Apesar de este blog ter tido diferentes abordagens ao longo do tempo, que foram acompanhado, umas vezes melhor, outras pior, as diferentes fases da nossa vida, gosto de acreditar que fui sempre honesta, fiel aos meus sentimentos.
Normalmente, nas redes sociais, mostra-se o lado bom da vida e ainda bem, suponho. Mas quanto fica de fora? É que olhar para a nossa vida, para as nossas escolhas, para tudo o que fizemos e o que nos aconteceu em retrospectiva é uma coisa. Nesse caso, é natural que nos lembremos das coisas maravilhosas que vivemos.
Bem, a acreditar na teoria de Reviver o Passado em Montauk, no fim da vida há duas coisas que importam: As coisas que lamentamos ter feito e não podemos desfazer e as coisas que não fizemos e devíamos ter feito, e que também lamentamos. E essas duas coisas são tudo o que importa.
Seja como for, um blog funciona (ou funcionava) como um diário e na vida de todos os dias acontece de tudo.
Hoje faço 46 anos e não me apetece festejar. Não é novidade, raramente me apetece, mas este ano é particularmente triste.
A minha filha foi-se embora sem dizer adeus.
Não sei o que escolheu contar a si própria para justificar acordar todos os dias sabendo que não vai falar comigo. Eu acordo todos os dias a tentar não desaparecer dentro do buraco negro que se abriu no meu peito. Não se vê, claro, mas é absolutamente real. Tão real que tenho medo de ver engolidos todos os que me rodeiam.
Não vou entrar em detalhes, como será fácil compreender, há privacidades que devem ser respeitadas. Não é à toa que se fala tão pouco de filhos adolescentes.
A Bea, que sempre fez parte deste blog, tem 18 anos (faltam 21 dias). Tem idade para decidir o que quer fazer e viver com essa escolha. Eu não concordar com essa decisão faz parte.
O que eu não esperava era tanta ingratidão (nem acredito que estou a dizer a coisa que sempre mais odiei ouvir da minha mãe) e indiferença.
A minha menina, que nunca foi minha mas que faz parte de mim, não está comigo.
Podia só não estar a viver comigo, isso seria normal e até expectável, mas a minha filha, a minha menina, escolheu não estar comigo, connosco.
Nem sempre as coisas correm bem, por mais que façamos aquilo que achamos que está certo. E se calhar valia a pena falarmos mais sobre isso.
Daqui a uns tempos vou olhar para isto como uma fase terrível, necessária e passageira (dando mais ênfase a um ou outro adjectivo, conforme o que tiver acontecido até lá), mas agora é uma espiral de sofrimento como nunca tinha experimentado.
Mostrar mensagens com a etiqueta filhos e família em geral. Mostrar todas as mensagens
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Civilizar
6.2.19
Um dia destes estava a olhar para os meus filhos enquanto comiam Nestum, só os flocos, no sofá. Podia ser uma coisa bonita de se ver, até porque estavam relativamente calmos e porque são lindos, obviamente, mas acontece que estavam a comer sem colher. Ou seja, enfiavam a boca e o nariz dentro da malga e aspiravam, ou lambiam os cereais com mais açúcar do que fibras e proteínas.
Sei que houve um momento da contemplação em que quis pedir-lhes para comerem como gente, mas não disse nada. Fiquei só a olhar para eles, fascinada com a "jabardice".
Há coisas incríveis nos dias das mães e dos pais quando as crianças são pequenas, mas aquilo que melhor define o dia-a-dia de uma família com crianças, não tenho dúvidas, é a "jabardice".
Eu sei que há pessoas muito bem sucedidas a civilizar a suas crias desde tenra idade, eu não sou uma delas, como já se percebeu.
A certa altura um deles segurou, com o dedinho anelar, um floco que estava a escorregar pelo queixo e eu: ''alto, nem tudo está perdido!'', mas logo a seguir vi-o limpar a boca com a manga da camisola.
P.S Um ano depois mudei, finalmente, o header. Um salva de palmas para o #homemdosmilofícios.
P.S Um ano depois mudei, finalmente, o header. Um salva de palmas para o #homemdosmilofícios.
Não há como ser mãe sem ser louca
25.9.18
Passou mais algum tempo (tem passado cada vez mais entre um post e outro) e eu continuo sem nada de muito relevante para dizer. A partir de que momento comecei a traçar a fronteira entre o relevante para partilhar e o não relevante? Não faço ideia.
Mas continuo a escrever, mesmo quando não escrevo. Como quando estou a comer bolachas recheadas de chocolate, que não me sabem bem, a olhar para a televisão e a escrever. Ou quando estou sentada no chão do quarto a olhar para a capa do livro, na foto ali em cima, e a escrever. Curiosamente, a ouvir a cantoria esganiçada do casal na esplanada do café, para entreter a criança sentada no carrinho, não me dá vontade de escrever. Faz-me pensar nas "pessoas a dormir com a cabeça em cima da mesa, crianças a brincar, homens a cantar, mulheres a falar alto, a fazer-nos rir" do Miguel Esteves Cardoso, lembra-me de mim própria a entoar o Olha a Bola Manel, quando as crianças eram mais pequenas, pensar que o rapaz não deve ser o pai da menina no carrinho, mas não escrevo.
