05/03/15

Não percebo

Depois de avisar que ia jantar fora com uma amiga ouço-o dizer em tom de euforia:
- Bea, vamos poder comer comida processada, no Sábado! E depois correram um para o outro e abraçaram-se emocionados.
Juro que não percebo, esta semana até fritei bolinhos de bacalhau e tudo, daqueles comprados congelados. 

02/03/15

Até parece que me estou a exibir

Ele é listas de peças de teatro, listas de escritores, até parece que me estou a exibir. E estou, na verdade, mas o mais estranho é que nem sequer acho que tenha razões para o fazer.

01/03/15

As gajas devem estar loucas

Recebi uma mensagem sobre o projecto da Aida e pensei: "Outra vez as mulheres. Queres ver que o feminismo vai virar moda e vamos ter barbearias para feministas; colecções Primavera/Verão para mulheres que lutam pela igualdade de direitos; promoções para conseguir o look Frida khalo (estou tão à frente, com as minhas sobrancelhas e farto buço!); capas de jornais de referência com mamas descaídas ou, melhor ainda, lábios de pipis descaídos; mães a invadir restaurantes finos com as crias a mamarem das suas tetas, ao lado de mães que não amamentam por variadíssimas razões, etc. etc."
Isto tudo em milésimos de segundos, porque a cena da livraria de mulheres começou como que a explodir fogo de artifício na minha cabeça. Assim de repente, uma livraria de mulheres seria o local privilegiado para, finalmente, elaborar a minha lista de escritoras que tiveram filhos e tentar perceber qual o papel da maternidade na sua escrita. Ou, simplesmente, ter acesso a livros escritos por mulheres que nas livrarias generalistas normalmente não se tem.
Também há livros escritos por homens que não se encontram nas livrarias generalista, pois claro, mas não se vai abrir uma livraria de homens, por causa disso, pois não? Talvez, daqui a uma centena de anos, quando estiverem em minoria entre os clássicos da literatura.
Voltando à livraria, li tudo o que havia para ler sobre a Confraria Vermelha e fui ouvir a Aida na apresentação do projecto, aqui em Lisboa. E que marabilha foi ouvir a parte que ouvi (tive de sair a meio). É impossível não ficar grudada na Aida, não só pela forma como fala, e juro que não tem nada a ver com a pronúncia, apesar de assumir que, desde que vivo na capital, quase tenho orgasmos quando me falam em portuense, ou como conta histórias mas, sobretudo, pela notória paixão que nutre pelo sonho que persegue há alguns anos.
Se puderem, contribuam na campanha de crowdfunding, porque eu queria muito ter uma livraria destas em Portugal (há cerca de 50 espalhadas pelo mundo). Não que o vosso dinheiro deva ser aplicado na concretização dos meus desejos, obviamente, mas ao fim e ao cabo é uma razão como outra qualquer para gastarem cinco euros bem gastos.

Mas há uma razão ainda mais egocêntrica para falar sobre isto. É que a Aida costuma exemplificar a necessidade de uma livraria deste género com um jogo que consiste em dar uma lista de mais de uma centena de escritoras e propõe que indiquemos dez que conhecemos bem, mesmo que não tenhamos lido nada delas. Depois, dessas dez devemos identificar cinco, cuja obra conhecemos, ou que tenhamos lido alguma coisa.
Primeiro, fiquei em estado de choque com o número de escritoras que não conheço. Depois, ao identificar as que conheço e as que já li (a negrito) fiquei a sentir-me menos mal:

27/02/15

Improviso

De manhã vieram os dois deitar-se na minha cama.
- Hoje há escolinha, perguntou o Isaac
- Sim mas se quiserem podem ficar em casa, querem?
- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiim

De maneiras que agora vou ali preparar um piquenique.

26/02/15

A vida pula e avança

No espaço de seis meses três amigas minhas separaram-se. Três amigas que andam às voltas com angústias e mágoas e algum alívio. Nesse mesmo espaço de tempo, uma foi mãe e outra engravidou de gémeos.
Uma pessoa, que tem como ponto alto da sua vida a separação do DIU (à terceira tentativa), até fica ourada.

