Este blog podia irradiar glamour, a sério, eu tenho a matéria prima, e alguma imaginação, vá, para isso. Eu podia vir para aqui mostrar-vos como se pode ser CEO de uma empresa em crescimento, mãe de três filhos e fazer voluntariado.
Diria que nem sempre é fácil, mas enfatizaria as conquistas e deixaria implícita a minha tremenda capacidade de trabalho, aliada a um talento nato. Depois, mostrava fotos bem tiradas, com os meninos vestidos de camisa (eles vestiram uma vez e ficavam bem giros com aquilo). E seria tudo, ou quase tudo, mentira.
Sim, eu sou sócia gerente de uma empresa, tenho três filhos e estou a cuidar da minha avó durante um mês, por livre e espontânea vontade, mas tenho muitas dificuldades para sair da cama de manhã, passo mais tempo na cozinha e a tratar da roupa, do que em reuniões, ou a dar entrevistas e estou aqui em frente ao computador com ar de sem abrigo.
Eu sou como a minha avó na igreja de S. Roque, no domingo passado, a meio de um concerto de música clássica. Enquanto a orquestra tocava a Cantata nº 73, Herr, wie du willt, so schick's mit mir, de Bach, a minha avó surda vira-se para mim: "Achas que falta muito? Eu tenho de ir mijar".