A contas com o passado
12.7.11
Já passaram 17 anos desde que o tive como professor. Foi com ele que ouvi falar, pela primeira vez, de Ravi Shankar, Egon Schiele e algumas teorias de psicanálise, entre muitas outras coisas. Punha-nos a ler romances e fazia perguntas nos exames sobre o que tínhamos lido. A mim mandou ler "As Ondas" (era um livro diferente para cada aluno). Detestava-o. Tinha medo dele. Por isso nunca li nada do que escreveu. Mas depois deste tempo todo acho que estou preparada para ler Mário Cláudio.
Fim-de-semana
11.7.11
Do fim-de-semana sobraram duas perguntas que estão a martelar na minha cabeça:
1-De que te queixas?
2-Porque é que te fartas das coisas?
Eu ainda hei-de ter dias de glória
7.7.11
Fiz uma lista, mentalmente, do que queria fazer hoje e como estou cada vez mais realista a dita incluía apenas três coisas: mungir-me para poder ir ao cinema antes que me passe definitivamente dos carretos; costurar para chegar ao fim do dia com alguma coisa concreta realizada; e fazer uma tarde de dióspiros, porque estou sempre capaz de devorar este mundo e o outro e mais vale fazê-lo com ingredientes saudáveis. A última foi logo posta de parte, porque não estamos em época de dióspiros e a fruteira estava miseravelmente descomposta (ainda hei-de encontrar alguma coisa para fazer com ameixas); a costura foi para o galheiro porque o mais velho dormiu metade da sesta e o leite, bom, o leite deixou-se estar lá onde costuma estar antes do bebé o sugar, ou sair por livre e espontânea vontade. *suspiro* Eu sei, uma miséria!
É oficial: sou uma mulher madura
5.7.11
Confirma-se que vou passar uma semana de férias ao Algarve...em Agosto. Depois disto (e de me ouvir dizer à médica que preferia o DIU à pílula) acho que posso dizer com toda a segurança que atingi uma certa maturidade. No mau sentido.
Puericultura
4.7.11
Durante a gravidez e em algumas consultas de pediatria no hospital, sempre que eu respondia à pergunta "Primeiro filho?" obtinha as mais variadas reacções. A minha preferida foi a de um pediatra: "ah, bom, então já pode escrever um livro de pediatria".
A mim já me ocorreu escrever vários livros, incluindo de banda desenhada mesmo sem saber desenhar, mas nunca me tinha ocorrido escrever sobre pediatria. Se o fizesse (coisa que não vai acontecer, descansai) começaria por desmistificar alguns mitos.
1- Se a mãe estiver feliz o filho também está.
Este mito até pode resolver muitos problemas de consciência e manter um certo equilíbrio da sociedade, mas toda a gente sabe que quanto pior estiver a mãe, melhor está o bebé, porque mama à hora que quer, é embalado a qualquer hora do dia, independentemente da mãe ter de comer, dormir, ou ir ao quarto-de-banho, etc.
2- Criar rotinas é muito importante para o bebé se sentir seguro.
O bebé sente-se seguro no colo da mãe e do pai. Sente-se seguro a mamar. A ouvir vozes familiares e ver espaços que reconhece. Portanto, se estiver sempre com as mesmas pessoas e for mimado e acarinhado por elas sente-se seguro. As rotinas são para nós, os adultos, não nos baralharmos demasiado.
3 - O bebé precisa de aprender a dormir, como aprende tudo o resto.
Há pais que sofrem horrores com os sonos dos seus bebés. Em relação a isso não há nada a fazer. Chega uma altura, por volta dos dois, três anos, em que eles começam a atinar com coisa, mas alguns continuam a não saber dormir pela vida fora. Isso não representa problema nenhum a não ser o facto de os pais precisarem de dormir.
....
Podia continuar mas tenho de ir tratar dos filhos. Isto dos livros é para quem não os tem, ou tem quem cuide deles.
