Saio do Centro de Saúde sem conseguir ser atendida mais uma vez e, já na rua, ouço parte de uma conversa:
"Ele tem de se focar num objectivo, assim não pode ser, não pode estar a fazer informática hoje e amanhã meias".
Sorrio.
Entro no eléctrico e olho para o meu caderno. Numa página respostas de uma entrevista, na outra desenhos de patchwork para mantas e a seguir listas de compras e menus.
Sinceramente, não sei é como se pode viver de outra forma que não esta, sobretudo num mundo em que já se ouve um cometa a cantar.
O peso das coisas
13.11.14
Eu e o Jaime não trocamos prendas de Natal há alguns anos. Bem, não podem ser assim tantos, porque só estamos juntos há seis. Seja como for, a certa altura pareceu-nos descabido e decidimos não comprar nada um para o outro. No primeiro ano em que o decidimos comprámos na mesma, obviamente, mas depois passámos a oferecer um ao outro coisas simbólicas: um cachecol feito por mim; uma lista de intenções; um guia de Budapeste...
Gosto muito mais assim. Faz muito mais sentido assim. Por isso, a sério que não percebo, porque é que este ano me apetece tanto receber um par de botas, ou um telemóvel novo, daqueles que dá para tirar fotografias, ou um computador.
E não, isto não é uma wishlist.
Gosto muito mais assim. Faz muito mais sentido assim. Por isso, a sério que não percebo, porque é que este ano me apetece tanto receber um par de botas, ou um telemóvel novo, daqueles que dá para tirar fotografias, ou um computador.
E não, isto não é uma wishlist.
Isto assim é muito complicado
12.11.14
No dia em decido fazer uma tarte de grão-de-bico para me entregar à gula que aparece, sempre, à hora da ceia, apetece-me comer chocolate.
Dias perfeitos
10.11.14
No sábado de manhã, uma lição de esgrima histórica para uma reportagem. Precisava de levar calças de desporto escuras e sweatshirt branca. Não tinha nenhuma e por isso transformei duas t-shirts numa sweat. Ficou apertada nas mamas e quando me vi ao espelho estava com os bicos espetados. Paciência.
No sábado à noite, seis horas numa peça de teatro.
A melhor pergunta/resposta: Qual a qualidade mais sobrevalorizada? (pergunta Vera Mantero) A iniciativa própria (responde Jorge Andrade).
No fim, mais duas horas a pesquisar personagens do Roque Santeiro e a cantar a banda sonora da novela.
Há dias perfeitos, foda-se.
No sábado à noite, seis horas numa peça de teatro.
A melhor pergunta/resposta: Qual a qualidade mais sobrevalorizada? (pergunta Vera Mantero) A iniciativa própria (responde Jorge Andrade).
No fim, mais duas horas a pesquisar personagens do Roque Santeiro e a cantar a banda sonora da novela.
Há dias perfeitos, foda-se.
O autor sossega-me
7.11.14
António Lobo Antunes teve a amabilidade de explicar, no ípsilon de hoje, porque é que estou sempre a pôr de lado o livro dele: "Mas acho que uma parte da obra, aquela mais experimental, em que tento algumas coisas novas para mim como na Exortação aos Crocodilos (1989), Não Entres tão depressa Nessa Noite Escura (2000), Eu Hei-de Amar uma Pedra (2004). Aqueles calhamaços são difíceis de ler como o caraças e eu achava aquilo claro e estava todo contente. Com a vida que há agora é muito difícil ler aqueles livros. Não dá para estar sempre a interromper. A vida não é assim, as pessoas têm de trabalhar no dia seguinte. Isto devia apanhar-se com uma doença."
Adenda: acabei de ver, nos comentários do Post em que falo do autor, que mais alguém leu a entrevista. Obrigada, Dani.
Adenda: acabei de ver, nos comentários do Post em que falo do autor, que mais alguém leu a entrevista. Obrigada, Dani.
Falta-me assim um bocadinho para chegar aos tornozelos dela
7.11.14
Haverá poucas pessoas neste universo dos blogs que não conheça a Ana de Amsterdam e, entre estas, serão poucas as que não a admiram. Eu não sou excepção, evidentemente. Acho-a genial e estou em crer que o romance que mais tarde ou mas cedo vai publicar, será o evento literário do ano. Por isso, imaginem a minha cara quando me perguntaram se ela era o meu alter-ego.
É isso
6.11.14
Ainda há pouco tempo exasperava-me ter sempre louça para lavar, roupa para estender, cenas para arrumar, etc. Agora preocupam-me muito mais os conselhos que dou à minha filha e o facto de não poder ir ler para a cama, porque está lá o nosso filho do meio.
O que foi que me aconteceu, afinal? A velhice. Acho que estou a envelhecer, finalmente.