Seja como for, acabei de ver o Tully e não estava nada à espera deste filme. Tinha visto a apresentação, decidido que queria vê-lo e pouco mais. Pois bem, vi-o e achei que precisava de deixar de escrever só na minha cabeça, que a certa altura é capaz de ser preciso ver as palavras escritas. Estava a ver o filme e a pensar que a minha ideia da maternidade estava ali muitíssimo bem retratada. Não há como ser mãe sem ser louca.
"Os pais são todos loucos", disse-me uma vez um pediatra e eu, no auge da minha loucura de mãe de primeira filha, achei o comentário completamente despropositado. Até porque só lhe tinha perguntado quantos dias é que um bebé podia aguentar sem dormir. Ora, se eu não dormia por causa do bebé, logicamente era porque o bebé não dormia, logo poderia morrer por privação do sono. Juro que não percebi a cara de espanto do médico, quando eu estava a fazer tanto sentido.
Enfim, não sei se a loucura pelos filhos (diferente da loucura por causa dos filhos mas com pontos comuns) beneficia alguém que não os profissionais de saúde mental mas, para mim, é claro: Não há como ser mãe sem ser louca.
Enfim, não sei se a loucura pelos filhos (diferente da loucura por causa dos filhos mas com pontos comuns) beneficia alguém que não os profissionais de saúde mental mas, para mim, é claro: Não há como ser mãe sem ser louca.
Ah, as férias!
17.7.18
Nota-se muito que começaram as férias? As férias das crianças, claro, porque eu estou há imenso tempo de férias, como se sabe. A novidade é que agora estamos todos, sendo que os únicos com obrigações de horários nos últimos tempos foram as crianças. Portanto, elas estão de férias e nós estamos a tentar não lhes chatear muito o descanso. Ou seja, é birras todos os dias! É que nunca fazem o que queremos. Nunca. Esperneamos, argumentamos e até choramos e elas: nada. Não se comovem nem um bocado. Até nos disseram no outro dia "tu não pareces um pai" e "tu não pareces uma mãe" em diferentes ocasiões. Temos lá culpa de precisar de levá-las ao pediatra e ao dentista, ou de ter de lhes dar legumes. Dizem que comem sopa todos os dias, DUAS vezes por dia, o ano todo e que têm de se deitar cedo por causa da escola e que agora se não há escola podem ir dormir mais tarde e que se estão de férias não percebem porque têm de comer sopa. Nós batemos o pé, esbracejamos, damos murros na mesa e gritamos mas elas sempre impávidas e serenas. A mais velha, naquele limbo entre a empatia pela situação dos irmãos e o desespero dos pais, mais parece o Dwayne.
Um dia destes levámos com o famoso (i.e. merdoso) nevoeiro da Póvoa (não tão "famoso" como o vento, claro) e achámos que seria interessante ir ver a exposição da Frida kahlo em vez de ir à praia. É claro que as crianças tinham outros planos. Não passaram o ano todo a trabalhar para agora se meterem num carro durante 20 minutos para ir ver uma exposição. "Uma exposição?!? a sério que viemos até aqui para ver uma exposição quando eu estou cheio de fome?", grunhiu o mais novo, que dentro do CPF ainda achou que devia referir que conhecia perfeitamente"aquela senhora", das aulas de artes, e que continuava com vontade de ir embora, porque tinha fome.
Começou-me a tremer o lábio e os olhos a saírem das órbitas mas eles sempre naquela espécie de calma, tanto a recusarem perceber do que tratava o documentário da sala quatro, como a mostrarem as incríveis habilidades no parque infantil da Cordoaria, enquanto o pai foi a correr à procura de um multibanco. Eles tinham fome, ou o mais novo tinha fome (lembram-se?) e nós demorámos muito tempo a chegar à esplanada das Virtudes.
Felizmente bebemos vinho suficiente para aguentar até à festa de apresentação dos novos equipamentos do Futebol Clube o Porto, que ficava a caminho da Conga, onde comemos as bifanas necessárias para subir à Torre dos Clérigos e a seguir ficámos cansados o suficiente para não querer saber das reclamações deles.
Fazemos sempre tudo o que eles querem, não percebo porque se queixam tanto.
Ser mãe
29.5.18
No fim-de-semana tivemos a feliz ideia de ir ver onde nasce o rio Tua. Uma desculpa como outra qualquer para irmos comer alheiras e posta à mirandesa à origem.
E já que íamos para Trás-os-Montes nada como aproveitar para estarmos mais próximos da Natureza.
Já lá estávamos no alpendre da casa onde dormimos, a beber vinho saído das proximidades, enquanto as crianças corriam livres e descalças, claro, quando o Nicolau se aproximou e perguntou se podia ter formigas como animais de estimação (antes tinha tentado com um escaravelho, sem sucesso). Nós dissemos que seria muito difícil, mas não quisemos dissuadi-lo. Ele acabaria por perceber sozinho.