A mim já me ocorreu escrever vários livros, incluindo de banda desenhada mesmo sem saber desenhar, mas nunca me tinha ocorrido escrever sobre pediatria. Se o fizesse (coisa que não vai acontecer, descansai) começaria por desmistificar alguns mitos.
1- Se a mãe estiver feliz o filho também está.
Este mito até pode resolver muitos problemas de consciência e manter um certo equilíbrio da sociedade, mas toda a gente sabe que quanto pior estiver a mãe, melhor está o bebé, porque mama à hora que quer, é embalado a qualquer hora do dia, independentemente da mãe ter de comer, dormir, ou ir ao quarto-de-banho, etc.
2- Criar rotinas é muito importante para o bebé se sentir seguro.
O bebé sente-se seguro no colo da mãe e do pai. Sente-se seguro a mamar. A ouvir vozes familiares e ver espaços que reconhece. Portanto, se estiver sempre com as mesmas pessoas e for mimado e acarinhado por elas sente-se seguro. As rotinas são para nós, os adultos, não nos baralharmos demasiado.
3 - O bebé precisa de aprender a dormir, como aprende tudo o resto.
Há pais que sofrem horrores com os sonos dos seus bebés. Em relação a isso não há nada a fazer. Chega uma altura, por volta dos dois, três anos, em que eles começam a atinar com coisa, mas alguns continuam a não saber dormir pela vida fora. Isso não representa problema nenhum a não ser o facto de os pais precisarem de dormir.
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Podia continuar mas tenho de ir tratar dos filhos. Isto dos livros é para quem não os tem, ou tem quem cuide deles.
Cenas da vida familiar
2.7.11
Cena 3
Personagens: As mesmas mais o pai.
Cenário: Sala de jantar
A mãe, o pai e a filha mais velha estão à mesa a jantar. O bebé mais pequeno está na espreguiçadeira, no chão, a lado do pai.
A mãe, o pai e a filha mais velha estão à mesa a jantar. O bebé mais pequeno está na espreguiçadeira, no chão, a lado do pai.
Pai: queres vinho?
Mãe: sim, por favor. Aponta com o dedo para o copo. O pai enche-lhe meio copo.
Filha: o que estamos a comer.
Mãe: bacalhau à bráz.
Ouve-se o choro de uma criança. Chama pelo pai. Ele levanta-se e sai. A criança cala-se. O pai regressa à mesa.
Pai: Está cheio de calor, deixei a janela do quarto aberta.
Mãe: Pois, é capaz de ser melhor.
Filha: Já acabei, posso sair?
Toca um telefone.
Filha: deve ser o papá. Sai da mesa, pega no telemóvel e afasta-se.
Os pais ficam à mesa. O bebé começa a gemer. O pai abana a espreguiçadeira com o pé. Começam a discutir.
Mãe: ksdjhfskjdfsljfslkjfsdlkjgsdkfjsdlkdfsldfskdjlKJFFÇSGÇASD
Pai: hwekjhfewhfwiuhdasoidsaljdsafksdhfdhffkldfhgkdfhglkadhga
Mãe: fhnashfkasdfsdfldsflsdfsdfsdASJDKSHFLASHFLJSADFsfgsdfsdflsdakf
Pai: skldjfhsdfhldsfsdfsdhfsdlfsdfsdf
Mãe: safsdlkjhfkhsdfkjshfljksdfkjshdfksjlçdfhsdçjk
Pai: LKSJDKJSDAHFLSKJAD
Mãe: KSAJDSDFHSDFHSDHFSDJFSDFLASDFDSAJGLDFSFA
Filha (que acabou de chegar à sala): Vocês estão a discutir?
Mãe: Não.
Filha: Não? Eu da cozinha ouvia-vos falar num tom que parecia mesmo de discussão.
Mãe: impressão tua.
O pai ao pegar no copo de vinho entorna-o sem querer e o vinho cai em cima do bebé, que começa a chorar. O pai aflito pega no bebé e sai a correr com ele. A filha mais velha corre atrás. A mãe fica a olhar para a parede com riscos de giz azul e manchas de vinho.
