Devo andar a fazer alguma coisa muito bem feita, ou muito mal feita
15.11.13
Três dias depois uma pessoa chega a casa e quem parece ter sentido mais a minha falta foram os gatos. Bom, a Beatriz disse qualquer coisa sobre eu não pensar em repetir a brincadeira e o Isaac acordou a meio da noite para me dizer que eu era uma princesa, mas tirando isso a minha ausência parece ter passado despercebida. Ainda bem, pensei eu, depois de um breve momento "ingratos de merda".
Escrita automática*
14.11.13
Eu acho que se calhar o príncipe Guilherme é um gajo não tão desengraçado como parece nas fotos mas, quer dizer, ele é príncipe, se ele não tem como parecer engraçado, até porque nem tem má figura, o que será de nós, a plebe? E seremos mesmo, nós, a plebe? Ainda agora saíram daqui de casa umas quantas gajas maravilhosas, que não têm títulos reais (bem, na verdade, uma delas é casada com um gajo desses da nobreza sem trono, por enquanto), e ao almoço tive oportunidade de passar um bom bocado com gente igualmente do melhor, atenção, do melhor, o que me faz pensar que nós, essa gentalha de merda, que supostamente andou a gastar mais do que devia, por precisamente não passar de gentalha, somos muito mais espectaculares do que vocês, ó pessoas que não precisam de trabalhar**, porque alguém trabalhou/trabalha por vocês. Nós somos espectaculares e vocês são uma merda, ok? Pronto, ainda bem que nos entendemos. Vou dormir.
*É uma escrita automática falsa, porque parei uma ou outra vez.
**Este é um conceito complicado, porque há quem não precise de trabalhar, uma vez que tem dinheiro/rendimentos para se sustentar; e quem precise de muito pouco dinheiro (que vai arranjando como pode) para viver.
*É uma escrita automática falsa, porque parei uma ou outra vez.
**Este é um conceito complicado, porque há quem não precise de trabalhar, uma vez que tem dinheiro/rendimentos para se sustentar; e quem precise de muito pouco dinheiro (que vai arranjando como pode) para viver.
Este blog é uma sanita
12.11.13
Queridas pessoas que passam por aqui, e que são muitas mais do que alguma vez poderia imaginar, tenho uma terrível notícia para vos dar: este blog, tirando algumas pessoas que me permitiu conhecer pessoalmente e uma ou outra experiência que me permitiu vivenciar, não serve para nada. E isso é o melhor que se pode esperar de alguém, ou de alguma coisa. Não tem utilidade prática. Só serve para me aliviar, tipo uma sanita, e as sanitas são uma cena recente, acreditem, ou não. Ou seja, o acto de me aliviar teria de existir com ou sem blog.
Eu nem sequer preciso do blog para me lembrar de momentos marcantes (mentira, já o usei precisamente para isso, mas agora não interessa), quando tenho o Isaac a perguntar-me várias vezes. "Lembras-te daquele jardim com muitos caminhos e estátuas? Ou, "lembras-te quando me contaste aquela história?" Ou, "lembras-te quando fomos de comboio para a casa do Porto"...
(Agora reparo que falta uma espécie de conclusão, mas não tenho, desculpem.)
Eu nem sequer preciso do blog para me lembrar de momentos marcantes (mentira, já o usei precisamente para isso, mas agora não interessa), quando tenho o Isaac a perguntar-me várias vezes. "Lembras-te daquele jardim com muitos caminhos e estátuas? Ou, "lembras-te quando me contaste aquela história?" Ou, "lembras-te quando fomos de comboio para a casa do Porto"...
(Agora reparo que falta uma espécie de conclusão, mas não tenho, desculpem.)
O sinal
11.11.13
Nunca dei grande importância ao meu sinal. Eu achava que tinha tantos "defeitos" que o sinal era a última das minhas preocupações.
Houve uma dermatologista e uma esteticista que comentaram o sinal como fonte de preocupação, mas a primeira descansou-me depois de se pôr a esfregá-lo, mirá-lo de perto e fazer-me responder a umas quantas perguntas.
