Pantufas
Meter água
Trabalhadora
Liberdade
Despertador
Purgatório
Planta
Lugar Comum
Se eu fosse um lugar-comum (vamos assumir que não sou) seria aquela mulher que acabou de passar pelo banco de jardim e pensou em sentar-se mas preferiu continuar a caminhar enquanto come flores do tojo e pensa no que vai ser o jantar.
Outros lugares:
Vizinhos
Poderá não parecer mas eu sou uma pessoa que se preocupa com o que os outros pensam de mim. Anos a tentar que as crianças tivessem um comportamento adequado (seja lá o que isso for) nos cafés, restaurantes e museus para não ser julgada como mãe. A arrumar a casa quando tenho visitas, ou a evitá-las quando não me apetece arrumar.
Por isso, os vizinhos são uma grande preocupação, primeiro porque levam com a chinfrineira que as crianças, agora adolescentes, fazem e depois por causa do vidrão. Felizmente, agora podemos distribuir as garrafas vazias por diferentes vidrões, mas quando vivia em sítios com recolha porta-a-porta, na hora de deixar lá fora o caixote verde, sempre cheio, pensava duas vezes.
Tive a sorte, no entanto, de ter tido sempre boas vizinhas, no Porto a D. Teresa que fazia uns croissants maravilhosos, em Lisboa a Ana, que me levava a comer pregos no pão depois do cinema, e na Póvoa a Lara que nos dava pêssegos do pessegueiro dela.
Mais boa vizinhança:
Até o diabo se ria
Comecei este blog em 2010 (achava que tinha sido há mais tempo, talvez por ter tido outro antes deste). Dei-lhe o nome de Panados e Arroz de Tomate, porque a minha vida, na altura, estava limitada à ''vida de casa'', à domesticidade, portanto, e este clássico da cozinha portuguesa sempre foi uma das minhas comidas de conforto de fácil confecção. Quando fui mãe, foi claro para mim que eu não conseguiria conciliar carreira com maternidade, não com a profissional que aspirava ser e a mãe que achava que tinha de ser e tendo a possiblidade de escolher, escolhi.
Muita gente acompanhou as peripécias das minhas escolhas, umas pessoas de forma empática, outras a espalhar veneno. Mas blogger que é blogger (ainda existe este termo?) tem de ter haters, como é óbvio.
Com este convite para fazer parte do Largo (vocês ainda não sabem, mas o nosso grupo já tem nome, só não tem sítio, ainda, porque o do Pica Pau Amarelo está tomado) pus-me a pensar no sentido de continuar a escrever num blog que tem o nome e o cabeçalho do babyblog que foi em tempos.
Estas resmas de posts já deviam ter sido transformadas em episódios para uma série streaming. Com cinco temporadas. Tenho de pensar melhor no episódio piloto, mas as temporadas seriam divididas da seguinte forma:
Temporada 1 - Lisboa, Campo de Ourique
Aqui acompanhamos o dia-a-dia da mãe grávida com uma filha de 9 anos e um bebé de um ano. Um dos episódios seria baseado neste post, claro. Seria explorada a obsessão por Virgínia Woolf e o constante questionamento do seu papel. Teria de haver um episódio sobre o curso de escrita criativa. E o início da mudança para a nova casa.
Temporada 2- Lisboa, Lapa e regresso a Campo de Ourique
Esta temporada começa na nova casa. Há bastantes cenas familiares descritas (para as diferentes temporadas), que podem ser usadas. Além de continuar a alimentar o blog, onde escreve muitos mais palavrões do que deveria (digo eu, agora), costura e tricota. O filho do meio vai para a creche e a mais velha está no conservatório de música. É nesta temporada que recebe a visita de avó. O regresso a Campo de Ourique é importante, porque as viagens para a creche passam a ser feitas de eléctrico e fica muito bem na fotografia. Arranja um emprego durante uns meses, e o salário mal dá para pagar a Babysitter que vai buscar os miúdos à creche. Antes disso, temos a menção honrosa do blog. É capaz de ser importante mencionar, apesar de já não saber qual era o prémio.
Temporada 3 - Lisboa, Anjos
Começa com a mudança para a Rua Maria, mas pelo meio passaram umas semanas no Porto. Os filhos mais novos estão no infantário e ela passeia pela Graça, conversa com pessoas no Largo do Intendente e escreve reportagens para publicações online. É um período de alguma incerteza em relação ao futuro e ela e o marido tentam abrir um negócio. O episódio em que foram à televisão tem de aparecer.
Temporada 4 - Timor Leste
Não sei qual a possibilidade de fazer filmagens em Timor, mas é impossível filmar a vida desta família do outro lado do mundo em estúdio. É preciso que se filme, pelo menos, uma das muitas viagens que fizeram pela ilha, um almoço no Hotel Timor e algumas cenas na Escola Portuguesa Ruy Cinatti.
Temporada 5 - Póvoa de Varzim
De regresso a Portugal, decidem ficar na Póvoa de Varzim e abrir uma garrafeira, em 2019. É aqui que acontece o maior drama na vida desta mãe, o afastamento da filha. Há uma pandemia pelo meio e o trabalho na garrafeira, mas é a temporada mais difícil de escrever, talvez por estar demasiado próxima. A avó morre.
Em todas as temporadas tem de haver um episódio que inclua a árvore de Natal desse ano. E uma das personagens a ler uma carta.
O nome da série? "Até o diabo se ria". O genérico seria muito bom!
As outras risadas do diabo: