Dia #52

4.5.20
Este foi o dia mais surreal do confinamento. Saí para comprar pão e a cidade estava diferente, com mais pessoas na rua, mais carros e lojas abertas, como se estivesse tudo a voltar ao normal, até chegar à padaria e ter sido impedida de entrar por não estar a usar máscara. Não me lembrei que era obrigatório e voltei a casa para a ir buscar. Não tinha usado máscara até hoje e senti-me no cenário de um filme de ficção científica, daqueles apocalípticos em que as pessoas andam todas crispadas. Ou, então, era eu a projectar-me nos outros.
São demasiados dias a lidar com as nossas merdas e com as merdas das pessoas que mais gostamos no mundo. E nós gostamos mesmo muito uns dos outros e de passar tempo juntos, mas eu agora precisava de ter um espaço da casa só para mim, com um computador só meu. Podia ser muito pequeno, com uma janelinha de nada, desde que fosse à prova de som. Eu estava lá meio dia e depois saía e os meus filhos não me pareceriam dois animais selvagens e o Jaime um avatar.

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