Também tinha, tenho, um amigo da faculdade que gostava de fazer a piada: "tens qualquer coisa na testa" e mais tarde outros amigos talentosos que me fizeram uma fotonovela inacreditável, onde o meu sinal assumiu algum destaque, mas, apesar de agora que disse isto tudo me parecer ridículo reforçar a ideia de que nunca lhe dei grande importância, a verdade é que o meu sinal era só um sinal um bocado maior do que todos os outros que tenho (e tenho muitos).
Só que tudo mudou quando vi a Greta Gerwig no Frances Ha. Eu sei que é muito triste uma pessoa valorizar o que quer que seja só porque está no cinema, mas vocês estão fartíssimas(os) de saber que eu, além de infantil, sou uma actriz/artista frustrada.
Houve uma dermatologista e uma esteticista que comentaram o sinal como fonte de preocupação, mas a primeira descansou-me depois de se pôr a esfregá-lo, mirá-lo de perto e fazer-me responder a umas quantas perguntas.
Também tinha, tenho, um amigo da faculdade que gostava de fazer a piada: "tens qualquer coisa na testa" e mais tarde outros amigos talentosos que me fizeram uma fotonovela inacreditável, onde o meu sinal assumiu algum destaque, mas, apesar de agora que disse isto tudo me parecer ridículo reforçar a ideia de que nunca lhe dei grande importância, a verdade é que o meu sinal era só um sinal um bocado maior do que todos os outros que tenho (e tenho muitos).
Só que tudo mudou quando vi a Greta Gerwig no Frances Ha. Eu sei que é muito triste uma pessoa valorizar o que quer que seja só porque está no cinema, mas vocês estão fartíssimas(os) de saber que eu, além de infantil, sou uma actriz/artista frustrada.
Sobra-me tempo
10.11.13
O meu bisavó materno chamava-se Ananias Ferreira e o pai dele José Basílio. Gostava tanto de saber mais sobre eles que dou por mim a procurar registos no GeneAll e afins. Sim, além do silêncio que me rodeia sobra-me tanto tempo!
A liberdade é sobrevalorizada #2
10.11.13
Eles estão a caminho de Lisboa. Eu estou no Porto sozinha. Pensei que ia ouvir trombetas e cânticos de aleluia. Pensei que ia sair de casa a correr, com os cabelos soltos ao vento e de braços abertos para receber a querida liberdade. Pensei que ia fechar os olhos e sorrir como aquelas gajas que comem iogurtes não sei de quê na televisão.
E afinal, estou para aqui feita parva a olhar à minha volta e achar isto um bocado estranho.
E afinal, estou para aqui feita parva a olhar à minha volta e achar isto um bocado estranho.
Café
6.11.13
Apesar de já não me sentir sempre um cagalhoto a boiar no mar, sem forças para me mexer, ainda tenho dias maus, dias quase insuportáveis. Normal. Ter dias bons e dias maus faz parte.
Importa é reagir, por isso decidi que hoje não ficava em casa. Vim para o café que fica mais perto e que tem wireless. É um café minúsculo onde se serve aguardente às 10h00 da manhã. As mulheres que entram aqui são as que vêm tomar o pequeno almoço antes de ir trabalhar, ou levar os filhos à escola. De resto são só homens.
Deve haver outros cafés por perto com acesso à internet e "melhores" fregueses, mas eu, por qualquer razão que desconheço, escolho sempre estes. Por exemplo, quando me apetece um café, escolho os sítios que servem Delta. Há dois, um com muito bom aspecto e cheio de gente bem vestida e que aparece na televisão e o outro é um corredor cheio de gente com ar infeliz e poucos dentes. Onde é que vou tomar café? ao corredor, claro.
Importa é reagir, por isso decidi que hoje não ficava em casa. Vim para o café que fica mais perto e que tem wireless. É um café minúsculo onde se serve aguardente às 10h00 da manhã. As mulheres que entram aqui são as que vêm tomar o pequeno almoço antes de ir trabalhar, ou levar os filhos à escola. De resto são só homens.
