E como é que eu cheguei aqui, ao elogio do imperfeito? Primeiro foi a notícia sobre os agentes de IA que coordenaram o ciberataque a uma plataforma concorrente, ou não necessariamente concorrente mas também de IA, e eu feita pessoa do século XX imaginei que estes agentes seriam hackers, ou seja, aqueles nerds enfiados numa cave a tentar aceder a computadores alheios, mas não, são mesmo computadores a tentar aceder a computadores (um termo tão século XX) e pensei imediatamente: isto é a Skynet! Acho que a IA leu-me os pensamentos e nesse mesmo dia passou na TV (outro termo completamente século XX) o Exterminador implacável.
Depois foi o "Desenhar a liberdade", na RTP2 com a Mariana a Miserável e a Joana Mosi. A certa altura, a propósito de "Os meninos da lágrima", a Mariana diz que sentiu necessidade de elogiar a tristeza, em oposição ao positivismo, a esta necessidade de estarmos sempre bem. Eu também me sinto desta equipa, dos meninos da lágrima, apesar de cada vez mais querer estar bem. Mas, o que mais me chamou a atenção, e que está relacionado com o início do texto, foi a revelação do prazer que retira do trabalho em azulejo, porque descobriu que lidar com as imperfeições das pinceladas sobre este material é muito interessante (ou gratificante, já não sei ao certo que terno usou), porque nenhum pincel de um programa informático pode fazer aquilo. É por isso que ela acredita que o futuro é do artesanato, do trabalho feito à mão, porque será sempre isso que vai distinguir os humanos da IA, a imperfeição.
Sem comentários:
Enviar um comentário