25/02/15

Futilidades

Acabei de abrir o e-mail da Epal com a conta da água. Diz que vou pagar mais de saneamento e resíduos sólidos do que de consumo da água. Assim de repente parece-me completamente justo, porque a água, bem vistas as coisas, até devia ser grátis, como o sol e o ar (por enquanto), mas tratar dos resíduos é toda uma outra ciência.
Só que vai-se a ver e, às tantas, isto é tudo uma questão de perspectiva, de interpretação. Uma questão de saber ler (não como os analfabetos funcionais sabem) nas entrelinhas (não como os astrólogos).
Passa-se o mesmo quando se pede ao cidadão comum - que é aquele que, como toda a gente sabe, tem conhecimentos em Ciência Política, Estudos Europeus, Relações Internacionais, Economia e Estatística - que perceba claramente os diferendos entre Eurogrupo*e Grécia, por exemplo.
Enfim, um dia destes o meu sobrinho vai explicar-me tudo muito bem, enquanto isso vejo séries. As séries de médicos e as de grupos de amigos são definitivamente as melhores. 

*Um dia destes ainda me hão-de explicar, talvez à luz do darwinismo social, o que é isto ao certo.

Finalmente

Temos um génio na família. O meu sobrinho de 7 anos, o filho mais novo da minha irmã, tem um Q.I de 158. Eu sabia que nos nossos genes corre uma certa inteligência*.

É impossível provar-se a hereditariedade da genialidade mas isso agora não interessa nada.

23/02/15

Há sensações universais #9

"Talvez que, à medida que se vai andando, se aprenda alguma coisa. A mim não me interessava o que isso seria. Só queria saber como viver nisso. Talvez que, uma vez sabido como viver nisso, se acabe descobrindo o que isto tudo é."

Ernest Hemingway, O Sol Nasce Sempre (Fiesta), Livros do Brasil, 1996

Um dia de domingo.

A revista do Público fez um especial sobre alimentação. É o tipo de trabalho jornalístico que me encanta (ler com pronúncia galega, porque sim). Li todos os textos de enfiada e no fim não me apeteceu seguir nenhuma das dietas em particular, apeteceu-me seguir todas. Gostei muito de ler sobre o glúten, sobre a lactose e a lactase, os crudívoros e os "paleos" mas depois tive de levar com um recado do Universo, essa entidade irónica, que escolheu precisamente o domingo para me dizer que em vez de estar preocupada com o que ingerimos devia era preocupar-me com o que resta, depois da digestão. Isso mesmo, estamos a falar de merda.
Mas porquê? porquê? perguntam vocês. Porque, caras pessoas, uma das sanitas cá de casa entupiu e de cada vez que alguém puxava o autoclismo na outra sanita, a água e outras substâncias que não precisam de descrições iam ter ao poliban (que raio de palavra) do WC, cuja sanita está entupida.
Sim, foi um domingo divertido

18/02/15

Não é bem uma conclusão

Gosto muito de viver nesta época. Cada vez que penso nisso chego à conclusão de que viver nesta época é mesmo muito bom, temos antibióticos, anestesias e aviões que nos levam para paraísos longínquos e que contribuem para a destruição dos mesmos mas isso agora não interessa nada, temos também uma coisa chamada internet que nos leva para onde queremos e não queremos ir. 
Mas o que esta época tem de mais interessante é a forma como se vive a maternidade/paternidade nos dias de hoje. Os filhos podem andar atrelados aos pais sem que isso seja visto como uma coisa de pobres. 
Mães que ficam em casa a cuidar das suas crias e que as penduram em slings já não são as mesmas desgraçadas que passavam dias inteiros nos campos com as crianças metidas em cestos, são mães modernas que fizeram uma escolha. Mesmo as que não podem fazer essa escolha fazem das tripas coração para passar tempo com os filhos, proporcionar-lhes momentos de afecto, entre banhos e jantares e trabalhos de casa. 
E para quê, pergunto eu? Porquê tanto empenho na educação de uma criança? Acabamos todos fodidos da cabeça na mesma, afinal.