Já devo ter dado mais uma volta completa, porque cheguei novamente ao "porque raio tenho eu um blog"? A imagem que me salta à vista é a de um cão a correr atrás do rabo (ou cauda, se preferirem) e o facto de uma volta dessas durar menos que um segundo é insignificante, porque o tempo, na minha vida, adquire muitas vezes uma forma pastosa, espessa e prolongada. Por isso, segundos e meses podem ser a mesma coisa.
Sobre a metáfora do cão, já agora, haveria muito a dizer, bem como sobre todos os outros animais com que me tenho identificado ao longo dos tempos, mas não é o momento apropriado.
Voltando ao início, não é tanto o porquê ou o para quê, porque isso, bem, who cares? É mais o olhar para isto e parecer-me um sítio complexo, para onde atirei as coisas assim a monte: as costuras para ganhar dinheiro; as outras costuras; as crónicas; as cenas e sei lá que mais.
Entretanto, apaguei 634 vezes o que estava a escrever, porque percebi que estava a falar de mim e não do blogue e como não faço a mínima ideia de como terminar o post, fica assim.
Actualização
28.5.12
Em vez de "Não separe o Homem aquilo que Deus uniu" deve dizer-se, em rigor da verdade, "Não separe o Homem aquilo que o Banco uniu".
Ah, o equilíbrio
25.5.12
Virei a casa do avesso à procura de cola, com os dois atrás de mim a revirá-la, para fazermos colagens. Era assim a actividade que ia salvar a manhã e divertir-nos a todos muito, muito. Mas não há cola nesta casa.
Por isso a alternativa foi dançar o Vicente , a última obsessão do Isaac, depois de fazermos sopa a brincar com uma varinha mágica a sério. A seguir, como ainda era cedo, decidimos ir à praia. Fizemos castelos de areia, tomamos banhos no mar, com o Isaac a insistir que eu devia tirar a parte de cima do biquini (eu achei melhor não, pareceu-me excessivo fazer topless na minha sala) e levámos o Nicolau a molhar os pés.
Se há coisa que eu não tenho a menor das dúvidas é que os miúdos precisam tanto disto como de comer e dormir.
E eu imagino o meu futuro próximo assim: trabalhar três dias e meio por semana e passar os outros três e meio a fazer disparates com eles (e ir sair de vez em quando com o pai deles).
Por isso a alternativa foi dançar o Vicente , a última obsessão do Isaac, depois de fazermos sopa a brincar com uma varinha mágica a sério. A seguir, como ainda era cedo, decidimos ir à praia. Fizemos castelos de areia, tomamos banhos no mar, com o Isaac a insistir que eu devia tirar a parte de cima do biquini (eu achei melhor não, pareceu-me excessivo fazer topless na minha sala) e levámos o Nicolau a molhar os pés.
Se há coisa que eu não tenho a menor das dúvidas é que os miúdos precisam tanto disto como de comer e dormir.
E eu imagino o meu futuro próximo assim: trabalhar três dias e meio por semana e passar os outros três e meio a fazer disparates com eles (e ir sair de vez em quando com o pai deles).
Progesterona
24.5.12
Coisas que me fazem suspeitar que o chip que meti no braço para não engravidar, faz amanhã duas semanas, me anda a mexer com os nervos:
1- O post anterior;
2- Apetece-me, amiúde, empurrar a Beatriz da cadeira quando começa a mastigar;
3- Escrevi, pela primeira vez, amiúde neste blogue;
4- Tenho dito repetidas vezes coisas muito adolescentes, como "está tudo acabado entre nós";
5- Almocei às 11h20 da manhã e vi 30 minutos de um filme da Barbara Streisand com a própria.
1- O post anterior;
2- Apetece-me, amiúde, empurrar a Beatriz da cadeira quando começa a mastigar;
3- Escrevi, pela primeira vez, amiúde neste blogue;
4- Tenho dito repetidas vezes coisas muito adolescentes, como "está tudo acabado entre nós";
5- Almocei às 11h20 da manhã e vi 30 minutos de um filme da Barbara Streisand com a própria.
