Afinal até vou fazendo umas coisas

29.11.12


Uma meia já está. Um saco cabaz para oferecer no Natal também. E ainda uma fornada de biscoitos queimada. Não sei quantos mais terei de fazer até acertar na consistência da massa e na temperatura do forno, mas vou continuar a insistir. Ando é com pouca vontade de tricotar e costurar, mas não me parece que se note muito.

2012

29.11.12
Hoje o meu gajo constatou uma cena fantástica: desde que vivemos juntos, 2012 foi o único ano em que não estive grávida!

A vida que eu quero

28.11.12
Fotografada pelo Paulo Ricca

Um dia destes li (mentira, vi num episódio do CSI, mas como estava a ler as legendas não é totalmente falso) que há as pessoas que aceitam a vida que têm e as que procuram a vida que querem. É claro que, tratando-se de um episódio do CSI, não se aprofundou a questão, até porque aquela gente tem mais o que fazer, mas se tivessem tido tempo, acabariam por chegar à conclusão que a única premissa verdadeira é a primeira, porque as pessoas que procuram a vida que querem, também têm de aceitar a vida que têm. Procurar não é sinónimo de encontrar.
Seja como for, esse momento filosófico do CSI deixou-me a pensar na vida que eu quero. E na vida que eu quero tenho aquela barriga outra vez, mas a pesar um bocadinho mais do que os 50 kg que pesava na altura; tenho um motorista (Jaime estás proibido de vir aqui dizer que isso já tenho) e vários projectos interessantes em mãos, como escrever o argumento para o cinema deste livro; vou a todas as festas de lançamento de livros da Quetzal em que o Irmão Lúcia esteja a pôr discos; vou ver vários espectáculos de teatro e dança com as minhas amigas e a seguir vamos jantar a altas horas; Vou buscar os meninos à escola com o Jaime (se ele não puder vou com o motorista) e vamos brincar para algum sítio, como uma biblioteca, no Inverno, ou um jardim, no Verão, antes de vir para casa. O motorista também é babysitter e às vezes fica com eles para eu e o Jaime irmos sair (sim, o motorista é espectacular e está um bocado apaixonado por mim, mas depois casa-se com um gajo maravilhoso). Não sei como, temos sempre o jantar pronto e a casa arrumada (fazêmo-lo nós quase sem dar por isso); tenho uma casa com quintal, ou uma horta comunitária para cultivar legumes, ou melhor, tenho a persistência necessária para cultivar a terra, porque casa com quintal já tenho, no Porto, e já lá cultivei bastantes legumes (batatas, tomates, feijão verde, couve e cebola), por isso sei que é fácil desistir sob vários pretextos.
Na vida que eu quero acabaremos por fazer a tal road trip a Bordéus e depois muitas outras.
Ou seja, agora que penso nisso, se eu começar a escrever o argumento, a única coisa que fica a faltar para a vida que eu quero é o motorista. Ah, e a barriga, pois...Mas, quer dizer, alguém que acha mais natural começar a escrever um argumento de um livro do Amin Maalouf, do que contratar um motorista não vai perder tempo com a barriga.

P.S Não sei se já repararam que o Panados tem página no facebook. Não sei bem para que serve, mas acabarei por dar-lhe alguma utilidade. Vão lá gostar de mim, que estou carente.

É mesmo um post do Natal em Novembro

27.11.12
Um dia destes, a cantar canções de Natal, ele pergunta:
- O que é Jesus?
- Hmmm Jesus é uma pessoa muito importante, porque... hmmm... ofereceu-se para salvar muitas pessoas.
- Salvar pessoas?
- Sim, salvar pessoas de...uma tempestade muito grande.

(Espero que ele não se lembre de me perguntar O que é o Noé)

Sobre as pedras

27.11.12
esta foi a melhor coisa que li. Eu sei que já foi há algum tempo, mas hoje a minha filha disse-me que não podia vir de eléctrico para casa, porque estava prevista mais "uma manifestação violenta em frente à Assembleia, às duas da tarde"

