Acordar

6.2.15
Deixei-me estar na cama deles (foi uma daquelas noites de troca de camas), depois de saírem com o pai, que os vestiu e os levou à escola. É cada vez mais raro não conseguir levantar-me mas ainda acontece.
Antes de abrir os olhos tomo consciência da minha "exuberante calcificação do tendão supra-espinoso com cerca de 14mm" que tem feito a vida negra ao meu ombro e braço direito. Sinto o mau hálito ao engolir saliva cheia de peptococcus e outras bactérias e confirmo que uma das amígdalas, a direita, continua dorida. Viro-me de lado e deixo que a mão direita repouse sobre a barriga macia, sobre a barriga flácida a cair em direcção ao colchão. Todos os ossos do meu corpo pedem que saia da cama mas os músculos não querem obedecer, as ordens que recebem são confusas.
Depois, o Isaac vem dar-me um beijo e, antes de sair, abre as persianas. O sol entra no quarto e a escuridão dá lugar a um nevoeiro cor de laranja. Viro-me de barriga para cima e abro os olhos devagarinho, fico durante algum tempo a ver as minúsculas formas no ar, como se estivesse a ver células num microscópio e decido que tenho de me levantar.

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