Ui, o que foi isto?
23.5.12
Fui espreitar este blog, que não conhecia, e fiquei completa e totalmente derretida. Vi-me com os meus assim pequeninos e lacrimejei e tudo. Valha-me minha nossa senhora e todos os deuses do Olimpo.
Cenas da vida familiar
22.5.12
Cena 8
Personagens: mãe, os dois rapazes e vários figurantes.
Cenário: escadas do prédio/rua/creche/jardim
Mãe desce as escadas apressada com o bebé ao colo. Senta-o no carrinho, aperta o cinto e abre as duas portas da entrada do prédio. Empurra o carrinho para o passeio, trava-o e fecha as portas. Destrava o carrinho, sobe a rua em frente, vira à esquerda, sobe, vira à direita, sobe. Pára uns segundos a arfar. Continua. Sorri para o bebé, que come uma bolacha. Vira à esquerda, sobe, vira à direita continua em frente e pára em frente a umas escadas seguidas de um portão. Estaciona o carrinho na rua. Vê as horas no telemóvel: 15h34. Tira o bebé e entra.
Funcionária da creche: Olá mãe, faz favor de entrar, ele está no recreio.
A mãe entra com o bebé cheio de bolacha no pescoço, na camisola, nas orelhas e no cabelo. Abre a porta que dá para o recreio.
Educadora da creche: Olha, Isaac, quem chegou!
Isaac: Mamãaaaaaaaaaa. Anda ver as 'tatarugas'. A mãe dá-lhe a mão e vai ver os cágados. Depois senta o Nicolau no chão, pergunta se o pode deixar ali e vai com o Isaac tirar o bata e trocar os sapatos.
Regressa para apanhar o Nicolau e saem os três.
Senta o Nicolau no carrinho, prende o cinto, guarda o casaco e o 'senhor cão' na parte de baixo do carrinho, desprende a plataforma acoplada ao carrinho, grita "Isaac STOP" e corre atrás dele. Pergunta-lhe se quer ir ao jardim, coloca-o em cima da plataforma e empurra os dois.
Sobe, sobe, vira à direita, desce, desce, chega ao jardim. Senta o Nicolau na relva. O Isaac corre livremente.
Isaac: Mamã quero fazer cocó?
Mãe: a sério?
Isaac: Sim, é sério, mamã.
Mãe: Vamos, então, corre para o quarto de banho. Deixa-me só pôr aqui o Nicolau...Nicolau, onde pensas que vais?
Isaac: Não, mamã, não quero ir ao quarto de banho. Cocó aqui na relva. Quero fazer cocó.
Mãe vasculha o saco. Depois pega no Isaac e põe-no a fazer cocó junto a uma árvore, enquanto o Nicolau come lama.
Mãe: Se os cães podem fazer cocó aqui, acho que também podes.
Nicolau, que estás a fazer? Porcaria, bebé, anda cá. Ni-co-laaau, cucu. Anda aqui à mãe, sim?
Já está, Isaac?
Isaac: Sim, já está.
Mãe limpa o rabo do filho com lenços de papel, apanha o cocó e vai pô-lo no lixo, perante o olhar espantado do filho. Agarra no outro e leva-os à fonte ali perto para lavar as mãos. Lava também a boca do mais novo.
Regressam à relva.
Isaac: Mamã, tenho mais cocó...
As mães vistas pelos filhos
22.5.12
Tirei dois livros de Frederico Lourenço da estante porque, apesar de não ter lido nada dele, achava que o conhecia. Depois lembrei-me de uma crítica de Eduardo Pitta, não sei quando, nem sobre que livro, mas nada disso vem ao caso.
Ontem li o Amar não Acaba e pareceu-me, a dada altura, que ele podia estar a falar de mim em vez da mãe dele (é provável que isto de me ver retratada em tudo e mais alguma coisa seja uma doença).
"Fazer tricô, sim; ser apenas uma mãe no meio das outras, nem pensar: a minha mãe nunca gostou de passar despercebida", pág. 75.