Passados poucos minutos ele aproxima-se com o copo das formigas e começa a esmagá-las.
- Nicolau, estás a matar as formigas?
- Sim, vou comê-las?
- Mas não se mata animais de estimação!!
- Queres que as coma vivas?
Ora bem, eu não queria que ele as comesse, vivas ou mortas , mas fiquei sem saber o que responder ao certo. Nós comemos porcos, vacas, galinhas e outros animais que são mortos para o efeito, portanto fica difícil argumentar.
Esta capacidade que eles têm de me desconcertar surpreende-me sempre e é muito por isso que ser mãe é tão extraordinário.
E já que íamos para Trás-os-Montes nada como aproveitar para estarmos mais próximos da Natureza.
Já lá estávamos no alpendre da casa onde dormimos, a beber vinho saído das proximidades, enquanto as crianças corriam livres e descalças, claro, quando o Nicolau se aproximou e perguntou se podia ter formigas como animais de estimação (antes tinha tentado com um escaravelho, sem sucesso). Nós dissemos que seria muito difícil, mas não quisemos dissuadi-lo. Ele acabaria por perceber sozinho.
Passados poucos minutos ele aproxima-se com o copo das formigas e começa a esmagá-las.
- Nicolau, estás a matar as formigas?
- Sim, vou comê-las?
- Mas não se mata animais de estimação!!
- Queres que as coma vivas?
Ora bem, eu não queria que ele as comesse, vivas ou mortas , mas fiquei sem saber o que responder ao certo. Nós comemos porcos, vacas, galinhas e outros animais que são mortos para o efeito, portanto fica difícil argumentar.
Esta capacidade que eles têm de me desconcertar surpreende-me sempre e é muito por isso que ser mãe é tão extraordinário.
Domingo de manhã
22.8.17
O meu pai é o da direita. No meio está o irmão Ismael e à esquerda o António
O meu pai morreu há 31 anos. Tinha 35, portanto este ano entraria na reforma se ainda estivesse vivo. Não sei se ainda teríamos o minimercado "S. Félix" e se ele assaria frangos ao domingo de manhã. Passou a ser quase uma tradição sair da missa e ir comprar frangos ao Cirilo. Depois era só preparar um arrozinho, uma salada de alface e tomate e fritar batatas. Ficava-se assim com o almoço de domingo composto sem ter de deixar o assado no forno e alguém a por um olhinho para não queimar, enquanto se cumpria o dever cristão.
Em nossa casa também se comia, de vez em quando, frango ao domingo, mas como a minha mãe e avó não gostavam, continuámos fieis ao lombo assado.
A minha mãe decidiu fechar o minimercado depois de o meu pai morrer e a minha avó teve de ir com o livro dos calotes bater à porta das pessoas para pedir o dinheiro que deviam.
Tanta coisa mudou desde o final dos anos 80, inclusive a idade da reforma.
Claro que se o minimercado ainda existisse já não íamos à feira de Barcelos, à quinta-feira, comprar a fruta. Nem vinham os "viajantes" recolher as encomendas para serem entregues não me lembro em que dia da semana. Seria tudo muito diferente.
Talvez o sorriso do meu pai ainda fosse bonito.
Também poderia acontecer de o meu pai ser bem sucedido na política, como ansiava, e chegasse a Presidente da Junta, já que era uma pessoa bastante querida e popular lá na aldeia. E se os meus pais ainda estivessem juntos, ele era capaz de conseguir fazer um bom trabalho. Mas não estou a ver como o casamento deles poderia continuar a funcionar, se é que alguma vez funcionou, depois da C.
Um dia perguntei à minha mãe se a C. saberia que ele tinha morrido. Ela disse que provavelmente não.
Quando recordo a minha infância tenho a mesma sensação que Marit, uma personagem de um conto de James Salter, sinto que está lá quase tudo como um romance muito parecido com a minha vida.
E no entanto, aos 35 anos, a idade com que o meu pai morreu comecei outra vida.
O vestido amarelo
7.8.17
Numa tarde fizemos um vestido amarelo (nota para mim própria: nunca mais costurar alguma coisa a partir de tutoriais de youtubers). Foi uma tarde com muitas tardes, e vestidos, dentro. Por exemplo, as tardes dos vestidos da Inês de Castro e da Jasmin quando ela estava no infantário. Aquela outra do vestido da Alice no País das Maravilhas, quando estava na primária, igual ao que vestia numa tarde em Paris, quando viajámos sozinhas. Ou a tarde que se prolongou pela noite dentro por causa do vestido do século XVIII, para a apresentação de um trabalho na aula de português do 8.º ano.
Pensei que nunca mais voltaria a ter dessas tardes até ao vestido amarelo.
O vestido amarelo, além de ser um vestido que eu pensei que nunca viria a existir, vai ser sempre especial, apesar de todos os defeitos, porque foi o primeiro que fizemos juntas, com ela a costurar comigo.