Slow

26.11.12
O dia começou como quase todos os outros dias: muita movimentação pela casa, com a televisão ligada às 7h00 da manhã (a única pessoa que quer acabar com a televisão cá em casa é a mesma que se levanta e, antes sequer de fazer xixi, vai ligá-la), os miúdos a disputar brinquedos, a Bea a pentear o cabelo (não sei se esta casa é mesmo muito pequena, ou se de facto a escova no cabelo dela faz muito barulho) e eu de olhos fechados, debaixo dos cobertores, a dizer a mim própria é de noite, é noite, isto é um sonho, não é possível. E depois, muito devagar, começo a pensar se terei deixado a roupa deles separada, se há alguma coisa preparada para o almoço da Bea...Já aconteceu saírem de casa e eu ficar a dormir (sim, sim, o desgraçado do homem que vai trabalhar para sustentar a família, ainda tem de vestir os meninos e levá-los à escola, uma pouca vergonha!), mas não foi o caso. Hoje, os pequenos ficaram em casa a ver se recuperavam definitivamente das maleitas víricas, antes de irem recolher novas estirpes ao infectário, e a primeira coisa que pensei foi: "espero que amanhã estejam bons para ver se volto à vida normal" e logo a seguir: "espera aí, qual vida normal?"
Já passaram quase três meses desde que o Nicolau foi para a creche e eu ainda não tenho uma rotina. É verdade que mudei de casa, é verdade que eles têm estado, em média, dois dias em casa e três na escola e que toda a família esteve doente mais vezes nestes últimos meses, do que nos últimos três anos, mas claramente não é suposto demorarmos tanto tempo a chegar a algum lado. Não só perdemos a capacidade de esperar pelas coisas, como achamos anormal parar para descansar, pensar, recuperar, etc. Eu sei que já ninguém fala do movimento slow, mas tenho pena, porque me parece muito mais interessante do que a tendência minimalista de que tanto se fala.

Concerto para bebés

25.11.12
Há alguns anos, vivia eu no Porto, tentei levar a Beatriz a um concerto para bebés, mas nunca consegui. Aquilo esgotava meses antes de acontecer, parecia uma coisa para bebés de elite, e acabei por desistir de arranjar uma vaga. Não sem dar alguma luta, ao contrário do que aconteceu com as aulas de preparação do parto, por exemplo, nas quais me recusei a participar (na altura estava na moda o método Lamaze e eu sentia-me absolutamente incapaz de respirar como um cão), porque estava perfeitamente convencida que ela devia ter o máximo de experiências sensoriais possíveis. Felizmente sempre fui uma gaja intuitiva e por isso nunca lhe faltaram experiências desse tipo: dava-lhe colo e mais colo, tomávamos banho juntas, cantava-lhe dia e noite, comíamos laranjas partidas aos gomos com a casca e por aí fora, mas é claro que eu achava que isso era o básico (agora sei que isso é o mais importante) e queria que ela tivesse a oportunidade de descobrir outras coisas.

Seja como for, nunca mais pensei nesses concertos até ter sido convidada para assistir a um com os rapazes. Perguntei ao pai "que dizes?" e ele respondeu "não sei". Cocei a cabeça (depois descobri que eram piolhos) e disse que sim.
Entretanto vieram os piolhos, os vómitos e a diarreia (assim, tudo de uma vez) e estive até à última para desistir, mas não foi preciso. E ainda bem, porque foi uma experiência bem bonita ver os bebés a gatinhar e a dançar no meio dos músicos, a reagir de uma forma tão natural e fluída (os meus estavam a comer bolachas a um canto, obviamente). Ainda assim, não posso deixar de referir o que disse o mentor do projecto, Paulo Lameiro, no fim: mais importante do que levar os bebés a concertos é cantar-lhes em casa e aqui, pelo menos, posso gabar-me de ganhar muitos pontos.

Divinas excreções

24.11.12
Eu tenho um grande respeito pelos vírus, não só porque quase todos os filmes de ficção científica os responsabilizam pelo desaparecimento da maior parte da população terrestre, aí entre a última década do século XX e a primeira deste século, mas também por, ao que tudo indica, serem responsáveis pela nossa existência e por coisas bonitas, como o amor e assim.
Em última instância podemos dizer que os vírus são Deus. E Deus decidiu que a minha casa se encheria de merda líquida e vomitado por mais de três dias seguidos.

À deriva

21.11.12
Terminar os quilts que comecei este ano será um dos pontos listados, na tal lista que ainda não fiz. Este é o de Verão e já tem a parte de cima terminada. No processo espero descobrir que papel quero que este "passatempo" tenha na minha vida (é por isso que as listas não funcionam comigo. É óbvio que só daqui a 15 anos, eventualmente, poderei riscar o descobrir para que serve a costura), porque andar à deriva, aceitar o que os dias nos trazem, é para almas superiores, está visto, e não para alminhas como a minha. 

