Torre de Moncorvo

28.6.11
(obrigada pela foto, Xana)
Andava a adiar relacionar-me com Jorge Luís Borges (não sei quando é que comecei a ler autores em vez de livros, ou melhor sei mas já lá vamos), porque tinha medo de não me apaixonar como me aconteceu com outros escritores - que por acaso tenho evitado ler para continuar a olhá-los com os mesmos olhos de há muitos anos atrás. É o caso da Marguerite Duras e do Milan Kundera. E, efectivamente, os meus receios confirmaram-se. Talvez por ter começado com um livro muito particular, não sei.
Acontece que, por caso, fiquei a saber que o bisavô de Borges terá nascido e vivido em Torre de Moncorvo, antes de emigrar para a Argentina e casar com Cármen Lanifur. Ora, há muitos, muitos anos fui passar uns dias a Torre de Moncorvo com a Xana e a Paula e foi precisamente nessa altura que comecei a devorar livros como quem come cerejas, muitos graças à nossa professora de português Rosa Guedes, que quase todas as semanas me entregava uma saca deles para eu ler. 
Lembro-me perfeitamente de estar na esplanada do Manolo a ler "O Amante" e sentir que a Duras sabia exactamente o que eu sentia pela minha mãe e, tal como aquelas pacientes que se apaixonam pelo terapeuta, apaixonei-me de imediato pela escritora.
Para ser mais precisa eu comecei a ler avidamente antes disso,  teria uns 12 ou 13 anos, mas não sei se se poderá chamar livros à colecção Sabrina, que um dia encontrei numa caixa que ia para o lixo (sim, em minha casa não existiam livros, mas não vamos começar a falar da minha infância),
Nessa viagem a Moncorvo não sei quantos livros li, lembro-me do diario de Adrian Mole e um dos volumes de As Brumas de Avalon  (e da comida da avó da Xana e da maravilhosa viagem de comboio, com o David Bowie no walkman...).
Resumindo, não me apaixonei por Borges (ainda), mas temos Moncorvo em comum e isso parece-me um bom pronúncio.

2 comentários:

  1. (2ª tentativa de comentar): Pois, foram uns dias fenomenais em Moncorvo! (e parece que foram ontem, ou vá, há 2 ou 3 dias). Essa foto em particular foi tirada em Seixo de Manhoses, uma aldeia perto de Vila Flor, onde moravam os meus bisavós.
    Também ainda não me apaixonei pelo Borges, mas por Moncorvo apaixono-me a cada retorno, está-me nas veias. Dessas férias, recordo a sensação de liberdade, as pequenas transgressões, a sensação de que nada acabava nunca.

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  2. :) sim, também me lembro dessa sensação e da minha tentativa frustrada para fazer directa.

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