E foi o único que teve o privilégio de ser fotografado na Pousada de Baucau o que, convenhamos, o favorece grandemente.
Auto-retrato
13.2.17
Apetece-me deixar crescer a melena com cada vez mais brancas e ficar com uma daquelas cabeleiras mescladas que agora estão muito na moda. Só que depois apercebo-me que essas cabeleiras mesmo não sendo pintadas, exigem cuidados. Ainda por cima, os meus cabelos brancos são aqueles cabelitos que ficam no ar quando prendo o cabelo, estão a ver? (Parece que se chamam baby hair, tornando esta coisa do envelhecimento ainda mais engraçada)
Nunca nada é como imaginamos. Uma pena.
Quando falha a luz, ou quando sou a única pessoa acordada e não está a dar nada de jeito na televisão e não me apetece ler, ou jogar no telemóvel (estou viciada num jogo parecido com o Tetris), ponho-me a ver as melhores audições do Britain Got Talent no youtube e farto-me de chorar, sobretudo naquelas em que os familiares dos concorrentes não conseguem esconder o orgulho. Eu sei, tenho problemas. Também chorei no La La Land.
Já pensei várias vezes coleccionar notícias de pessoas que morrem em acidentes inusitados, como o da mulher de 29 anos que caiu de umas escadas rolantes, no World Trade Centre, em Nova Iorque, a tentar apanhar o chapéu da irmã gémea. O que é que lhe deu? Ainda por cima era treinadora de remo, como é que uma treinadora de remo se desequilibra e cai de umas escadas? A sério, se eu quisesse inventar um acidente nunca me ocorreria tal coisa.
No fim-de-semana fui à praia com os miúdos sozinha, porque o Jaime tinha de trabalhar. Sentei-me numa cadeira e avancei 50 páginas do livro, enquanto eles brincavam com outras crianças que lá estavam. De vez em quando olhava para o mar e suspirava (e perguntava-me como é que a Areia Branca se tornou uma praia tão suja nos últimos tempos) com aquela satisfação de quem tem os miúdos por ali a rir e a inventar brincadeiras, enquanto nós estamos na nossa vida.
Percebi, finalmente, porque há tanta literatura, tanto cinema e tanta arte em geral, que mostra os filhos crianças como acessórios que aparecem de vez em quando.
O livro que estou a ler é O Fim do Homem Soviético e, felizmente, é tão viciante como o Tetris, um jogo inventado na Academia Russa das Ciências (claro), em 1984. E agora fiquei a pensar se isto significa que devo voltar ao George Orwell.
Mãe à distância
3.2.17
Muita gente tem-me perguntado sobre como é estar longe da Bea. Não tenho a certeza se sei responder.
Sei que viver longe dela, não vê-la todos os dias, não saber só de olhar como lhe correu o dia, não a ouvir atropelar-se nas palavras ou nos mutismos seleccionados, é mais fácil do que a ideia de estar longe dela. Ou seja, custa-me mais pensar nisso, do que viver isso.
Além disso, eu sabia, desde os tempos em que eles medravam na mesma proporção em que eu definhava, que este dia haveria de chegar. O dia em que saem de casa. E esse dia é estranho, doloroso, brutal mesmo, mas esse dia chega sempre, ou espera-se que chegue.
Costuma ser aos poucos, porque eles vão mas vêm passar o fim-de-semana a casa, isto é, vêm lavar a roupa e comer refeições cozinhadas. No nosso caso foi assim de repente e por isso acho que ficámos numa espécie de limbo nas semanas seguintes.
Agora, quatro meses depois, já não temos a escova dos dentes dela no quarto-de-banho e já me habituei a tirar quatro pratos do armário.
As comunicações eram difíceis no início, ela falava muito pouco connosco e quando nos queixávamos disso ela argumentava que andava aflita a mudar de vida, a fazer novos amigos, a encaixar-se numa nova rotina. O fuso horário não ajuda nada e ainda por cima eu odeio o skype. Aquilo enerva-me, os miúdos ficam histéricos a falar ao mesmo tempo, a fazer palhaçadas para impressionar a irmã, etc. Não se consegue verdadeiramente conversar assim, nem com a internet a falhar.
Preferimos usar o messenger sempre que nos apetece, e tem funcionado. Às vezes estamos as duas acordadas e ficamos a conversar, outras respondemos uma à outra com horas de diferença.
Eu sei que ela está bem, apesar de nem sempre ser fácil, mas sobre isso não posso falar, porque seria entrar na intimidade de outra pessoa.
Posso dizer que a sinto muito crescida, entusiasmada com a escola e preocupada com o futuro. Sei quase nada do seu dia-a-dia e isso deixa-me, às vezes, profundamente nostálgica, mas ela tem quase 16 anos, mesmo que vivesse aqui em casa eu acabaria por saber pouco do que se passa na vida dela. Bem, aqui em Díli, por acaso, seria difícil não saber dada a dimensão da cidade, mas que me interessava tê-la debaixo de olho e, talvez, mais controlada pelo meio envolvente se vivia infeliz?
