Mas, estranhamente, sempre quis ter muitos filhos, o que só poderá querer dizer que o que me ficou marcado foram as coisas boas de ter irmãos. As cumplicidades, as brincadeiras na rua, as brincadeiras no sótão, as brincadeiras na horta, as refeições (as que não acabavam com pratos partidos na parede) e por aí fora. Ou, então, sou uma dessas pessoas que não sabe fazer mais nada a não ser bater no ceguinho.
Adiante, parece-me, pesando prós e contras e observando as vidas das pessoas, que é melhor ter irmãos do que não ter, mas ser filho único tem as suas vantagens.
Ontem, ao final do dia, o Isaac quis ir brincar para casa de uma amiga. Fiquei sozinha com o Nicolau e o rapaz nunca me pareceu tão encantador como naquelas duas horas. Até com marionetas brincamos!
Fiquei a pensar nas coisas que eles estão a perder por não serem filhos únicos. E perdem coisas, claro. Os ganhos compensam largamente, sem dúvida, mas quando?
Era nisso que estava a pensar, quando devia estar concentrada na respiração. Nisto, matei uma mosca que não me largava o braço. Matei uma mosca enquanto meditava.
E vou deixar assim a pergunta no ar, porque agora não tenho tempo. Tenho de ir ali semear para depois colher. E tenho de aprender a gostar de semear.
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