Nas últimas semanas tenho experimentado todo o tipo de terapias (chamemos-lhes assim). Comecei com costelinhas acompanhadas de arroz de grelos e arroz pica no chão, mais vinho tinto, com estas duas miúdas. Mentira, começou antes disso, com um passeio pelo Porto, nós as três, mais esta boa gente, ou até mesmo antes, no Guedes.
Seguiu-se um belo arroz de peixe, acompanhado de melhor conversa e vinho branco, até às tantas da manhã e mesmo assim a saber a pouco.
E logo depois de tanto conforto, o confronto: acampar com quase toda a família (oito adultos, dois adolescentes e quatro crianças), com muito churrasco, vinho tinto e super bock. Passei sem distinção.
Quase refeita do confronto, novo conforto: amigos de longa data, gin tónicos, mojitos, e outras terapias espirituosas, seguidas de filetes de sardinha panados com arroz de tomate e, claro, vinho tinto.
Mesmo assim, depois disto tudo, os resultados tardavam a verificar-se. Até hoje, depois de três horas a lutar com a relva do Brasil, que a minha avó insistiu plantar no meu quintal da casa do Porto, há uns dez anos, e com outras plantas infestantes (talvez ainda vá a tempo de fazer um registo fotográfico, mas não prometo nada).
Ouvi várias vozes sobre a impossibilidade de arrancar aquilo, que era preciso máquinas, ou no mínimo foucinhas, mas eu decidi que ia tratar de desbastar aquele quintal e que ia fazê-lo sozinha. E se eu decidi, meus amigos, é melhor saírem da frente.
Resultado: Calita 2. Natureza 1. Na verdade, olhando para o quintal, não é óbvio (ainda) que eu tenha saído vitoriosa, mas avaliando o meu estado de espírito, depois do desbaste e da picanha e do vinho tinto, acho que sim, ganhei. Com distinção.
Não me consumam
29.7.13
Vou fazer aquela coisa absolutamente inconsequente que é defender as pessoas que só conseguem ver o copo meio vazio.
Eu sei, eu sei, são umas pobres coitadas que não sabem aproveitar a vida, que perdem tempo (precioso nesta vida que são dois dias e um já está acabar) a olhar para a metade vazia e mais não sei quê, mas deixem que vos esclareça uma coisa: o copo está efectivamente meio vazio. Se ele estava cheio e foi bebido até meio, ficou meio vazio. Se ele estivesse vazio e fosse enchido até meio, aí sim, poder-se-ia dizer que estava meio cheio. Digo eu, que sou pouca dada a tratados filosóficos, apesar de esse ser um dos meus projectos jamais confessáveis em público, devo admitir.
Mas estou a fugir ao que interessa, que é defender as pessoas que vêem o copo meio vazio. Ora, como generalizar é um dos meus passatempos preferidos, vou, então, numerar algumas características, positivas que bastem, das pessoas referidas:
1) apesar de, regra geral, serem pessoas que adoram falar de si próprias têm perfeita noção de que existem outras pessoas, todas diferentes entre si, no mundo;
2) por isso, nos dias bons, conseguem gostar das pessoas que vêem o copo meio cheio, ao contrário destas que passam a vida a fazerem aquelas sentirem-se montes de esterco;
3) quando são mulheres estão-se a marimbar para o facto da tampa da sanita estar levantada ou baixada, ou para os cabelos que se esqueceram de recolher do gargalo da banheira;
4) estão fartinhas de saber o milagre que é estar vivo, seja porque viram muitos filmes, ou porque lhes morreram pessoas fundamentais, ou porque sabem, ponto, mas isso não as torna cegas em relação ao facto de meio copo ter ido à vida.
5) e quando se riem, quando se comovem, quando agradecem ao universo, ou quando amam fazem-no com a certeza de que é raro o que estão viver, porque sabem, sem margem para dúvidas, que o destino de um copo meio vazio é ficar vazio de vez.
Eu sei, eu sei, são umas pobres coitadas que não sabem aproveitar a vida, que perdem tempo (precioso nesta vida que são dois dias e um já está acabar) a olhar para a metade vazia e mais não sei quê, mas deixem que vos esclareça uma coisa: o copo está efectivamente meio vazio. Se ele estava cheio e foi bebido até meio, ficou meio vazio. Se ele estivesse vazio e fosse enchido até meio, aí sim, poder-se-ia dizer que estava meio cheio. Digo eu, que sou pouca dada a tratados filosóficos, apesar de esse ser um dos meus projectos jamais confessáveis em público, devo admitir.
