Afinal, fazer 4 anos não é assim tão mau

30.9.13



(E a minha mãe tem razão, existe o verbo chuçar. Isto a propósito daqueles bancos que penduramos na parede e que serviam para matar porcos. Segundo ela, "deitava-se o porco no banco e chuçava-se com a faca")

Mal de família

27.9.13
Cá estou eu, na casa do Porto, qual Sísifo, a ver se é desta que a dita fica pronta para receber hóspedes, enquanto, pelo meio, se organiza a festa de aniversário do único membro da família que nasceu no Outono, para, ainda há pouco, o pequeno se virar para mim antes de adormecer e dizer muito sério: "Sabes o que é que eu queria mesmo, mamã? Eu queria uma chupeta e não queria nada fazer quatro anos".
Certas coisas já nascem com as pessoas, não há hipótese.

Laranjas

25.9.13
Às vezes faço de avó dos meus filhos e levo-lhes uma guloseima quando os vou buscar à escola. Eles, claro, acham um espectáculo, mas depois esperam que a surpresa se repita todos os dias. Então, fiz a experiência de lhes levar laranjas em vez de gomas, ou chupas e eles acharam um espectáculo na mesma.

Corte de cabelo

25.9.13
Eu não sei se insisto em cometer os mesmos erros por uma dificuldade de aprendizagem, ou se por ser a pessoa mais crente à face da terra. Então não é que eu decidi cortar o cabelo a mim própria outra vez?
Bom, a verdade seja dita, não está muito pior do que estava e, além disso, a senhora que o Isaac apontou no eléctrico, por ter um cabelo igual ao meu, estava razoavelmente apresentada.

Trabalho infantil / Teste

24.9.13

Conseguem traduzir esta t.shirt?

Sugestões

23.9.13
Tenho uma amiga com uma filha autista. Ela diz que a cada nova consulta com um novo pedopsiquiatra espera secretamente que o diagnóstico seja diferente, mas não é.
Podia descrever o dia a dia desta mãe da M., com sete anos, e de outra menina de um ano e meio, mas, acreditem em mim, esta mãe é mesmo fora de série.
Por isso, gostaria de ajudá-la numa iniciativa louvável: iniciar um projecto de sensibilização para o autismo na comunidade escolar (a M., como tantas outras crianças com necessidades especiais, está num mega agrupamento, onde faltam professores, apoios, etc. etc.).
Alguém tem sugestões?

Drogas

23.9.13
Ai meu deus (assim em letra minúscula não estou a ir contra o segundo mandamento, pois não?), de repente dou-me conta que pior do que a malta que perde tempo a comprar sapatos a condizer com as vestimentas são as pessoas que se sentem almas (já que o divino foi para aqui chamado) torturadas. Ainda bem que existem medicamentos para isto.

Mal educado

22.9.13
Pela primeira vez na minha vida de mãe vou ter uma reunião com uma educadora para questionar os métodos que usa. É das coisas que mais me custa fazer, porque na minha cabeça os professores e educadores sabem o que fazem, mesmo que às vezes possam cometer erros, como toda a gente. E depois, não há paciência para os pais que têm filhos florzinhas de cheiro que têm de ser tratados assim e assado.
Mas, desta vez, há claramente um desfasamento entre o tipo de educação que o Isaac tem na escola e a que tem em casa. Lavar-lhe a boca com sabão e colar autocolantes vermelhos para que todos saibam que se portou mal pode ser um castigo aceitável para muita gente, para nós é pouco razoável, tendo em conta que a asneira que fez foi dizer "cocó, xixi".
Se me perguntarem qual é o castigo razoável também não sei dizer ao certo (aqui em casa costuma ir sozinho para o quarto), mas eu não tirei um curso de educadora de infância. Para o pai seria preferível ele ficar sem recreio, eu não tenho tanta certeza. Sei é que o rapaz pode ser bastante desafiador (mal educado?) mas pensei que num contexto pré-escolar fosse possível ensiná-los a respeitar regras sem recorrer à humilhação.

Eureka

20.9.13
Já sei qual é o meu problema: eu continuo a acreditar que um dia alguém vai a passar na rua e, depois de me ouvir a cantar, decide fazer de mim uma estrela, mas numa versão mais adulta. Ou seja, um dia alguém descobre que sou brilhante e leva-me para a equipa do Daily Show.

As crianças

18.9.13
A Beatriz estava a contar a alguém o primeiro dia na escola primária. "Lembro-me perfeitamente", dizia ela com os olhos postos num sitio do passado e um sorriso rasgado. Eu regressei a esse mesmo sítio e voltei a sentir o mesmo aperto no estômago naquela escola tão grande para a minha menina tão pequena. Senti os olhos a humedecer e percebi que estava a fazer um daqueles sorrisos parvos que as mães e os pais fazem quando não conseguem disfarçar o orgulho nos filhos.
"Lembro-me perfeitamente", dizia ela, "ia a descer a rampa com o meu pai, foi ele que me foi levar à escola".
Ah?!? Pára tudo. Ela acabou de dizer que foi o pai que a levou à escola? Então e eu? Não se lembra de eu ter lá estado? 
"Bea, eu também fui levar-te à escola, fomos os dois, não te lembras?", pergunto com o ar mais normal do mundo, tendo em conta que tinha o peito a arder. "A sério, mamã, também foste? Não me lembro, só me lembro do papá".
Sinceramente não sei que grande conclusão se pode retirar daqui, mas parece-me claro que andamos a perder demasiado tempo com as crianças. Elas acabam por guardar da infância aquilo que lhes interessa. Portanto, é gostar muito delas, alimentá-las, agasalhá-las e levá-las ao médico quando estiverem doentes. O resto é lá com elas.