Inverno

14.1.14


Todos os dias procurar fazer uma coisa que me agrade, que me dê verdadeiramente prazer, é o meu mais recente desafio, e não, não tem nada a ver com o ano novo. De vez em quando preciso de fazer este tipo de exercícios para funcionar. Muita gente fá-lo naturalmente, mas eu tenho de encarar a coisa como exercício. 
Por isso, hoje, fiz um pequeno desvio quando fui buscar os meninos à escola, para ver, mais uma vez, o prédio mais bonito de Lisboa. Ainda não o tinha visto no Inverno.  
Pergunto-me se estarei por aqui, em Lisboa, para o fotografar nas outras três estações e sigo o meu caminho.

Lixo

12.1.14
Vejamos, eu acho mesmo que o equilíbrio passa, quase sempre, por seguir umas quantas regras de bom senso. Mas, no meu caso parece sempre mais complicado do que isso. Por exemplo, aqui na minha rua, quando uma pessoa se esquece de levar o lixo comum ao sábado, tem de ficar com ele até terça-feira. Ou seja, eu tenho de acumular lixo de cinco dias até poder depositá-lo na rua para o camião o recolher.
Podia fazer como os meus vizinhos e deixá-lo no caixote, dentro do prédio, a tresandar, mas não sou capaz. Eu cumpro as regras de civismo, só não cumpro as outras. Por isso, passo a vida a acumular lixo, literal e metaforicamente falando.

Ainda não tínhamos falado de masturbação

10.1.14
Acho que se espremer este blog, e deitar fora o que não interessa (uma grande parte), encontro aqui algumas coisas engraçadas, mas o mais interessante, para mim, é verificar que eu vou oscilando entre a vontade de fazer e a de reflectir. Por isso é que umas vezes ando às voltas com a máquina de costura e o tricot e outras obcecada com a Virginia Woolf (onde será que deixei o Diário?).
Neste momento, é fácil perceber que a fase maker anda um bocado nas ruas da amargura, mas digamos que a thinker também não anda a marcar muitos pontos. 
No entanto, entre ir ali acabar de transformar um casaco, ou dar um salto ao Nimas, apetece-me muito mais a segunda hipótese. Ainda por cima, a primeira vez que me apeteceu masturbar depois de ver um filme foi com um do Ingmar Bergman.

Então, decidi

9.1.14
tomar um banho demorado, fazer um bolo de maçã e canela e acabar de ler o livro. E apercebi-me que se calhar devia era ter uma vida de merda.
Assim, aquele momento em que os meninos chegam passava a ser uma bênção, um bálsamo, e não o terramoto que habitualmente é: gritos, chapadas, dedos entalados, iogurtes entornados, etc.
Seja como for, vejo como estão crescidos e percebo, finalmente, essa coisa da passagem do tempo. Passou rápido, realmente.
Aliás, não sei se por causa desta nova perspectiva temporal, ou se por algum amadurecimento emocional, pela primeira vez não chorei a despedir-me do Jaime.

Bloqueio

8.1.14
Tenho duas horas até ir buscar os miúdos à escola. Posso fazer o que bem entender, desde que não implique gastar dinheiro, e não faço a mínima ideia por onde começar...

À saída do cinema

7.1.14
Comentários da família depois de vermos o Frozen:
Nicolau (que esteve o tempo quase todo de boca aberta a olhar para a tela) - "Tinha um monstro muito mau".
Isaac - "Quero ver outra vez".
Bea - "A Disney ainda sabe fazer filmes, não achas?"
Jaime - "Não te parece que aquela princesa do gelo tinha umas formas demasiado pronunciadas para um filme infantil?"
Eu - "Não era uma princesa, era uma rainha".

Anda-me a sair cada bojarda!

7.1.14
"Se queres destacar-te em alguma coisa, sobretudo na área em que queres especializar-te, tens mesmo de estar focada nesse objectivo e trabalhar muito. Não podes dispersar-te, ou acabas uma frustrada como eu". Andam-me a sair bojardas destas pela boca fora.
Eu sabia que quando ela chegasse à adolescência a nossa relação seria obrigatoriamente diferente e sabia que a minha intuição me ajudaria a perceber a melhor forma de lidar com isso. O que eu não sabia era que haveria de dizer coisas tão sonantes e pesadas.
A ideia era ela aprender na escola a gramática, matemática e físico-química e o resto connosco, no nosso quotidiano, nas nossas viagens, nas discussões à mesa e depois ela decidia se ia para a universidade, ou fazer uma viagem à volta do mundo, ou voluntariado numa ONG.
Como é que se tornou tudo tão sério?

Madrugar

6.1.14
Todas as coisas que queria começar a mudar a partir de Janeiro, pequenas coisas como: atender o telefone, beber água, criar um horário de trabalho, não andar sempre com o mesmo calçado, etc., foram por água abaixo quando tive de me levantar hoje às 7:00. É que nestas férias os rapazes aprenderam a dormir até tarde e eu sou uma pessoa mais feliz quando não tem de madrugar.

2014

3.1.14
Bom, se há um ano eu achava que 2013 ia ser um ano do caraças, nem sei o que esperar deste. Primeiro, porque me senti mesmo bem na casa desta rapariga (a sério, eu ia lá passar o ano e fiquei três noites e quando cheguei a casa já não sabia onde eram os interruptores).
Depois, porque me aconteceram coisas espectaculares, como: ter todos os filhos acordados à meia-noite; não me lembrar do que aconteceu em grande parte de noite e adormecer com um dente partido, depois de ter estado, sei lá quanto tempo, a tentar tirar uma cena que tinha no dente, quando afinal tinha... um dente.
Além disso, quais são as probabilidades de jantarem, divertirem-se e dormirem quase trinta pessoas numa casa sem problemas de maior?
Se este blog ainda existir no final de 2014, logo veremos se foi um ano do caraças maior do que o anterior, mas para já fiquei a saber que o meu neto Francisco (o filho imaginário do Isaac) não tem mãe, porque já está "com o Jesus". Ou seja, a minha mãe ainda pode esperar salvar algum membro da família das chamas do inferno. Isto, porque o único telefonema que recebi foi dela, a dizer-me, muito chorosa, que estava muito desiludida comigo, que tinha uma "espada atravessada no coração", e que esperava que eu começasse o ano novo numa nova vida.
É tão curioso isto, eu e a minha mãe queremos exactamente o mesmo, só que em direcções completamente opostas. Ou se calhar nem tanto assim, tendo em conta que os opostos aproximam-se.