Mas estou a fugir ao que interessa, que é defender as pessoas que vêem o copo meio vazio. Ora, como generalizar é um dos meus passatempos preferidos, vou, então, numerar algumas características, positivas que bastem, das pessoas referidas:
1) apesar de, regra geral, serem pessoas que adoram falar de si próprias têm perfeita noção de que existem outras pessoas, todas diferentes entre si, no mundo;
2) por isso, nos dias bons, conseguem gostar das pessoas que vêem o copo meio cheio, ao contrário destas que passam a vida a fazerem aquelas sentirem-se montes de esterco;
3) quando são mulheres estão-se a marimbar para o facto da tampa da sanita estar levantada ou baixada, ou para os cabelos que se esqueceram de recolher do gargalo da banheira;
4) estão fartinhas de saber o milagre que é estar vivo, seja porque viram muitos filmes, ou porque lhes morreram pessoas fundamentais, ou porque sabem, ponto, mas isso não as torna cegas em relação ao facto de meio copo ter ido à vida.
5) e quando se riem, quando se comovem, quando agradecem ao universo, ou quando amam fazem-no com a certeza de que é raro o que estão viver, porque sabem, sem margem para dúvidas, que o destino de um copo meio vazio é ficar vazio de vez.
Não me tem apetecido escrever. C'est tout*
28.7.13
"Mas, apesar de tudo, podia observar-se como se fosse outro e sorrir divertido.
«Palavra que, se não fosse volúvel, me enforcaria», reflectiu alegremente."
W. Somerset Maugham, Servidão Humana, Livros do Brasil.
*nem ler, para ser franca, mas calhou ter pegado no livro e achar que devia vir aqui dizer alguma coisa. Mal comecei a dizer, quase contava sobre um grande fim-de-semana no Porto, seguido de uma espécie de acampamento de ciganos, mas fica para outro dia.
«Palavra que, se não fosse volúvel, me enforcaria», reflectiu alegremente."
W. Somerset Maugham, Servidão Humana, Livros do Brasil.
*nem ler, para ser franca, mas calhou ter pegado no livro e achar que devia vir aqui dizer alguma coisa. Mal comecei a dizer, quase contava sobre um grande fim-de-semana no Porto, seguido de uma espécie de acampamento de ciganos, mas fica para outro dia.
Quando?
17.7.13
Toda a minha infância e adolescência e início da idade adulta desejei ser filha única. Nunca vi grande utilidade em ter irmãos. Gostava deles, acho eu, mas pensava muitas vezes como seria a minha vida de filha única, de filha sem o "mais velha" sempre atrelado, sem ter de dividir o quarto, sem ter de deixar de fazer coisas, "porque tens de tomar conta dos teus irmão", sem ter de deixar a escola demasiado cedo, porque "se forem todos estudar não podemos comer" e por aí fora.
Mas, estranhamente, sempre quis ter muitos filhos, o que só poderá querer dizer que o que me ficou marcado foram as coisas boas de ter irmãos. As cumplicidades, as brincadeiras na rua, as brincadeiras no sótão, as brincadeiras na horta, as refeições (as que não acabavam com pratos partidos na parede) e por aí fora. Ou, então, sou uma dessas pessoas que não sabe fazer mais nada a não ser bater no ceguinho.
Adiante, parece-me, pesando prós e contras e observando as vidas das pessoas, que é melhor ter irmãos do que não ter, mas ser filho único tem as suas vantagens.
Ontem, ao final do dia, o Isaac quis ir brincar para casa de uma amiga. Fiquei sozinha com o Nicolau e o rapaz nunca me pareceu tão encantador como naquelas duas horas. Até com marionetas brincamos!
Fiquei a pensar nas coisas que eles estão a perder por não serem filhos únicos. E perdem coisas, claro. Os ganhos compensam largamente, sem dúvida, mas quando?
Era nisso que estava a pensar, quando devia estar concentrada na respiração. Nisto, matei uma mosca que não me largava o braço. Matei uma mosca enquanto meditava.
E vou deixar assim a pergunta no ar, porque agora não tenho tempo. Tenho de ir ali semear para depois colher. E tenho de aprender a gostar de semear.
Notas
16.7.13
- Como, 3 a matemática?!?!
- Sim, 3, mas a nota não altera a classificação final. Fica 4 na mesma.
- Mas, 3, como é possível?!?!?
- Sei lá, é só uma nota. Não é preciso chorar por causa disso.