Listas

19.11.12
Não conheço ninguém que dispense as listas. Listas de compras, listas de afazeres, listas de conquistas, de prós e contras, de ementas, etc. Escrevinhar ideias/objectivos por pontos (ou asteriscos, traços, setas...) é tão natural, para a maior parte das pessoas, como respirar.
Eu adoro listas, claro, mas ganhei assim uma espécie de superstição em relação às mesmas a partir do momento em que me apercebi que bastava rabiscar uma coisa num papel para a dita não acontecer. É ridículo, claro, achar que uma coisa não acontece porque está escrita, mas eu também achava ridículas as pessoas que põe algodão nos ouvidos para não entrarem bichos durante a noite, enquanto dormem, mas depois de ter esmagado um insecto não identificado, que passeava na minha cabeça na madrugada de hoje, já não digo nada.  
Portanto, agora estou num dilema, porque preciso de me organizar (e não, não tenho mil tarefas como toda a gente parece ter, ainda que não se perceba muito bem o que é que fazem na prática, tal como eu, portanto) e não sei como o fazer sem parecer um peixe num aquário, assim às voltas, com aquele ar perdido de olhos esbugalhados e a mastigar água. 

Comida

19.11.12
Já alguém fez greve de fome? Ou ficou um dia inteiro sem comer, porque sim? Como é? Eu gostava de saber, porque estou um bocado farta de achar que é aquilo que como que me vai salvar, quer seja um bolo rei inteiro para me consolar, umas barras de chocolate para ajudar a produção de serotonina, ou bagas de goji, porque diz que são boas para tudo.  Sim, eu comprei bagas de goji. E sementes de linhaça. Eu não estou boa da cabeça.

Aviso

18.11.12

Entre termos os pais à nossa espera e, depois, os filhos, há um curto espaço de tempo em que somos "donos" da nossa vida.

Desculpas

16.11.12
O Nicolau ficou em casa, porque está cheio de tosse e ontem teve febre. Pensei: pronto mais uma desculpa para ficar em casa. Mas depois decidi que não ia ceder. Não, Não e Não. Vou lá cumprir a minha obrigação nem que chovam canivetes. Começou a chover quando estava a sair de casa, mas não eram canivetes, vá. Apanhei dois autocarros, preenchi papéis, piquei o dedo, medi a tensão, entreguei o Nicolau a uma miúda simpática e dei sangue. Depois, voltei a apanhar dois autocarros, vim para casa, dei-lhe o almoço e agora dorme a sesta.
A brigada de recolha está na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha, até às 14h30. Ainda podem fazer a diferença.

Começar de novo

15.11.12


A certa altura ela diz: "Estou em prisão domiciliária, não aguento mais, preciso de me reencontrar". E vai. Deixa a filha com o pai, porque ele assim o exige, e vai.

A maternidade é uma cena muito esquisita

14.11.12
A Beatriz está em casa por causa da greve e os rapazes por causa da culpa (não ficaria bem comigo própria se eles fossem, sabendo que não tenho nada assim tão importante para fazer) e eu gostava tanto, tanto de ver nisto uma oportunidade de nos divertirmos todos juntos: ir ao parque com gorros e cachecóis; fazer biscoitos e molhá-lo no chá de lúcia-lima; ler histórias embrulhados em cobertores (não é de mim, está frio, não está?); fazer construções de qualquer coisa e por aí fora. Mas passa pouco das 9h00 e um já levou com uma raquete de madeira num olho, o outro pede colo de cinco em cinco minutos e o chão da sala foi substituído por um tapete de tralha.
É muito provável que eu não tenha sido talhada para isto, para ter mais do que um filho. Pronto, já disse.

Filho único

13.11.12
O Jaime saiu com a Bea e o Nicolau e eu fiquei a preparar o Isaac, que acordou sem vontade de se levantar, para o levar à escola. Saímos os dois de mão dada, fomos tomar um café, conversámos, esperámos pelo eléctrico, demos abraços e beijos. Este menino merecia ser meu filho único mais vezes.

