comida decidi que tinha de comer o cabelo. E assim fiz.

18/11/14

A minha filha saiu à noite

Antes do jantar
- Quem é que faz anos, Bea?
- Já te disse não sei quantas vezes que é a Mariana.
- Ah, pois, mas não me lembro de nenhuma Mariana na tua turma.
- Isso é porque é da minha turma do coro. Ela está no 10.º ano noutra escola.
- Ah, ok. Espera, no 10.º ano? isso quer dizer que faz 16 anos (a Bea tem 13)!
- É.
- Mas, então, vão embebedar-se!!!
- (chocada) A que propósito?
- Bom, hmmmm, quer dizer, não sei, mas aos 16 anos pode acontecer, sei lá, digo eu, de se experimentar bebidas alcoólicas.
- Isso não sei. Sei é que a Mariana não bebe álcool. Tenho quase a certeza.
- E se beberem todas o que vais fazer?
- (com ar daaaã) Vou beber água, ou sumo, obviamente. Tenho 13 anos.
- Pronto. Então liga quando terminar o jantar.

10h50 toca o telefone
- Tou, olha mamã, só acabamos agora de jantar e estávamos a pensar ir comer uma sobremesa à baixa, pode ser?
- Sim, está bem. Quando terminares liga para te irmos buscar.
- Está bem, mas eu posso ir de metro, não há problema.
- Está bem, liga e logo vemos.

Meia hora depois ligo-lhe eu a insistir que era melhor ir buscá-la, que preferia que não andasse de metro sozinha àquela hora.

11h45 recebo um sms
"Podem apanhar-me daqui a 15 minutos na Rua Augusta?"

A minha filha é a Cinderela e trata-me por mamã. É a pirosice mais fixe do universo.

17/11/14

Merda

Daquilo que me é dado observar, existem três tipos de pais/mães:

1- Os que fazem os filhos sentirem-se uma merda mas que estão lá a apoiá-los quando fazem merda.

2- Os que não fazem os filhos sentirem-se uma merda mas estão sempre à espera que façam merda para poderem dizer que tinham razão.

3- Os que se acham tão espectaculares que, obviamente, só podem ter filhos espectaculares. É claro que os filhos até podem fazer merda mas a deles é cheirosa e de um castanho luminoso.

Isto é muito interessante de analisar quando somos filhos. Agora, enquanto pais é outra conversa.

14/11/14

A canção do cometa

Saio do Centro de Saúde sem conseguir ser atendida mais uma vez e, já na rua, ouço parte de uma conversa:
"Ele tem de se focar num objectivo, assim não pode ser, não pode estar a fazer informática hoje e amanhã meias".
Sorrio.
Entro no eléctrico e olho para o meu caderno. Numa página respostas de uma entrevista, na outra desenhos de patchwork para mantas e a seguir listas de compras e menus.
Sinceramente, não sei é como se pode viver de outra forma que não esta, sobretudo num mundo em que já se ouve um cometa a cantar.

13/11/14

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

Qual é o vosso código CAE?

O peso das coisas

Eu e o Jaime não trocamos prendas de Natal há alguns anos. Bem, não podem ser assim tantos, porque só estamos juntos há seis. Seja como for, a certa altura pareceu-nos descabido e decidimos não comprar nada um para o outro. No primeiro ano em que o decidimos, obviamente comprámos na mesma, mas depois passámos a oferecer um ao outro coisas simbólicas: um cachecol feito por mim; uma lista de intenções; um guia de Budapeste...
Gosto muito mais assim. Faz muito mais sentido assim. Por isso, a sério que não percebo, porque é que este anos me apetece tanto receber um par de botas, ou um telemóvel novo, daqueles que dá para tirar fotografias, ou um computador.
E não, isto não é uma wishlist. 

12/11/14

Isto assim é muito complicado

No dia em decido fazer uma tarte de grão-de-bico para me entregar à gula que aparece, sempre, à hora da ceia, apetece-me comer chocolate.

10/11/14

Dias perfeitos

No sábado de manhã, uma lição de esgrima histórica para uma reportagem. Precisava de levar calças de desporto escuras e sweatshirt branca. Não tinha nenhuma e por isso transformei duas t-shirts numa sweat. Ficou apertada nas mamas e quando me vi ao espelho estava com os bicos espetados. Paciência.

No sábado à noite, seis horas numa peça de teatro.
A melhor pergunta/resposta: Qual a qualidade mais sobrevalorizada? (pergunta Vera Mantero) A iniciativa própria (responde Jorge Andrade).
No fim, mais duas horas a pesquisar personagens do Roque Santeiro e a cantar a banda sonora da novela.

Há dias perfeitos, foda-se.

07/11/14

O autor sossega-me

António Lobo Antunes teve a amabilidade de explicar, no ípsilon de hoje, porque é que estou sempre a pôr de lado o livro dele: "Mas acho que uma parte da obra, aquela mais experimental, em que tento algumas coisas novas para mim como na Exortação aos Crocodilos (1989), Não Entres tão depressa Nessa Noite Escura (2000), Eu Hei-de Amar uma Pedra (2004). Aqueles calhamaços são difíceis de ler como o caraças e eu achava aquilo claro e estava todo contente. Com a vida que há agora é muito difícil ler aqueles livros. Não dá para estar sempre a interromper. A vida não é assim, as pessoas têm de trabalhar no dia seguinte. Isto devia apanhar-se com uma doença."

Adenda: acabei de ver, nos comentários do Post em que falo do autor, que mais alguém leu a entrevista. Obrigada, Dani.