Eu lembro-me bem de quando tinha 16 anos e de como a minha mãe e avó tinham pouca importância para mim. Era bom saber que elas existiam e estavam lá para o que fosse preciso, claro, mas os meus amigos é que eram a minha família.
Portanto, não estou à espera que sejamos o centro da vida dela, nesta fase, mas era importante estar mais perto fisicamente nem que fosse só para levar com a ingratidão da adolescência nas bentas.
Enquanto isso não acontece vou-lhe seguindo os passos com os meios que disponho: os e-mails do pai, o google maps, o facebook e por aí fora.
Ela chama-me stalker e eu não me importo.
Costuma ser aos poucos, porque eles vão mas vêm passar o fim-de-semana a casa, isto é, vêm lavar a roupa e comer refeições cozinhadas. No nosso caso foi assim de repente e por isso acho que ficámos numa espécie de limbo nas semanas seguintes.
Agora, quatro meses depois, já não temos a escova dos dentes dela no quarto-de-banho e já me habituei a tirar quatro pratos do armário.
As comunicações eram difíceis no início, ela falava muito pouco connosco e quando nos queixávamos disso ela argumentava que andava aflita a mudar de vida, a fazer novos amigos, a encaixar-se numa nova rotina. O fuso horário não ajuda nada e ainda por cima eu odeio o skype. Aquilo enerva-me, os miúdos ficam histéricos a falar ao mesmo tempo, a fazer palhaçadas para impressionar a irmã, etc. Não se consegue verdadeiramente conversar assim, nem com a internet a falhar.
Preferimos usar o messenger sempre que nos apetece, e tem funcionado. Às vezes estamos as duas acordadas e ficamos a conversar, outras respondemos uma à outra com horas de diferença.
Eu sei que ela está bem, apesar de nem sempre ser fácil, mas sobre isso não posso falar, porque seria entrar na intimidade de outra pessoa.
Posso dizer que a sinto muito crescida, entusiasmada com a escola e preocupada com o futuro. Sei quase nada do seu dia-a-dia e isso deixa-me, às vezes, profundamente nostálgica, mas ela tem quase 16 anos, mesmo que vivesse aqui em casa eu acabaria por saber pouco do que se passa na vida dela. Bem, aqui em Díli, por acaso, seria difícil não saber dada a dimensão da cidade, mas que me interessava tê-la debaixo de olho e, talvez, mais controlada pelo meio envolvente se vivia infeliz?
Eu lembro-me bem de quando tinha 16 anos e de como a minha mãe e avó tinham pouca importância para mim. Era bom saber que elas existiam e estavam lá para o que fosse preciso, claro, mas os meus amigos é que eram a minha família.
Portanto, não estou à espera que sejamos o centro da vida dela, nesta fase, mas era importante estar mais perto fisicamente nem que fosse só para levar com a ingratidão da adolescência nas bentas.
Enquanto isso não acontece vou-lhe seguindo os passos com os meios que disponho: os e-mails do pai, o google maps, o facebook e por aí fora.
Ela chama-me stalker e eu não me importo.
Já está
10.1.17
Ficar muito tempo sem escrever num diário levanta um grande problema: Deve uma pessoa seguir escrevendo, como se não tivesse havido um hiato de tempo? Na verdade, ainda não passou um mês, e não há assim tanta coisa a acontecer num mês, certo? Errado.
A vida numa ilha tropical do sudeste asiático pode ser muito aborrecida, não sei se é por isso que os expatriados bebem tanto, mas ao mesmo tempo parece que está tudo a acontecer. Como se os fragmentos dos dias formassem um todo mais claro. O que até faz sentido, porque os dias passam mais lentos e nesse abrandamento é mais fácil ver a paisagem à volta.
E vejo uma filha quase adulta e um quase recém bebé que vai este ano para a escola primária, que é aquele patamar em que os pais dão por terminada a primeira infância.
Acho que é por isso que este blog deixou de ser o diário desesperado de uma doméstica (sim, é mais giro stay-at-home-mom, mas o glamour nunca foi o meu forte e eu até acho que tentei algumas vezes).
Por isso e porque agora não tenho de limpar a casa, lavar a roupa e secá-la em cima dos aquecedores, limpar a areia dos gatos e levar os miúdos a um jardim para correrem em liberdade. Bem, esta última parte até podia ser uma coisa gira, só que nem por isso. Para mim era uma canseira. Até tinha pesadelos com o mais pequeno a cair daquela girafa do jardim da Estrela.
E até me podem vir dizer que o pior está para vir. Que quando são pequeninos é que é bom. Sim, é bom, de uma forma peculiar, mas também é tremendamente exigente. O que faz com que acredite, talvez erradamente, que a parte difícil está feita. Ou isso, ou comecei a viver naquelas bolhas em que se põe lá dentro o que nos interessa.