Sapateiras e a tentativa de um tutorial

12.11.12
A minha mais recente obsessão são as sapateiras, as de guardar sapatos, não os caranguejos, que a consulta de Imunoalergologia, no Hospital de Dona Estefânia, é só no fim do mês e eu não estou para ficar outra vez cheia de coceira e inchada que nem um balão.
Bom, obsessão é talvez um exagero, mas ando com elas na cabeça há algum tempo, porque ocorreu-me que podia usar uma para fazer um jardim vertical. Fui procurar e aqui está um DIY da coisa.
Depois, às voltas com a melhor solução para guardar os sapatos dos pequenos, concluí que só podia ser uma dessas sapateiras de pendurar e aí decidi que podia ser eu a fazê-la. Nada de novo. Novo é o que vos apresento a seguir: um tutorial para fazerem as vossas próprias sapateiras (ou uma tentativa de tutorial, vá). Sigam-me lá, então, nestes oito passos.

1.Material necessário


tesoura
alfinetes (os melhores amigos das costureiras, acreditem!)
fita métrica
linhas
cordão, ou outro material do vosso agrado
tecido com 240 x 5 cm (ou fita de viés)
1 pau com 55cm (este era um que segurava uma orquídea que já faleceu)
2 camarões (o marisco persegue-me)
3 tecidos diferentes com 95 x 30 cm (optem por bons tecidos, o que não foi o meu caso)
1 tecido resistente com 50 x 95 cm (usei ganga)
máquina de costura (não está na foto, mas é absolutamente essencial)
ferro de engomar (muito útil)

2. Coser bainhas 

Então, depois de todo o material reunido, há que sentar em frente à máquina e fazer uma bainha num dos lados de 95 cm, de cada um dos três tecidos. Para quem só teve uma ou duas aulas de costura é melhor usar os alfinetes. Eu não tenho muita paciência e já fiz demasiadas bainhas para precisar de os usar, mas posso afiançar que os alfinetes são mesmo os melhores amigos das costureiras. Evitam tantos cabelos em pé, que nem imaginam! Para fazer a bainha, façam de conta que estão a dobrar um papel: uma dobra de um centímetro, isso, e agora mais outra dobra de um centímetro (mais coisa menos coisa)

3. Dobrar bainhas 

E aqui está o nosso amigo ferro. É muito útil para um bom acabamento das coisas, ainda assim eu tendo a usá-lo com comedimento devido a ser um objecto pelo qual sinto algum desprezo. Neste caso é importante. Peguem nos tecidos com a bainha pronta (podem aproveitar para dar uma passadela nas bainhas para ficarem mais bonitas) e do outro lado façam uma dobra de um, ou dois centímetros e vinquem com o ferro. O tecido que ficar em baixo não precisa desta dobra. Ou seja, este processo é só para dois tecidos.

4 . Preparar os bolsos para os sapatos

Agora é altura de fazer as pregas e começar a ver a sapateira a formar-se. Para isso, deixar cerca de 4 cm de lado, fazer uma dobra e colocar o alfinete (lá está, são mesmo os nossos melhores amigos). 14 cm à frente fazer outra dobra para o lado contrário. Repetir o processo mais duas vezes. É possível que no fim sobre, ou falte tecido. Nesse caso revejam as dobras e o tamanho dos bolsos, mas não é preciso stressar se mesmo assim não ficarem certinhos, certinhos, ok? É para isso que há tesouras.

5. Coser os bolsos

Cá está, quase pronta e a precisar de ser acertada. Depois desse processo é preciso coser os bolsos, primeiro em baixo e depois entre as pregas. Ou seja, fazem uma costura a toda a largura e quatro em altura. 


6. Debruar


Para algumas pessoas esta pode ser a parte mais complicada, a mim, pelo menos, nem sempre corre como eu gostaria. Primeiro é necessário dobrar a fita ao meio (usar o ferro para vincar o tecido pode ser uma boa opção) e depois começar a cosê-la a todo a volta, no lado direito do trabalho. A parte de cima da sapateira fica de fora. Há técnicas para fazer as curvas, mas sinceramente nunca as percebi muito bem. O que eu faço é coser até ao fim, depois levantar o calcador e dobrar a fita, primeiro para trás (não fotografei este passo) e depois para a frente (como está ali debaixo dos meus dedos com as unhas roídas) e continuar a coser. 
A seguir vira-se o trabalho e cose-se novamente por cima da fita. O truque para ficar direitinha é tentar coser próximo da costura anterior (a que uniu a fita à sapateira).