- Mas 3...
A pessoa chateada com a nota é a Beatriz. A outra sou eu.
Devo dizer que é extremamente complicado querer que ela seja boa aluna, porque, enfim, acho espectacular ter uma filha muito inteligente, claro, e ao mesmo tempo achar que as notas não são importantes, porque não são.
- Sim, 3, mas a nota não altera a classificação final. Fica 4 na mesma.
- Mas, 3, como é possível?!?!?
- Sei lá, é só uma nota. Não é preciso chorar por causa disso.
- Mas 3...
A pessoa chateada com a nota é a Beatriz. A outra sou eu.
Devo dizer que é extremamente complicado querer que ela seja boa aluna, porque, enfim, acho espectacular ter uma filha muito inteligente, claro, e ao mesmo tempo achar que as notas não são importantes, porque não são.
Trôpega
15.7.13
Depois do Verão. Depois do Verão serei finalmente a melhor funâmbula do mundo, agora estou, digamos, trôpega (trôpega é uma palavra bem bonita e vem do latim, visto isso, de hidrópico, que significa conter muita água e, por qualquer razão, isto faz muito sentido).
Depois de passar uma tarde numa esplanada em modo free spirit, seguida de um bocado de noite em modo braços no ar e corpo a gingar, devia sentir-me revigorada, certo? Errado, ando aqui às voltas com culpas e coisas do género, como se tivesse andado a fazer coisas menos impróprias. Eu preocupada com comportamentos impróprios! Só posso estar doente.
"Manual de Instruções para Sobreviver aos 40, continuar sexy, com alguma vida sexual e não parecer uma lontra“
11.7.13
Por causa de uma daquelas associações de ideias lembrei-me que a rititi foi, em tempos, tema de conversa numa das minhas consultas psiquiátrica (e não, não fui eu que puxei o assunto). Depois, vi este vídeo e pensei que devia ter ido pedir-lhe um autógrafo (mas antes disso pensei: uau, que gira!).
Post bastante escatológico
9.7.13
Há muitos momentos, eu diria demasiados momentos, em que uma pessoa se apercebe claramente que tem três filhos.
(Vou abrir um parêntesis para explicar que para mim ter filhos nunca serviu para me definir como pessoa. Eu sou a Calita, em alguns casos, nunca por opção, a Carla; tenho olhos castanhos; calço 37; sou mãe de três filhos e faço muitas coisas que não servem para sustentá-los.)
Mas uma pessoa toma consciência de que já pariu três filhos (dois deles pelo pipi) quando vai fazer cocó (sim, eu sou uma dessas pessoas que caga) e sai-lhe o tampão.
(Vou abrir um parêntesis para explicar que para mim ter filhos nunca serviu para me definir como pessoa. Eu sou a Calita, em alguns casos, nunca por opção, a Carla; tenho olhos castanhos; calço 37; sou mãe de três filhos e faço muitas coisas que não servem para sustentá-los.)
Mas uma pessoa toma consciência de que já pariu três filhos (dois deles pelo pipi) quando vai fazer cocó (sim, eu sou uma dessas pessoas que caga) e sai-lhe o tampão.
Perguntas que gostava mesmo de saber a resposta
9.7.13
Quando é que se tem a certeza absoluta, assim sem margem para dúvidas, que chegou a altura de comprar um fato de banho? É que eu estou na disposição de evitar ir à praia para não ter de tomar essa decisão.
"O comércio delicado"*
8.7.13
Nos últimos anos tenho "perdido" muito tempo a tentar consumir responsavelmente. Desisti de hipermercados, voltei (virtualmente, porque começo a sentir-me mal lá dentro) aos hipermercados, desisti definitivamente de hipermercados. Procuro a origem dos produtos e compro em mercados e mercearias locais. Isto dá algum trabalho, mas depois passa a ser uma rotina como outra qualquer.
O que eu não sabia é que vender responsavelmente também podia ser tão trabalhoso, sobretudo quando o que se pretende é uma coisa tão básica como uma t.shirt 100% algodão, fabricada em Portugal.
Há certos circuitos económicos que nunca vou entender: Fabricam-se t.shirts em Portugal para serem exportadas e importam-se t.shirts para serem vendidas.
A boas notícias é que as pequenas e médias fábricas que resistiram estão a modernizar-se e, além de aceitarem pequenas encomendas de novos clientes, estão a trazer de volta a velha garantia da qualidade do "made in Portugal".
*aqui
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