É que a bem dizer eu nunca me preocupei tão pouco com a educação deles como no último ano (e até tenho um filho sem vontade nenhuma de aprender o currículo escolar), mas a sensação que tenho é que tudo está a correr bastante bem (sim, eu acabei de escrever isto).
Pois, mas isto não aconteceu durante o mês em que não escrevi aqui, poderão dizer-me. Pois claro que não, isso tem vindo a acontecer.
O que aconteceu no último mês foram as mesmas coisas de sempre. Hoje, por exemplo, acordei tarde, fui mordida por formigas assassinas, porque não reparei que a toalha do banho estava cheia delas outra vez, e depois comi uma panqueca feita no micro-ondas, porque o gás acabou precisamente quando ia começar a fazê-la no fogão.
Mas também aconteceu uma viagem com um reencontro ansioso e uma despedida dramática. Com momentos de contemplação que só as viagens proporcionam e com a sensação (um pouco intensificada pelo fim da leitura do livro "O Grande Bazar Ferroviário", no fim da viagem) de que esta parte da vida já está. Passemos à seguinte.
Os Tobias Catatuas têm uma casa nova
2.6.16
O Isaac e o Nicolau tinham uns animais de peluche que serviam de objecto de conforto, sobretudo o do Isaac. O do mais velho era um cão e o do mais novo um gato. O cão do Isaac viveu várias aventuras e há dois anos ficou perdido num hotel em Bali. Nesse ano, o Pai Natal encontrou-o, quando passou pela Indonésia (deve ter feito um enorme desvio, coitado!), e trouxe-o. O Isaac chorou de alegria agarrado ao cão.
Entretanto, voltamos a perder o cão, e também o gato, num hotel em Same, que fica a 35 Km de Díli, ou seja, a quatro horas de distância, ou mais. Portanto o cão ficou lá para sempre. Quer dizer, o Isaac ainda acredita que ele vai voltar.
Depois disso, passamos numa loja do Timor Plaza com um caixote enorme cheio de bonecos e o Nicolau pediu-nos um. Perante a nossa recusa lembrou-nos que a culpa de terem perdido os outros era nossa. Usou argumentos bastante plausíveis, até, mas toda a gente sabe que não há nada como a culpa para conseguirem coisas que não interessam para nada.
Lá vieram para casa, cada qual com o seu bicho: um leão para o Isaac e um transgénico para o Nicolau. Chamam-se os dois Tobias Catatuas, não faço ideia porquê, e é o Isaac que brinca com os dois, porque o Nicolau, o que queria muito, muito ter um boneco novo, afinal, não quer saber dele para nada. E isso diz mesmo muito sobre a personalidade deles.
Da mesma forma que o processo de construção daquela casa diz muito sobre a minha, mas isso fica para um outro dia.
Nós, as mães normais (num dia normal de 2011)
31.5.16
Temos os espelho sujos; tiramos fotografias desfocadas, porque há mãos pequeninas a pedir-nos colo, e outras escuras, porque as divisões da casa não têm todas a mesma luz. Nós, as mães normais, e grávidas, gostamos de fatos-de-treino (sim, FATOS-DE-TREINO e não me venham com merdas que há uns anos ninguém ousaria sair à noite de chinelos de dedo e de repente as havaianas passaram a fazer parte dos outfits mais cool), mais do que isso, precisamos deles como os piolhos de cabeças humanas. Nós, as mães normais não temos, sempre, lençóis a condizer com edredons e cobertores; toalhas de mesa bordadas e outras coisas que tais. Nós, as mães normais temos pijamas ridículos.
E para mostrar isso mesmo acordei um dia destes (na segunda-feira passada) com a ideia fixa de registar o dia com imagens. A ideia era clicar de hora em hora estivesse eu a fazer o que estivesse, mas essa parte não se revelou fácil, porque me esquecia de confirmar as horas. Por isso, fui fotografando algumas das rotinas diárias sem grande preocupação com o relógio. O dia acabou por se revelar atípico, porque a Bea não esteve em casa (estava excepcionalmente com o pai num dia da semana), o Isaac não fez cocó e o Jaime não trabalhou nessa tarde. Ainda assim decidi que devia publicá-lo, por nós, as mães normais. Podem vê-lo aqui.
P.S Devo só acrescentar que há mães normais que fotografam melhor, nas mesmas condições. E que não se dão a este tipo de exibicionismos.
[Normalmente, quando faço repostagens significa que está na altura de mudar de blog (este não é o primeiro, como algumas pessoas, aí umas seis, se devem lembrar), mas esta apeteceu-me mesmo muito.
Na altura, em 2011, eu era uma pessoa muito mais ressabiada e chateava-me ver blogs de pessoas bonitas com casas maravilhosas e filhos lindos que, mesmo despenteados e com ranho, parecem os anjos de Rubens. O bluebird, que no entanto aprecio, era um desses blogs que costumava mostrar fotografias de cenas "normais" do dia-a-dia.]
Colorir
4.5.16
De cada vez que o Isaac traz uma cópia para trabalho de casa tenho tempo de colorir umas quantas páginas deste belíssimo livro que me ofereceram no aniversário.