Mãe: ksdjhfskjdfsljfslkjfsdlkjgsdkfjsdlkdfsldfskdjlKJFFÇSGÇASD
Pai: hwekjhfewhfwiuhdasoidsaljdsafksdhfdhffkldfhgkdfhglkadhga
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Filha (que acabou de chegar à sala): Vocês estão a discutir?
Mãe: Não.
Filha: Não? Eu da cozinha ouvia-vos falar num tom que parecia mesmo de discussão.
Mãe: impressão tua.
O pai ao pegar no copo de vinho entorna-o sem querer e o vinho cai em cima do bebé, que começa a chorar. O pai aflito pega no bebé e sai a correr com ele. A filha mais velha corre atrás. A mãe fica a olhar para a parede com riscos de giz azul e manchas de vinho.
Torre de Moncorvo
28.6.11
(obrigada pela foto, Xana)
Andava a adiar relacionar-me com Jorge Luís Borges (não sei quando é que comecei a ler autores em vez de livros, ou melhor sei mas já lá vamos), porque tinha medo de não me apaixonar como me aconteceu com outros escritores - que por acaso tenho evitado ler para continuar a olhá-los com os mesmos olhos de há muitos anos. É o caso da Marguerite Duras e do Milan Kundera. E, efectivamente, os meus receios confirmaram-se. Talvez por ter começado com um livro muito particular, não sei.
Acontece que, por caso, fiquei a saber que o bisavô de Borges terá nascido e vivido em Torre de Moncorvo, antes de emigrar para a Argentina e casar com Cármen Lanifur. Ora, há muitos, muitos anos fui passar uns dias a Torre de Moncorvo com a Xana e a Paula e foi precisamente nessa altura que comecei a devorar livros como quem come cerejas, muitos graças à nossa professora de português Rosa Guedes, que quase todas as semanas me entregava uma saca deles para eu ler.
Lembro-me perfeitamente de estar na esplanada do Manolo a ler "O Amante" e sentir que a Duras sabia exactamente o que eu sentia pela minha mãe e, tal como aquelas pacientes que se apaixonam pelo terapeuta, apaixonei-me de imediato pela escritora.
Para ser mais precisa eu comecei a ler avidamente antes disso, teria uns 12 ou 13 anos, mas não sei se se poderá chamar livros à colecção Sabrina, que um dia encontrei numa caixa que ia para o lixo (sim, em minha casa não existiam livros, mas não vamos começar a falar da minha infância),
Nessa viagem a Moncorvo não sei quantos livros li, lembro-me do diario de Adrian Mole e um dos volumes de As Brumas de Avalon (e da comida da avó da Xana e da maravilhosa viagem de comboio, com o David Bowie no walkman...).
Resumindo, não me apaixonei por Borges (ainda), mas temos Moncorvo em comum e isso parece-me um bom pronúncio.
Transtorno de identidade
27.6.11
Há muito tempo que percebo os transexuais porque sou uma daquelas raparigas muito magras, sem mamas, do género andrógeno mesmo, enfiada num corpo com nádegas e mamas proeminentes.
Festa
22.6.11
Hoje, a Beatriz vai pela última vez para a escola primária. É o fim de um ciclo que ela completou com distinção. Não sei com quantas festas da escola tive de levar ao longo destes anos e em quase todas elas disse mal da minha vida (houve aquela no infantário em que me emocionei, pronto, mas era a primeira e ela procurou-me no meio dos pais com aqueles olhos enormes). Aquilo é insuportável.
Hoje, pela primeira vez, não posso ir a uma festa da escola da Beatriz e, apesar de tudo, fico um bocadinho triste. Pronto já passou...É a última e ela vai ser a apresentadora...OK, mas não deixa de ser uma festa da escola. Insuportável, portanto.
Hoje, pela primeira vez, não posso ir a uma festa da escola da Beatriz e, apesar de tudo, fico um bocadinho triste. Pronto já passou...É a última e ela vai ser a apresentadora...OK, mas não deixa de ser uma festa da escola. Insuportável, portanto.
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