7. Bainha de cima



Por fim, faz-se a bainha de cima com a largura suficiente para caber o pau. Nas pontas é preciso cuidado para não partir as agulhas. O melhor é deixar o pedal e rodar manualmente para rematar.

8. Pendurar na parede

Depois de colocar os camarões só falta pendurar a sapateira, colocar os cordões nas pontas e enchê-la com o que se entender: sapatos, bonecos, fraldas. 

Encadeamento de ideias

10.11.12
Li uma breve no jornal que dava conta da venda de uma pintura da célebre série Nenúfares de Claude Monet -----> No livro que acabei de ler há um capítulo inteiramente dedicado a esta obra, em que fiquei a saber que a intenção do artista não era pintar nenúfares, mas o olhar que as observa e que Monet quis que as Nymphéas ficassem dispostas - de acordo com uma sequência precisa - em oito paredes curvas -----> Nesse mesmo livro fiquei também a saber que qualquer rio, não importa onde fique nem qual seja o seu comprimento, antes de chegar ao mar, faz exactamente um caminho três vezes vírgula catorze mais comprido do que faria se fosse a direito ----->Não há nada tão tremendo como a Natureza -----> As grutas de Santo António são um bom exemplo disso mesmo -----> e a coreografia das folhas a cair das árvores, depois de uma rajada de vento, aquela rajada necessária para aquele conjunto de folhas, também.

PS1- O livro é este
PS2- Aceito sugestões de sinónimos perfeitos de rajada

Os pobres

9.11.12
No facebook, a partir daqui

E também esta crónica, de António Lobo Antunes, com mais de 20 anos.

Beijinhos de borboleta

8.11.12
Os meus dias já não são passados com uma ou duas crianças em casa. Entre as 8h00 (ou 8h45 se for eu a levá-los à escola, o que é raro) e as 16h00 não os vejo. E, espantem-se, os meus dias ainda não estão assim tão melhores. Continuo a não querer acordar de manhã; a olhar para mim ao espelho e a perguntar-me quem caralho é aquela pessoa; a roer as unhas e a arrancar peles dos lábios; a bater em castelo ódio e misturá-lo com amor, ou vice-versa; a vestir a mesma roupa quatro, ou cinco dias seguidos (calma, a roupa de dentro é sempre lavadinha), porque a roupa do dia anterior não tem aquela goma nojenta e desconfortável da roupa lavada, que me faz sentir num colete de forças; continuo a ver desfocado, mesmo com óculos, e um bocado embaciado; a querer cuspir em cima de pessoas e a depositar toda a esperança no jantar, que há muito deixou de ser um lugar pacífico, mas continua a ser o lugar de todas as esperanças e das garrafas de vinho.
No entanto, apesar de ainda não estarem assim tão melhores - os meus dias, as diferenças já se fazem sentir, assim como beijinhos de borboleta: sou mais paciente com os pequenos, vou ao supermercado com mais frequência; passo mais tempo fora de casa; cogito menos numa forma de escapar a esta vida e começo a sentir vontade de abraçar pessoas que não conheço.

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

8.11.12
Quantos bifes comerão os filhos da Isabel Jonet?

Tudo por causa de um bolo

7.11.12
"Porque é que tens sempre de achar que aquilo que fazes não é nada de especial?", perguntou a Beatriz. "A única coisa feita por ti que te ouço dizer que é especial somos nós", disse apontando para ela e para os irmãos.
Eu fiquei boquiaberta. Não estava nada à espera de uma reacção destas à resposta sobre se o bolo de cenoura e amêndoa, o mesmo que costumo fazer sempre que decido entrar em dieta (sim, eu sei que nunca vou emagrecer), estava bom. Eu disse, pelos vistos invariavelmente, que sim, que estava bom, mas nada de especial.
Fiquei a pensar se seria mesmo assim. É que a ser, é uma cena flagrante, porque a Beatriz vive num planeta distante e para fazer um reparo destes...
Depois, lembrei-me de todos os elogios que tenho recebido sobre a minha forma de escrever aqui no blog e de como me parecem exagerados. Há gente a escrever tão melhor! e outra tanta gente a dizer coisas com tão mais interesse!
Mas um dia destes recebi um e-mail da Sónia Morais Santos, por causa de um trabalho que ela está a fazer, e a própria da SMS diz que tenho um blog "tão bem escrito". EU?!?!? E, acreditem, isto não é falsa modéstia, eu sei que sou espectacular (já o disse várias vezes) e sei que consigo dizer, de vez em quando, umas coisas acertadas e bem explicadas, mas daí a ser uma gaja que escreve MUITO bem é uma coisa que nunca esperei ouvir. Mentira, esperei, mas depois cansei-me de esperar (a minha falta de paciência também já é conhecida). Portanto, agora estou sem saber o que fazer a esta sensação de e se eu sou mesmo gaja para fazer uma coisa em condições?