Se ele continuar tão contrariado nesta coisa dos deveres da escola, acho que vou ter de ir a Bali comprar uns quantos.
Se ele continuar tão contrariado nesta coisa dos deveres da escola, acho que vou ter de ir a Bali comprar uns quantos.
Era uma vez
28.4.16
um menino pirata que acreditava ser um super herói. O menino, por acaso, não era grande fã de barcos, porque enjoava imenso. Só era pirata por adorar fazer caças ao tesouro.Quando não caçava tesouros, nem corria em socorro de alguém, o menino jogava basquetebol. Ninguém percebia muito bem porquê, mas o menino realmente adorava basquetebol. Às vezes as pessoas acordavam às 6h30 da manhã com o som da bola de basquetebol a driblar pela casa. E às vezes o menino pedia, ainda antes de jogar basquetebol pela casa, para dormir com as bolas que tinha.
Um dia 28 de Abril o menino fez 5 anos e uns amigos fizeram-lhe um bolo de gelatina e preparam-lhe uma festa surpresa, com balões e outras decorações. Haviam de ver como estava feliz o menino pirata que acreditava ser um super herói! Estava numa alegria contida, quase nervosa, que é como ficam as pessoas que sabem que estão dentro dos dias especiais.
Fazer cinco anos é uma coisa mesmo muito especial. A mãe do menino até chorou um bocadinho (que por acaso é uma coisa que ela faz com uma certa frequência), porque nos dias especiais também se chora, como quando os meninos saem das mães. E todos os anos eles vão saindo mais um bocadinho. E depois vão ganhar muitas lutas contra os maus.
Vitória, vitória acabou-se a história.
Cresceste
26.4.16
Tens 15 anos. 15 anos. Posso dizê-lo as vezes que quiser que vai parecer-me sempre inverosímil. Tens 15 anos e vais sair da nossa casa. Eu sei que não vais sair da minha vida, bem vês que isso é impossível. Vais sair de casa, como em tempos saíste de mim. É claro que eu não tenho tanta pressa que saias de casa, como tinha para que saísses de dentro de mim, mas tenho a mesma urgência em ver-te bem e inteira e feliz.
Foram 9 meses que passaram muito devagar e 15 anos que voaram, tal e qual aquele pássaro que está em cima do muro e agora já está naquela árvore.
Tenho-me lembrado dos nossos lanches de laranjas e pão com compota, depois de te ir buscar à creche, de quando me contavas, ainda tão pequenina, os teus sonhos de galinhas com dentes que sabiam falar inglês e dos teus desabafos sobre preferires não existir, já que tinhas de morrer. Tenho-me lembrado do tanto colo que eu te dava, das tantas histórias que te lia e de outras tantas que inventava e tu sempre: "só mais uma história, mamã".
É claro que também me lembro das noites sem dormir e do quanto tu choravas e choravas sem parar, mas isso, bem vês, entre o muro e aquela árvore foi menos de um milésimo de segundo.
Tenho-me lembrado da tua alegria contagiante e das provas que foste superando com tanta coragem. Fizeste-me sentir muitas vezes uma mãe babada e tu sabes o que eu penso das mães babadas. Mas, lá está, contigo foi sempre a primeira vez, foi sempre tudo novo nesta experiência de ser mãe.
E aqui estamos em mais uma etapa natural. Separamo-nos como é suposto que aconteça mais cedo ou mais tarde. Para mim, tu sabes, é sempre cedo demais, mas é bom que seja assim. É bom que seja quando tiver de ser.
Os nossos laços já não são tão orgânicos, feitos de afecto em forma de um cordão. Os nosso laços são, agora, feitos da substância que une uma mãe que vê uma filha crescer, enquanto a prepara, e se prepara a si própria para a ver seguir o seu caminho. Essa substância não se corta com uma tesoura, bem vês, porque é igual às marés e ao nascer do sol e ao pulsar das montanhas.
Mesmo assim vai doer, claro. Mas há toda uma nova vida à tua frente e isso é maravilhoso.
Continuarei, continuaremos, eu e o teu "pai em segundo degrau", a enviar-te pozinhos mágicos deste lado do mundo, para que tenhas sempre bons sonhos.
Há coisas que não mudam
15.4.16
Nicolau: A coisa que eu gosto mais em Timor é de fazer plasticina e a que gosto menos é de comer lulas.
Isaac: Eu lembro-me perfeitamente de pedir um telemóvel quando estava a comer as uvas passas, mas as uvas passas também se transformam em cocó, não é?
Ou seja, os meus filhos continuam a ser uns belíssimos broncos (na foto vê-se que estão muito interessados numa peça em exposição no BACC - Bangkok Art Cultural Centre -, da artista Kawita Vatanajyankur, mas isso é porque na obra em questão viam-se melancias a cair e a desfazerem-se no chão).
A minha avó
11.3.16
A minha mãe encostou-lhe o telefone ao ouvido e gritou-lhe "DIGA: OLÁ CARLA" e ela disse "Olá Carla" e depois "estás contente?" Tinha a voz um bocadinho entaramelada e parecia cansada, mas era a minha avó. Ela ainda existe.