Deve haver outros cafés por perto com acesso à internet e "melhores" fregueses, mas eu, por qualquer razão que desconheço, escolho sempre estes. Por exemplo, quando me apetece um café, escolho os sítios que servem Delta. Há dois, um com muito bom aspecto e cheio de gente bem vestida e que aparece na televisão e o outro é um corredor cheio de gente com ar infeliz e poucos dentes. Onde é que vou tomar café? ao corredor, claro.
Obrigada, Helena*
4.11.13
"(...)Parece-me que se continua a confundir "não bater" com "não educar".
A minha teoria é: bater é fácil - o que é difícil é educar realmente, porque educar exige mais inteligência, mais autoridade e mais energia. Penso que bater é o contrário de educar. Volta e meia acontece, mas é bom que se perceba que é um descarrilamento do adulto, e não um método educacional.
Gostava que ficasse claro de uma vez por todas: "não bater" não é sinónimo de "não educar", ou de ausência de autoridade e referências.
Conhecem os filmes do Jimmy Kimmel, "i ate your halloween candy"?
Sugiro um passatempo: vejam os dois filmes, e imaginem de que modo é que cada uma daquelas crianças estão a ser educadas.
Gosto especialmente das últimas crianças do segundo filme: https://www.youtube.com/watch?v=WOlpdd7y8MI
Aqui está a gravação de toda a conversa da última das miúdas do filme:
https://www.youtube.com/watch?v=9gPktcV0A-g
Tem 3 anos. A idade em que, segundo o João, eles não percebem o suficiente e por isso precisam de levar uma palmada pedagógica.
Pois eu aposto com quem quiser que aquela miúda nunca levou uma palmada. E é justamente porque a mãe faz questão de a educar, em vez de a domesticar à palmada, que ela responde assim: dizendo como se sente, e fazendo sugestões para que de futuro a mãe não repita esse erro."
*Comentário da Helena Araújo a este post.
P.S Os meus filhos não levam palmadas (quer dizer, já me escapou uma ou duas, depois de uma daquelas coisas inaceitáveis que eles às vezes fazem) e não são tão compreensivos como a deliciosa menina do segundo filme, mas isso não me impede de continuar a acreditar piamente que as palmadas não levam a lado nenhum.
A minha teoria é: bater é fácil - o que é difícil é educar realmente, porque educar exige mais inteligência, mais autoridade e mais energia. Penso que bater é o contrário de educar. Volta e meia acontece, mas é bom que se perceba que é um descarrilamento do adulto, e não um método educacional.
Gostava que ficasse claro de uma vez por todas: "não bater" não é sinónimo de "não educar", ou de ausência de autoridade e referências.
Conhecem os filmes do Jimmy Kimmel, "i ate your halloween candy"?
Sugiro um passatempo: vejam os dois filmes, e imaginem de que modo é que cada uma daquelas crianças estão a ser educadas.
Gosto especialmente das últimas crianças do segundo filme: https://www.youtube.com/watch?v=WOlpdd7y8MI
Aqui está a gravação de toda a conversa da última das miúdas do filme:
https://www.youtube.com/watch?v=9gPktcV0A-g
Tem 3 anos. A idade em que, segundo o João, eles não percebem o suficiente e por isso precisam de levar uma palmada pedagógica.
Pois eu aposto com quem quiser que aquela miúda nunca levou uma palmada. E é justamente porque a mãe faz questão de a educar, em vez de a domesticar à palmada, que ela responde assim: dizendo como se sente, e fazendo sugestões para que de futuro a mãe não repita esse erro."
*Comentário da Helena Araújo a este post.
P.S Os meus filhos não levam palmadas (quer dizer, já me escapou uma ou duas, depois de uma daquelas coisas inaceitáveis que eles às vezes fazem) e não são tão compreensivos como a deliciosa menina do segundo filme, mas isso não me impede de continuar a acreditar piamente que as palmadas não levam a lado nenhum.
Segunda-feira
4.11.13
Depois de um fim-de-semana em grande, com a família reunida finalmente, começar a segunda-feira num sítio que se chama "Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa" é impactante.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
