46

5.4.19
Apesar de este blog ter tido diferentes abordagens ao longo do tempo, que foram acompanhado, umas vezes melhor, outras pior, as diferentes fases da nossa vida, gosto de acreditar que fui sempre honesta, fiel aos meus sentimentos.
Normalmente, nas redes sociais, mostra-se o lado bom da vida e ainda bem, suponho. Mas quanto fica de fora? É que olhar para a nossa vida, para as nossas escolhas, para tudo o que fizemos e o que nos aconteceu em retrospectiva é uma coisa. Nesse caso, é natural que nos lembremos das coisas maravilhosas que vivemos.
Bem, a acreditar na teoria de Reviver o Passado em Montauk, no fim da vida há duas coisas que importam: As coisas que lamentamos ter feito e não podemos desfazer e as coisas que não fizemos e devíamos ter feito, e que também lamentamos. E essas duas coisas são tudo o que importa.
Seja como for, um blog funciona (ou funcionava) como um diário e na vida de todos os dias acontece de tudo.
Hoje faço 46 anos e não me apetece festejar. Não é novidade, raramente me apetece, mas este ano é particularmente triste.
A minha filha foi-se embora sem dizer adeus.
Não sei o que escolheu contar a si própria para justificar acordar todos os dias sabendo que não vai falar comigo. Eu acordo todos os dias a tentar não desaparecer dentro do buraco negro que se abriu no meu peito. Não se vê, claro, mas é absolutamente real. Tão real que tenho medo de ver engolidos todos os que me rodeiam.
Não vou entrar em detalhes, como será fácil compreender, há privacidades que devem ser respeitadas. Não é à toa que se fala tão pouco de filhos adolescentes.
A Bea, que sempre fez parte deste blog, tem 18 anos (faltam 21 dias). Tem idade para decidir o que quer fazer e viver com essa escolha. Eu não concordar com essa decisão faz parte.
O que eu não esperava era tanta ingratidão (nem acredito que estou a dizer a coisa que sempre mais odiei ouvir da minha mãe) e indiferença.
A minha menina, que nunca foi minha mas que faz parte de mim, não está comigo.
Podia só não estar a viver comigo, isso seria normal e até expectável, mas a minha filha, a minha menina, escolheu não estar comigo, connosco.
Nem sempre as coisas correm bem, por mais que façamos aquilo que achamos que está certo. E se calhar valia a pena falarmos mais sobre isso.
Daqui a uns tempos vou olhar para isto como uma fase terrível, necessária e passageira (dando mais ênfase a um ou outro adjectivo, conforme o que tiver acontecido até lá), mas agora é uma espiral de sofrimento como nunca tinha experimentado.

13 comentários:

  1. Beijinho querida...Não h´muito a dizer...mas morro de medo que a minha Rita faça o mesmo...temos de acrditar que fazemos sempre o nosso melhor e o que tiver de ser será.

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  2. eu sei o quanto custa utilizar a palavra «ingratidão», afinal, nunca quisemos ser recompensadas por este amor inexplicável que sentimos por eles. Essa fase vai seguramente passar. Um beijinho muito grande pelos seus 46, para o ano estará tudo diferente, com ela por perto. (gosto muito de si) :)

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  3. Um abraço, Calita. Mesmo o passageiro é absoluto nestes casos. Lamento que tenhas de passar por isto e espero que o futuro traga a Bea de volta, e que estejas rodeada de amor para ir surfando esta espiral na medida do possível.

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  4. Um abraço apertado, era só o que queria dar-lhe.

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  5. Fiquei toda arrepiada, muito porque tenho filhos a caminharem a passos largos para essas fases terríveis :( A ingratidão creio que faz parte do processo... Se me permite um "conselho", apesar de não o ter pedido, não deixe nunca de lhe mostrar que a ama acima de tudo e que as portas estarão sempre abertas para ela. Um grande abraço.

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  6. Calita, acredita em mim (e não, não me sucedeu o mesmo: fases, sucessões de acontecimentos, hormonas): não faltará muito até ao reencontro*

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  7. Deixe a porta aberta e os braços escancarados, não lhe atire à cara a ingratidão. Mostre-lhe compreensão. A Calita é como ela, foi de si que ela aprendeu. A Bea foi mas já volta! Nem que dure uns 5 anos. Ela volta. Que o amor permaneça sem julgamentos nem condenações. Abraço forte.

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  8. Um beijinho de uma mãe, tudo se vai resolver a adolescência é tramada, com o tempo vai cair na Realidade. Porta sempre aberta.

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  9. Obrigada a todas pelos comentários, e mensagens privadas, de apoio. Não esperava tanto, foi muito importante para mim.

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  10. Fala-se tanto da adolescência, mas a minha filha que sempre foi pacifica mesmo tendo-me divorciado do pai dela aos 14 anos, aos 18 anos por uma discussão parva. Esteve um ano a viver com uma tia do lado paterno pois o pai encontrava-se no estrangeiro. Deixou de me falar e rejeitava toda e qualquer aproximação. Foi um ano muito negro. Precisei de ajuda profissional para me ensinar a lidar com toda a situação e ter uma perpesctiva do que eu poderia melhorar. Não sendo a mãe perfeita também achei que não merecia tamanha ingratidão. A médica explicou-me que os filhos conseguem ser cruéis com os pais por muito que os pais não o consigam acreditar. Passado 1 ano pediu para voltar. Ela amadureceu, eu aprendi a trabalhar muita coisa que fazia com as melhores das intenções mas que não estavam a ser o melhor para a nossa relação. tentei ganhar ferramentas para ao mesmo tento que não deixava de ser uma mãe preocupada também não deixava que ela me magoasse. Foi um ano muito negro e que ainda hoje é assunto tabu. O que me descansava mais era saber que ela estava com a tia. Por muito que custe devemos tentar mantermo-nos firmes e acalmar o nosso coração pensando que lhe ensinamos bons princípios e que é só uma fase. As meninas e as mães tem sempre estas "tricas". É só uma fase, acredite. Força

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  11. Imagino (só) como é doloroso, mas a frase feita das asas e raízes espera-se que resulte. E passada a tormenta ela volta com decisão de ficar Bjinho grande

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