Senhoras da nossa idade, precisamos de repetir o questionário.
Amnésia
5.11.14
Acordei a meio da noite com um pensamento qualquer e achei que tinha de escrever sobre isso. "É mesmo importante", pensei, "levanta-te", disse a minha mesma, "vai, vai, sai da cama para apontar", gritei pontapeando-me mentalmente. Mas nada, nem me mexi.
É possível que tenha alguma coisa a ver com o facto de ter largado o Lobo Antunes, outra vez. Tenho muito desgosto, mas há que assumir de uma vez por todas que não consigo ler o António Lobo Antunes.
Larguei-o, então, e fui buscar dois livros para ver qual me apetecia ler. Apeteceu-me ler os dois, por isso acho que vou continuar a lê-los ao mesmo tempo. Talvez mais para a frente me interesse um mais do que outro. São ambos biográficos, um é sobre Marguerite Duras, e o outro é o Retrato do Artista Quando Jovem, do James Joyce.
Com a excepção de "O Mundo Ardente", tem sido difícil encontrar livros que me apeteça mesmo muito ler e, agora, apetece-me ler dois ao mesmo tempo. O que foi que me aconteceu, afinal?
Bem, vou subir e descer umas quantas ruas, que é, a seguir a dormir, a melhor forma de nos lembrarmos do que interessa.
É possível que tenha alguma coisa a ver com o facto de ter largado o Lobo Antunes, outra vez. Tenho muito desgosto, mas há que assumir de uma vez por todas que não consigo ler o António Lobo Antunes.
Larguei-o, então, e fui buscar dois livros para ver qual me apetecia ler. Apeteceu-me ler os dois, por isso acho que vou continuar a lê-los ao mesmo tempo. Talvez mais para a frente me interesse um mais do que outro. São ambos biográficos, um é sobre Marguerite Duras, e o outro é o Retrato do Artista Quando Jovem, do James Joyce.
Com a excepção de "O Mundo Ardente", tem sido difícil encontrar livros que me apeteça mesmo muito ler e, agora, apetece-me ler dois ao mesmo tempo. O que foi que me aconteceu, afinal?
Bem, vou subir e descer umas quantas ruas, que é, a seguir a dormir, a melhor forma de nos lembrarmos do que interessa.
Ano novo*
4.11.14
Decidi deixar o cabelo crescer e depois decidi cortá-lo eu própria. Grande erro. Depois, fui ao arquivo aqui do blog ver quando tinha sido a última vez que o fiz. Foi há pouco mais de um ano.
Não sei se esta reincidência tem a ver com o facto de ter deixado os compridos, há cerca de duas semanas, num acesso de rebeldia, mas estou a gostar deste reecontro. Das lágrimas por tudo e por nada; dos acessos de mau feitio (dizem por aí que são constantes, mas há diferenças); da vontade de mudar alguma parte do mundo; de ir a festas e dar festas; de me obrigar a escrever, apesar de odiar tudo o que escrevo; de odiar tudo o que escrevo; de gostar de ir buscar os meninos à escola; de experimentar novas receitas...
Não faço ideia quanto tempo vai demorar até voltar a indiferença, o sono, o desespero por não conseguir reagir, mas até lá vou aproveitar. Acho eu.
Entretanto, estou com um cabelo horrível e apercebi-me que este corpo não é meu. Não consigo chegar com as mãos ao chão e fazer a ponte é o mesmo que tentar empurrar um carro, em porto morto numa subida, com o dedo mindinho. O que foi que me aconteceu, afinal?
*Nunca nada começa em Novembro, a não ser para os que nascem e os que decidem morrer. Pois o meu ano novo começa este mês.
Não sei se esta reincidência tem a ver com o facto de ter deixado os compridos, há cerca de duas semanas, num acesso de rebeldia, mas estou a gostar deste reecontro. Das lágrimas por tudo e por nada; dos acessos de mau feitio (dizem por aí que são constantes, mas há diferenças); da vontade de mudar alguma parte do mundo; de ir a festas e dar festas; de me obrigar a escrever, apesar de odiar tudo o que escrevo; de odiar tudo o que escrevo; de gostar de ir buscar os meninos à escola; de experimentar novas receitas...
Não faço ideia quanto tempo vai demorar até voltar a indiferença, o sono, o desespero por não conseguir reagir, mas até lá vou aproveitar. Acho eu.
Entretanto, estou com um cabelo horrível e apercebi-me que este corpo não é meu. Não consigo chegar com as mãos ao chão e fazer a ponte é o mesmo que tentar empurrar um carro, em porto morto numa subida, com o dedo mindinho. O que foi que me aconteceu, afinal?
*Nunca nada começa em Novembro, a não ser para os que nascem e os que decidem morrer. Pois o meu ano novo começa este mês.
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