Na nova casa velha

6.11.12
Na terceira semana, e ainda sem internet e televisão em casa, posso dizer que as únicas coisas a que ainda não me habituei são: o forno a gás e a banda sonora do marceneiro do rés-do-chão. O forró estou como o outro, até combina com o som da plaina dele e da minha varinha mágica, mas para a Adele não há paciência...
De resto, posso concluir definitivamente que me faz muito mais falta a internet do que a televisão.

Profissão: blogger. A sério?

5.11.12
Não fui confirmar, mas parece-me que há um padrão nas minhas "pausas" do blog (assim para efeitos de estatística, vamos considerar cinco dias sem escrever uma pausa). E, ainda sem confirmação - há que frisá-lo -, esse padrão parece estar relacionado com a obrigatoriedade de escrever, mesmo que não saiba o quê, ou para quê. Ou seja, se por qualquer motivo eu começo a sentir que devia dizer alguma coisa é certo e sabido que opto por ficar caladinha. Aliás, as pessoas inteligentes que convivem comigo já sabem que a melhor forma de me levarem a fazer coisas é fazerem-me acreditar que sou eu que as quero fazer.
Bom, mas serve esta introdução para contar que fui convidada, enquanto blogger, para uma conferência de imprensa, o que me deixou estupefacta (e na dúvida se não seria por acharem que ainda fazia alguma espécie de jornalismo) e profundamente satisfeita, uma vez que compenso a falta de vaidade no que diz respeito à aparência com uma espécie de orgulho no resto, isto é, na minha brilhante cabeça pensante. 

É claro que se fosse verdadeiramente inteligente teria noção que a minha cabeça, apesar de grande, precisa de muito óleo, que é o mesmo que dizer que deveria ser usada mais frequentemente, o que dá  algum trabalho, portanto o ideal seria apostar na aparência, mais aí teria de voltar à inteligência, porque não há paciência para ser bonita quando não se é naturalmente bela.

Mas, voltando ao convite para a conferência de imprensa posso dizê-lo, sem compromissos comerciais, porque ninguém me pagou para o dizer, que foi a IKEA que gentilmente achou por bem apresentar-me a campanha de peluches que toda a gente conhece, porque toda a gente vai, ou já foi, à IKEA. A questão que se poderá colocar, ou não, é porque é que eu aceitei o convite. 

Pois bem, eu explico:

1) Não tinha mais nada que fazer e, acreditem, a sensação de dizer em voz alta, na conjuntura da minha vida actual, "tenho uma conferência no dia 31" é quase parecida com um orgasmo;

2) O evento foi no Porto e disponibilizaram uma camioneta para levar as pessoas de Lisboa que quiseram/puderam participar. Não há como recusar tal coisa;

3) O padrinho do projecto é o Sobrinho Simões e toda a gente sabe que o Sobrinho Simões é o melhor  médico/cientista do mundo (não tenho provas, pelo que terão de confiar na minha palavra, mas posso só dizer que é o responsável por este centro, apesar de pouquíssimas pessoas falarem disso?)

De resto, olhem, se quiserem uma cusquice, porque nestas coisas tem de haver cusquices, digo eu, a Ana Borges é uma mulher bonita. É uma mulher muito bonita, porque não precisa de maquilhagens e roupas extravagantes para parecer uma gaja gira. Mesmo muito gira. Ou muito bonita, para quem faz a distinção entre gira e bonita. E se calhar estou a quebrar todas as regras das conferências de imprensa para bloggers + mais pessoas da socialite, mas, como devem calcular, estou-me a marimbar (mais ou menos, porque acabei de censurar o estou-me a cagar).