"Na minha mãe coexistiam (pelo menos) duas personalidades antagónicas: a "freira" (que se realizou como pôde no papel de Aliada) e a "mulher fatal". No caso da segunda personalidade, a realização não foi tão fácil como no caso da primeira, porque se é difícil ser-se freira quando se é mulher fatal, muito mais difícil é ser-se mulher fatal quando se é freira.", pág.103
"Querer tanta coisa ao mesmo tempo era impossível; e ela sofreu muito - demais, até - por ficar aquém do ideal que estabelecera como meta para si própria", pág. 103
"À tarde, de volta do chá, a minha mãe dizia-me que queria fundar uma comunidade da Arca em Portugal, onde fiaria a lã para tecer a sua própria roupa e teria um rebanho de ovelhas donde extrairia a lã...mas tocava o telefone e (...) Aperaltava-se toda com roupa que nunca poderia ter sido tecida à mão e lá ia para uma grande festa , decidida a brilhar o mais possível no meio dos descendentes dos titulares cuja genealogia eu estudara na Enciclopédia Luso-Brasileira.", pág. 106
Frederico Lourenço, Amar Não Acaba, Cotovia, 2004
Ontem li o Amar não Acaba e pareceu-me, a dada altura, que ele podia estar a falar de mim em vez da mãe dele (é provável que isto de me ver retratada em tudo e mais alguma coisa seja uma doença).
"Fazer tricô, sim; ser apenas uma mãe no meio das outras, nem pensar: a minha mãe nunca gostou de passar despercebida", pág. 75.
"Na minha mãe coexistiam (pelo menos) duas personalidades antagónicas: a "freira" (que se realizou como pôde no papel de Aliada) e a "mulher fatal". No caso da segunda personalidade, a realização não foi tão fácil como no caso da primeira, porque se é difícil ser-se freira quando se é mulher fatal, muito mais difícil é ser-se mulher fatal quando se é freira.", pág.103
"Querer tanta coisa ao mesmo tempo era impossível; e ela sofreu muito - demais, até - por ficar aquém do ideal que estabelecera como meta para si própria", pág. 103
"À tarde, de volta do chá, a minha mãe dizia-me que queria fundar uma comunidade da Arca em Portugal, onde fiaria a lã para tecer a sua própria roupa e teria um rebanho de ovelhas donde extrairia a lã...mas tocava o telefone e (...) Aperaltava-se toda com roupa que nunca poderia ter sido tecida à mão e lá ia para uma grande festa , decidida a brilhar o mais possível no meio dos descendentes dos titulares cuja genealogia eu estudara na Enciclopédia Luso-Brasileira.", pág. 106
Frederico Lourenço, Amar Não Acaba, Cotovia, 2004
Das coisas sérias
19.5.12
De cada vez que envio uma crónica apetece-me, logo a seguir, pedir para não a publicarem. Às vezes peço para fazerem uma ou outra alteração, outras faço por esquecer que a escrevi. Mas elas lá estão, à vista de toda a gente. É assim tão diferente de escrever no blogue, perguntaram-me? É. Aqui sou eu, e eu não me levo muito a sério. Lá sou a cronista e nada me parece tão sério como isso.
A eterna discussão
17.5.12
"O meu filho mais velho chega amanhã; sim, é o rapaz mais promissor do King's; (...). E tudo o que eu posso contrapor a isto, é: e eu ganhei duas mil libras com o Orlando e pude trazer cá o Leonard, e posso comprar uma casa se me apetecer.", Virginia Woolf, Diário, 15 de Junho 1929.
Desafio concluído
16.5.12
Pois, então, que lá fui fazer o meu casting, ser eu própria como se pretendia, para confirmar o que já suspeitava: eu não tenho grande interesse para as empresas. E, não, não vou estar aqui a dizer que não sabem o que dizem, porque sabem e dizem-no de uma forma muito simpática e assertiva. Eu escusava era de me sentir tão diminuída.
Mas fui. Está feito.
Mas fui. Está feito.
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