O pior de estar tão longe
8.3.16
"Olá minha filha, olha, não tenho boas notícias, a tua avó teve uma trombose, deixou de falar. Ela não morreu, mas tu já não vais ver mais a tua avó. A avó que tu conhecias já não existe, filha".
Oh, avó...
Oh, avó...
Tudo normal, portanto
20.11.15
Visto assim de relance parece que a minha vida é só passeios e aventuras. E às tantas é mesmo. Se calhar as rotinas, o trabalho, as coisinhas de todos os dias são, agora, os intervalos do resto. Ou, se não são, pelo menos, parecem.
Mas nessas rotinas, na vida de todos os dias, têm acontecido coisas que merecem referência (céus, o que é que me aconteceu? a vida de todos os dias era o que alimentava faustosamente este blog e agora estou a dizer que isso merece uma referência! O que vale é que amanhã já volta tudo ao normal, ah, não, amanhã vou para Ataúro, pronto mais dia menos dia, quando já tiver dado a volta toda à ilha).
A primeira de todas elas é que o meu filho do meio é, como é que hei-de dizer, um bocadinho lento na escola e, além de lento, um trapalhão a escrever que mete medo. Eu, que sou toda deixem lá os miúdos serem como são, até tremo quando abro o caderno.
É claro que não faço disto nenhum drama, até porque tem vindo a melhorar, mas preocupa-me que não saiba juntar as palavras para ler, em vez disso decora-as. Não sei se é do método, ou se é dele, sei que fico muito baralhada quando "está a ler" e a olhar para mim ao mesmo tempo.
Enfim, a professora diz que ele não tem nenhum problema de aprendizagem, simplesmente prefere brincar. Tudo normal, portanto.
Enquanto isso, a mais velha está no pico da adolescência, ninguém percebe o que ela quer. Passa o tempo enfiada no quarto a tocar guitarra, ou a falar com as amigas ao telefone e é capaz de ser a garota mais efusiva num momento (no meio dos amigos) e no minuto a seguir a mais trombuda e infeliz (quando está connosco). Tudo normal, portanto.
O mais pequeno, bom, o mais pequeno continua com as pequenas manias que lhe são características. Durante muito tempo foi um problema conseguir que vestisse a farda da escola, porque queria ir todos os dias com a t.shirt que é suposto usar só quando tem ginástica. Entretanto, decidiu fazer umas transformações: usa a bata por dentro dos calções com duas dobras nas mangas. Não pode ser uma dobra, têm de ser duas. E é assim que ele vai para a escola todos os dias. Nada de muito anormal, portanto.
Já eu acho muita piada vê-los crescer, mas continuo a ter bastantes problemas com esta coisa de ir envelhecendo à medida que eles crescem. Tudo normal, portanto.
Mas nessas rotinas, na vida de todos os dias, têm acontecido coisas que merecem referência (céus, o que é que me aconteceu? a vida de todos os dias era o que alimentava faustosamente este blog e agora estou a dizer que isso merece uma referência! O que vale é que amanhã já volta tudo ao normal, ah, não, amanhã vou para Ataúro, pronto mais dia menos dia, quando já tiver dado a volta toda à ilha).
A primeira de todas elas é que o meu filho do meio é, como é que hei-de dizer, um bocadinho lento na escola e, além de lento, um trapalhão a escrever que mete medo. Eu, que sou toda deixem lá os miúdos serem como são, até tremo quando abro o caderno.
É claro que não faço disto nenhum drama, até porque tem vindo a melhorar, mas preocupa-me que não saiba juntar as palavras para ler, em vez disso decora-as. Não sei se é do método, ou se é dele, sei que fico muito baralhada quando "está a ler" e a olhar para mim ao mesmo tempo.
Enfim, a professora diz que ele não tem nenhum problema de aprendizagem, simplesmente prefere brincar. Tudo normal, portanto.
Enquanto isso, a mais velha está no pico da adolescência, ninguém percebe o que ela quer. Passa o tempo enfiada no quarto a tocar guitarra, ou a falar com as amigas ao telefone e é capaz de ser a garota mais efusiva num momento (no meio dos amigos) e no minuto a seguir a mais trombuda e infeliz (quando está connosco). Tudo normal, portanto.
O mais pequeno, bom, o mais pequeno continua com as pequenas manias que lhe são características. Durante muito tempo foi um problema conseguir que vestisse a farda da escola, porque queria ir todos os dias com a t.shirt que é suposto usar só quando tem ginástica. Entretanto, decidiu fazer umas transformações: usa a bata por dentro dos calções com duas dobras nas mangas. Não pode ser uma dobra, têm de ser duas. E é assim que ele vai para a escola todos os dias. Nada de muito anormal, portanto.
Já eu acho muita piada vê-los crescer, mas continuo a ter bastantes problemas com esta coisa de ir envelhecendo à medida que eles crescem. Tudo normal, portanto.
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