Por isso, falemos do meu umbigo metaforicamente. Passaram três meses desde que passei a ser uma assalariada. É uma vida bastante deprimente, mas a mudança de rotinas, que era exactamente o que eu estava a precisar, fez-me bem. É claro que ter-me-ia feito muito melhor passar três meses nas montanhas Jura a escrever coisas. Seria uma mudança de ares e rotinas muito aprazível, mas, bom, não tenho meios para isso e assim como assim faz-me sempre bem uma dose q.b de realidade.
O que me preocupa é eu fartar-me das coisas cada vez mais depressa. Há uns anos o limite de tempo para trabalhar num sítio era três anos, agora parece que é três meses, o que até faz sentido, porque à medida que o tempo passa, menos tempo queremos perder com coisas que não interessam, mas é cansativo. Nem imaginam o quão cansativo é ser eu. Já pensei muitas vezes que devia mudar, que devia seguir um manual qualquer para ser feliz em seis passos, ou, pelo menos, sistematizar as coisas que funcionam comigo e aplicá-las a uma rotina, mas isso seria como calçar uns sapatos de salto alto e vestir um sutiã com enchimento e arames. Toda a gente diz que faz uma diferença do caralho, mas eu prefiro ficar com a minha roupa interior de algodão coçado e as minhas sapatilhas.

